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Cafeicultura orgânica no Brasil

Jose Vicente Caixeta Filho

16 de maio de 2014 | 16h06

Cafeicultura em festa: saca de café sendo comercializada em cifras que já ultrapassam os US$ 200!

cafe

(Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

Num trabalho recentemente desenvolvido por meu orientado de Doutorado Renato Alves de Oliveira (tese defendida no Programa de Doutorado em Economia Aplicada da ESALQ/USP e artigo publicado na Revista de Economia e Sociologia Rural em 2013, vol. 51, no. 3, p. 535-554), discorreu-se sobre o planejamento da conversão do café convencional para o orgânico.

A agricultura orgânica tem oferecido, ao mercado consumidor, produtos isentos de agentes químicos. Os produtores que fazem uso do sistema convencional e que estiverem interessados em adotar a tecnologia orgânica de produção deverão se credenciar junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento através de uma certificadora de produtos orgânicos.

A certificação pode ser por auditoria ou participativa, mas para recebê-la o agropecuarista deve seguir as normas e procedimentos estabelecidos pela legislação brasileira de produtos orgânicos. Um dos procedimentos é o processo de conversão ou transição, pelo qual a atividade agrícola em manejo convencional muda para o manejo orgânico.

O tempo de transição pode variar de 12 a 18 meses, no mínimo, de acordo com a espécie vegetal ou animal e pelo histórico da unidade produtiva. No caso do café, a conversão do sistema convencional para o orgânico pode trazer consigo, entre outros benefícios, a independência de insumos externos, menor risco para a saúde e pode proporcionar maior lucro ao produtor.

Os resultados obtidos em uma propriedade específica no Estado de São Paulo mostraram que a adoção da técnica orgânica proporcionou ao cafeicultor lucros superiores aos do sistema convencional no final do período de conversão, quando ocorre aumento sobre o preço da saca.

Numa segunda análise, identificou-se uma situação de prejuízo ao cafeicultor no 4º ano do planejamento e uma condição econômica desvantajosa em relação ao sistema convencional, pois o lucro geral foi inferior, devido à redução da produtividade até o final da conversão.

Uma última análise deu conta de uma situação em que o produtor não recebe o incremento sobre o preço da saca de café quando em manejo orgânico, o que levou à obtenção de resultado desvantajoso ao produtor, no qual o lucro geral do sistema orgânico foi muito baixo em relação ao do sistema convencional.

Concluiu-se que, especificamente para aquela propriedade paulista, pode ser economicamente viável a adoção da produção orgânica na cultura do café, mas com extrema dependência do diferencial do preço entre os sistemas convencional e orgânico.

 

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