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Obras em aeroportos adiadas pela Infraero causam prejuízo a empresas aéreas e passageiros

marinagazzoni

12 de fevereiro de 2014 | 05h56

Uma série de obras estão sendo feitas neste momento nos aeroportos brasileiros, em uma tentativa de melhorar a infraestrutura às vésperas da Copa. A execução das obras, no entanto, têm apresentado mudanças de cronograma, causando prejuízo a empresas e passageiros.

Um levantamento feito pela Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear) a pedido do Estado aponta que diversos voos foram cancelados para liberar as pistas para a realização de obras, que acabaram adiadas. Apenas uma das empresas perdeu R$ 10,7 milhões com as alterações no cronograma de obras de sete aeroportos durante o ano passado, informa a Abear, sem revelar o nome da empresa. Nesse caso, cerca de 52 mil passageiros foram impactados pelas mudanças nos voos.

No aeroporto de Goiânia, por exemplo, o cronograma previa obras na pista entre os dias 1 de março e 2 de julho de 2013. Mas as obras começaram sete dias depois e acabaram 22 dias antes do previsto. As empresas só retomaram os voos no dia 2 de julho e o aeroporto ficou sem voos mesmo em períodos em que a pista estava livre.

“As empresas mexem em dezenas de voos para fazer uma mudança na malha. Se o voo for cancelado, ele é retirado do sistema de vendas e não dá para reativar de última hora”, explica o diretor de operações da Abear, Ronaldo Jenkins.

Segundo ele, as companhias entendem que as obras são necessárias, mas precisam que o cronograma seja cumprido para minimizar o impacto nos voos. O ideal, diz Jenkins, seria que as obras fossem confirmadas com 90 dias de antecedência. “É um absurdo o aeroporto ficar parado. O assento no avião é um produto perecível. As empresas não têm como repor essas perdas”, disse Jenkins.

O custo com os voos cancelados sem necessidade aumenta o prejuízo das empresas e deve impactar no preço da passagem, ressalta o professor de transporte aéreo da UFRJ, Elton Fernandes. “A ineficiência do sistema entra como um risco do negócio. E, quando há mais risco, os preços sobem.”

Desgaste. Os voos começam a ser vendidos pelas empresas um ano antes. Quando há necessidade de cancelar ou alterar o horário, a empresa precisa retirar esse voo do sistema e reacomodar os passageiros que já compraram a passagem. Apesar das alterações nas datas da reforma de aeroportos não dependerem da empresa, é obrigação dela comunicar as mudanças nos voos aos passageiros.

No caso da reforma do aeroporto de Salvador, que previa o fechamento da pista por 3 horas por nove dias em novembro, a ação foi agendada quatro vezes. Essas mudanças levaram a alterações em diversos voos e impactaram 15 mil passageiros, estima a Abear. “Isso gera um desgaste das empresas com os passageiros”, diz Jenkins.

As reformas continuam em 18 aeroportos brasileiros neste ano, aponta o levantamento da Abear. A Infraero diz que muitas obras ocorrem ao mesmo tempo por esgotamento da infraestrutura e porque foram adiadas a pedido das próprias empresas aéreas. “A Copa não tem nada a ver com isso. É uma questão de continuidade da infraestrutura”, diz o superintendente de Gestão Operacional da Infraero, Marçal Goulart.

“As empresas não querem diminuir em nada a operação. Fomos adiando muitas obras por conta do interesse delas. Só conseguimos comprovar que a obra é necessária quando a estrutura chega no limite.”

Segundo ele, um exemplo de obra adiada a pedido das empresas é a ampliação da pista do aeroporto de Confins, que deveria ter ocorrido em 2013 e foi cancelada. O plano original previa retirar os voos internacionais por seis meses. Mas as empresas reclamaram e o plano foi alterado, atrasando a obra.

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