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Davi de Michelangelo com rifle americano revolta italianos

nayarasampaio

10 de março de 2014 | 17h28

Reuters

ROMA – Autoridades italianas ameaçam entrar com ação judicial contra um fabricante americano de armamentos que usou a estátua renascentista Davi, de Michelangelo, em uma campanha publicitária de rifles.

No comercial, a famosa estátua de mármore considerada uma das principais obras primas do Renascimento aparece exibindo um rifle tão grande que parece uma potente metralhadora.

O anúncio substitui a funda que o personagem bíblico usou para atirar uma pedra no gigante Golias pela a arma moderna.

O rifle de precisão AR50A1 que aparece no anúncio é usado por atiradores de elite e pode disparar um tiro certeiro a uma distância de 1,8 mil metros.

 

Ofensa. A peça foi publicada em revistas especializadas apresentando uma imagem considerada pelos italianos altamente ofensiva à obra que encontra-se exposta no museu de Florença.

O ministro da Cultura Dario Franceschini protestou contra o texto que define a arma como uma “obra de arte”.

O ministro manifestou seu desgosto no Twitter: “A campanha ofende a imagem e viola o direito”, escreveu. “Vamos agir contra o Empresa norte-americana, que deve retirar imediatamente a campanha do ar” .

A empresa Armalite, uma pequena firma com sede em Illinois, usou uma fotografia de David, a estátua que Michelangelo esculpiu a partir de um único bloco de mármore em 1504, no seu polêmico anúncio que ofendeu a Itália.

Advertência. Cristina Acidini, superintendente do museu de Florença, ficou tão chocada como o ministro da Cultura. “Advertimos que a empresa não deve continuar usando a imagem”, disse ela aos jornalistas.

As autoridades italianas informaram que os museus de Florença não permitem o uso de suas obras de arte para fins comerciais sem permissão, e que a Armalite não pediu autorização para usar a imagem.

A Armalite não retornou ao contato da agência Reuters pedindo um comentário sobre o assunto.

Mas, se as autoridades ficaram ofendidas, no mundo da arte nem todo mundo censurou a campanha da Armalite.

“A arte está cheia de violência. Adulteração de imagens não é uma coisa nova para a arte contemporânea “, disse Vittorio Sgarbi, crítico de arte e ex-ministro da Cultura.

Alguns comentaristas apontaram que o artista conceitual revolucionário francês do século XIX Marcel Duchamp colocou um bigode e barba na Mona Lisa de Leonardo da Vinci.

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