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Governo quer reformar 270 aeroportos e dar subsídio a empresas em voos regionais

marinagazzoni

30 de setembro de 2013 | 06h14

O governo federal pretende reformar ou construir 270 aeroportos no interior do Brasil e conceder subsídios a empresas aéreas que voarem para essas cidades. O plano de estímulo à aviação regional foi anunciado em 20 de dezembro do ano passado, com investimento previsto de R$ 7,3 bilhões. A expectativa da Secretaria de Aviação Civil (SAC) é de que esses aeroportos recebam 65,5 milhões de passageiros em 2025.

“As empresas querem voar mais. Se aparecer um cenário em que os voos para o interior sejam interessantes, elas vão avaliar. Depende de como for estruturado o programa”, disse o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz.

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O plano de incentivos à aviação regional é uma tentativa do governo de levar o transporte aéreo para o interior. Em 2012, apenas 122 cidades brasileiras foram atendidas por voos regulares, dez a menos do que no ano anterior e 50 a menos que em 2000, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Azul é a única entre grandes empresas que faz voos regionais

As empresas menores não resistiram ao aumento de custos da aviação nos últimos anos e muitas deixaram de voar. As líderes TAM e Gol investiram em aeronaves maiores, modelos da europeia Airbus e da americana Boeing que são muito grandes para operar no interior, e focaram no tráfego aéreo dos grandes centros. A exceção é a Azul/Trip, que voa para 105 cidades com 126 aviões da brasileira Embraer e da francesa ATR.

“A grande beneficiada com o estímulo à aviação regional no Brasil será a Embraer. O sonho da empresa é ver seus aviões voando pintados de vermelho ou laranja”, disse uma fonte de mercado.

A Embraer aposta em quatro modelos para atender o mercado de voos regionais, com configuração para oferecer entre 70 e 124 assentos.

Procurada, a Embraer disse que não comenta possíveis negócios com clientes, mas que vê “como muito positivo o plano de aviação regional do Brasil”.

Andamento. Neste ano, a SAC fez estudos de demanda de tráfego aéreo para os 270 aeroportos, vistorias técnicas e comprou 186 caminhões de combate ao incêndio para os aeroportos. Em julho, o Banco do Brasil foi contratado para ser o agente financeiro do projeto. O BB dividiu o plano em seis regiões e abriu licitação para contratar empresas para fazerem projetos em quatro delas.

A previsão da SAC é de que as primeiras obras comecem no primeiro semestre de 2014. “Há muita diferença na situação dos aeroportos. Alguns têm projetos da prefeitura e outros não têm nada. Muitos precisam de terminal de passageiros”, disse a diretora do departamento de gestão do programa de auxílio a aeroportos da SAC, Fabiana Todesco.

A SAC já decidiu que dará subsídio para os voos regionais. As empresas vão receber um valor mínimo para viabilizar o destino economicamente. Falta definir ainda como será o repasse e como será o cálculo. É essa conta que a TAM espera para decidir se volta ao interior.