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Pirelli é mais pneu. E também mais estepe

Cley Scholz

03 de julho de 2013 | 08h33

SÃO PAULO – Pirelli é mais pneu, dizia a propaganda da marca italiana fundada em 1872 pelo engenheiro Giovanni Battista Pirelli.

Depois da prova de Fórmula 1 desta semana, o slogan da fornecedora oficial de pneus das 11 equipes da prova de velocidade mais importante do mundo comprovou-se mais verdadeiro do que nunca. Pirelli é mais pneu, e mais estepes também.

pirelli

Ferrari de Felipe Massa na derrapagem da Pirelli (Reuters) 

A cada volta, mais pneus Pirelli estouravam e mais pneus de reposição eram providenciados para substituí-los. Cinco pilotos tiveram problemas com pneus desintegrados no meio da corrida. As imagens espalharam-se pela internet como fragmentos de borracha no asfalto de Silverstone.

Lewis Hamilton, da Mercedes, Felipe Massa, Ferrari, Jean Eric Vergne, Toro Rosso, Steban Gutierres, Sauber, e Sergio Perez, McLaren foram vítimas do problema que abalou a imagem da marca que atua no Brasil desde 1929.

Antes do GP da Grã-Bretanha, pneus traseiros de três pilotos já haviam apresentado descolamento da banda de rodagem da carcaça, informou o repórter Lívio Oricchio, do Estadão.

Na era da imagem, fotos e vídeos de pneus se esfarelando diante de cerca de 30 milhões de espectadores em todas as partes do mundo é uma derrapagem fenomenal. Especialmente para uma empresa que sempre procurou associar a performance dos carros da Fórmula 1 aos pneus vendidos para os veículos comuns.

A fábrica divulgou comunicado dois dias depois da corrida justificando os estouros: a causa teria sido a montagem errada dos pneus traseiros. Pneus do lado direito foram usados do lado esquerdo e vice-versa. A Pirelli reconheceu que deveria ter controlado a montagem e admitiu a culpa.

As equipes também teriam usado pressão abaixo da indicada e os pneus não resistiram algumas zebras nas curvas da pista inglesa. Mas o debate deve ir longe até que as investigações sejam concluídas.

Após a justificativa da Pirelli, o jornalista Marco Canesco, do jornal espanhol Marca, informou que a marca italiana teria mudado a construção dos pneus usados para a prova sem conhecimento ou consentimento da Federação Internacional de Automobilismo.

Para remediar a derrapagem, a Pirelli prometeu levar pneus mais seguros na próxima corrida e introduzir uma nova linha mais segura nas próximas.

O festival de pneus explodindo é o mais grave no mercado pneumáticos desde o ano 2000, quando a  Firestone foi investigada pelo problema nos pneus da picape Ford Explorer. Na época as investigações levaram a 271 mortes por capotamento e provocaram o maior recall de segurança veicular da história, com 6,5 milhões de pneus trocados.

O caso Pirelli não foi tão grave e ninguém saiu ferido. Mas as imagens se espalham hoje com velocidade e intensidade muito maior do que há 13 anos. E será difícil recuperar a imagem da marca que sempre convidou os consumidores a experimentar em seus carros a performance dos carros de Fórmula 1.

Abaixo, imagens deste ano do tradicional calendário que a Pirelli produz desde 1964. Para a empresa, o ano deveria ser lembrado apenas por imagens irretocáveis das modelos Adriana Lima, Karlie Kloss, Sonia Braga e Isabeli Fontana, fotografadas por Steve McCurry.

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