Dá para integrar as informações logísticas?
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Dá para integrar as informações logísticas?

Entende-se que a construção de um índice de preço deva envolver uma formulação teórica adequada para o fenômeno que se deseja analisar além de uma aplicação à realidade e conseqüente avaliação empírica, tendo em vista o cumprimento das metas previamente estipuladas a partir do planejamento estratégico dos agentes interessados

Jose Vicente Caixeta Filho

23 de novembro de 2014 | 16h04

(Foto: Estadão)

Debate sobre como sistematizar informações sobre a logística (Foto: Estadão)

Dificuldades logísticas de naturezas diversas têm sido enfrentadas (e já em muitos casos, bem administradas) por diversos segmentos agroindustriais, que claramente vêm delimitando uma nova fronteira agrícola no Centro-Oeste brasileiro, ocupando espaços até então (principalmente) ocupados por atividades pecuárias.

Percebe-se que as logísticas bem-sucedidas têm se pautado por uma série de práticas permeadas, basicamente, por economias de escala, baixa ociosidade na utilização de ativos e, conseqüentemente, maior eficiência de processos, capacidade organizacional diferenciada e integração efetiva entre as atividades desenvolvidas.

No que se diz respeito à logística da cana-de-açúcar, a mecanização da colheita e o próprio aumento da capacidade de movimentação dos veículos canavieiros têm demonstrado as oportunidades de reduções de custos baseadas na diluição de componentes de custos fixos importantes das chamadas atividades de “Corte, Carregamento e Transporte” (CCT). Por outro lado, ainda não se visualiza um conjunto de soluções de caráter mais permanente voltadas para a minimização de filas nos pátios das usinas.

Já para a movimentação do açúcar, se por um lado são também observados incrementos expressivos nas capacidades dos veículos rodoviários especializados para o transporte desse tipo de produto, outras modalidades de transporte – ferrovia e hidrovia, principalmente – já começam a disputar de forma mais agressiva esse nicho de mercado.

O álcool talvez represente o elemento motivador de mudanças logísticas significativas mais impactantes. Ao atrair investidores dos mais diversos segmentos (que apostam tanto no crescimento das exportações do etanol brasileiro para mercados asiáticos e para o próprio mercado estado-unidense como na manutenção do sucesso dos carros bicombustíveis no mercado interno brasileiro), o mercado acompanha com atenção a discussão sobre alternativas especializadas de movimentação terrestre de álcool (por exemplo, uma série de projetos de alcooldutos têm sido anunciados).

Muito também tem sido investido no aumento da capacidade de tancagem de álcool, notadamente no entorno das usinas e de forma mais modesta em áreas retroportuárias. Destaque também para as próprias ferrovias, que têm demonstrado grande interesse na sua maior participação na movimentação do álcool no sentido dos portos do sul e sudeste brasileiros.

Assim sendo, num ambiente que se pauta pela competitividade que venha a ser obtida com economias de centavos nos valores de fretes mas que se aplicam a expressivos volumes de carga, tem ficado cada vez mais evidente a necessidade de desenvolvimento, acompanhamento e análise de índices de preços logísticos para os bens agroindustriais movimentados a partir das diversas originações brasileiras.

Essas cargas podem envolver o já exemplificado segmento sucroenergético assim como as matérias-primas disponibilizadas na forma de granéis sólidos (soja, milho, arroz, fertilizantes), além de outros produtos provenientes do processamento de produtos agrícolas, tais como o suco de laranja, o óleo de soja, a pluma de algodão, as carnes, as polpas de frutas, as bebidas etc.

No caso específico de fretes, a percepção da relevância de sua participação sobre a comercialização desses produtos indica a importância da existência de mecanismos de análise dessa natureza. Os produtos agroindustriais, em especial os granéis sólidos, apresentam um baixo valor agregado. Por outro lado, as regiões produtoras e consumidoras muitas vezes são bastante distantes entre si, principalmente pela natureza migratória da agricultura para regiões de fronteira agrícola. Conjuntamente, esses fatores conferem custos significativos à distribuição dos produtos.

A flutuação dos preços dos produtos agrícolas, decorrente das características naturais dos cultivos, é outro aspecto que deve ser considerado. Geralmente em períodos de colheita há uma concentração na oferta, acompanhada de redução nos preços relativos e maior necessidade de escoamento da produção. Esse contexto implica aumento na demanda por serviço de transporte, que tende a ter seu preço elevado. Portanto, tem-se a combinação de preço baixo da carga com preço elevado do transporte. Esta é a principal característica da logística agroindustrial.

A disponibilidade de informações que venham permitir o melhor entendimento dessas relações tem a contribuir para o desenvolvimento do sistema de distribuição dos produtos agrícolas. O preço do transporte, o frete, é determinado por uma série de fatores, sejam eles intrínsecos ao serviço de transporte (como o custo operacional do frete), ou mesmo relacionados ao mercado do produto a ser movimentado, como seu preço, por exemplo. O conhecimento desses fatores determinantes é necessário para que o preço do transporte e, conseqüentemente, sua evolução ao longo do tempo possa ser analisada.

Decorrem da conjugação dessas variáveis, preços e quantidades do serviço que evoluem das mais distintas maneiras. Tem-se um conjunto de informações dispersas cujo melhor entendimento pode ser conseguido pela sua sistematização lógica. A teoria dos números-índice, especialmente aplicada a preços, é capaz de fornecer um excelente caminho para essa sistematização.

A utilização de índices de preços sempre recebeu destaque na Ciência Econômica. São procedimentos matemáticos que, como tal, são precisos nos seus resultados. O desafio consiste em sua formulação representar adequadamente os fenômenos sócioeconômicos que se pretende analisar. Desses esforços surgiu uma série de contribuições acadêmicas visando à elaboração dos índices.

Os indicadores podem ser utilizados com o propósito de comparar variáveis que apresentam unidades distintas e/ou que evoluem em proporções não-uniformes. Mais do que isso, eles objetivam sintetizar, em um ou em alguns poucos números, a evolução de diversas informações.

Para que a sistematização seja obtida, evidentemente é necessária a disponibilidade dos dados. O processo de amostragem tem papel central neste contexto. O levantamento das informações básicas, porém, é um trabalho oneroso, limitado aos recursos das instituições. Os preceitos estatísticos são relevantes no sentido de orientar ao máximo de precisão capaz de ser obtido com as limitações existentes.

Objetivamente, entende-se que a construção de um índice de preço deva envolver uma formulação teórica adequada para o fenômeno que se deseja analisar – por exemplo, a evolução dos preços dos fretes para o álcool a granel – além de uma aplicação à realidade e conseqüente avaliação empírica, tendo em vista o cumprimento das metas previamente estipuladas a partir do planejamento estratégico dos agentes interessados.

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