Após polêmica com campanha considerada machista, AlmapBBDO abre mão de dois Leões em Cannes
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Após polêmica com campanha considerada machista, AlmapBBDO abre mão de dois Leões em Cannes

Cartazes para a Aspirina sofreram críticas por seu conteúdo, com uso de frases como 'Calma amor, não estou filmando isso'

Economia & Negócios

24 Junho 2016 | 14h50

Fernando Scheller, enviado especial 

CANNES – A agência brasileira AlmapBBDO vai abrir mão de dois dos Leões que ganhou no Cannes Lions – Festival Internacional de Criatividade de 2016. A empresa tomou a decisão de devolver os dois Leões de bronze que recebeu nas categorias Print & Publishing e Outdoor após uma polêmica envolvendo o conteúdo e a veiculação de uma campanha para a multinacional alemã Bayer.

Depois de terem sido incluídos entre os vencedores, os cartazes para o produto Aspirina sofreram críticas por seu conteúdo, considerado machista, com uso de frases como “Calma amor, não estou filmando isso”. Os críticos da peça publicitária argumentaram que esse tipo de mensagem poderia incentivar a gravação não consensual de uma relação sexual.



Além da repercussão negativa sobre o tom da peça publicitária, a publicação americana AdWeek procurou a Bayer para entender como foi o processo de aprovação do anúncio. Segundo a reportagem, apesar de o trabalho ter sido aprovado, a veiculação foi paga pela agência, e não pelo cliente.

Isso quer dizer que o alcance da campanha foi bastante limitado e que sua veiculação pode ter ocorrido apenas para que o trabalho fosse elegível para Cannes. No mercado publicitário, este tipo de movimento é conhecido como “anúncio fantasma” – ou seja, que nunca teve veiculação relevante no país de origem.

Devolução. Na esteira do debate, a AlmapBBDO afirmou nesta sexta-feira que retirou todas as peças da Bayer da competição de Cannes Lions 2016 – inclusive as que foram premiadas. Com isso, a Almap acaba abrindo mão dos dois Leões que tinha conquistado.

Em comunicado, a Almap afirmou que “lamenta que o anúncio da Aspirina, do nosso cliente Bayer, tenha causado constrangimentos e esclarece que não houve a intenção de tratar com indiferença abusos de qualquer natureza”.

A empresa disse ainda que repudia “a prática de filmagem não consensual e qualquer espécie de violência ou invasão de privacidade”.

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