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A estratégia da Gol no xadrez das aéreas

marinagazzoni

19 de fevereiro de 2014 | 22h11

A Gol vendeu nesta quarta-feira, pela segunda vez, uma fatia da empresa a uma companhia aérea estrangeira. Depois de vender 3% da companhia a Delta, em dezembro de 2011, a empresa anunciou nesta quarta-feira a venda de 1,5% para Air France-KLM.

Com a parceria com a Air-France, a Gol deixa mais claro de que forma pretende se posicionar no xadrez global das áreas – ao menos por enquanto. Em vez de comprar aviões maiores e começar a operar voos de longa distância, a empresa mantém sua estratégia de frota única, focada em voos de média distância, e parte para parcerias para levar seu passageiro ao exterior.

A estratégia é diferente do que a própria Gol tentou quando comprou a Varig, em 2007, e tentou uma expansão internacional. No ano seguinte, a Gol cancelou as rotas da Varig para a Europa. A empresa mantém seu foco no mercado nacional e em rotas internacionais curtas, como voos para a América do Sul. Para voar aos EUA, a empresa precisar fazer escala na República Dominicana, devido às restrições de autonomia do avião. A ideia é levar o brasileiro até os EUA e deixar a Delta transportar ele dentro do país para qualquer destino que ele quiser.

O formato atual prevê firmar parcerias exclusivas com empresas que atendem os mercados mais acessados pelo brasileiro que viaja ao exterior. Os acordos com Delta e Air France vão além do chamado code-share tradicional. Eles visam uma integração total entre as companhias, com ajustes na malha para conectar melhor os voos, venda de passagens de uma no site de outra e mais opções para os clientes dos programas de fidelidade.

Assim, por exemplo, a Gol poderia reforçar sua oferta de voos de Guarulhos para o Rio ou Foz do Iguaçu, os dois principais destinos de turistas estrangeiros no Brasil, em horários próximos à chegada de voos da Air France-KLM e da Delta.

Esse tipo de integração requer mais do que um acordo comercial. É negócio pra casamento, não namoro.É muito arriscado para uma empresa estruturar toda a sua operação para se adequar a uma simples parceira, que pode cancelar o acordo e se aliar a concorrente no ano seguinte. É por isso que a parceria está associado a uma aquisição de ações.

Esse modelo de expansão via parcerias sólidas e exclusivas com áreas estrangeiras, chanceladas por aquisições de participações minoritárias, não foi inventado pela Gol. A Etihad Airways, companhia aérea dos Emirados Árabes Unidos, tem como prática investir em participações de suas parcerias comerciais. A empresa é dona de fatias de empresas como Airberlin, Air Seychelles e Virgin Australia, entre outras.

A estratégia é uma alternativa à adesão a uma aliança internacional de empresas aéreas, como Star Alliance ou OneWorld – um modelo usado pela TAM e Avianca. A Gol tem afirmado que o ingresso em uma aliança lhe traria custos altos, que não valeriam a pena para a empresa, já que nem todos os destinos são interessantes para o passageiro brasileiro. A visão da empresa é de que é mais interessante focar em parcerias mais sólidas nos mercados mais relevantes do que entrar em uma aliança.

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