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Matopiba

Há um acervo enorme de projetos de excelente qualidade técnica seja no ambiente público ou privado. Por outro lado, pairam ainda muitas dúvidas sobre a efetivação de boa parte desses projetos. Pior: às vezes sabe-se que determinado projeto foi concebido, mas não é encontrado. E contrata-se novamente os serviços de (bons) projetistas. Heranças de operações “limpa-gaveta” para novas administrações/gestões, que certamente não são interessantes para a sustentabilidade de nosso país.

Jose Vicente Caixeta Filho

18 Maio 2015 | 10h36

Sim, acertou! É a região formada por partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, que vem claramente se destacando pelos altos índices de produção e de produtividade de grãos ao longo dos últimos anos (segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, representa hoje cerca de 10% da produção brasileira de grãos).

Segundo o próprio MAPA, o Matopiba abrange 337 municípios e 31 microrregiões, num total de 73 milhões de hectares. Se fosse assumida a representatividade (em ordem decrescente) da área ocupada por estado, o acrônimo poderia ser transformado em Tomabapi (talvez um fonema que não soe muito técnico…). De qualquer forma, o Tocantins se destaca com 38% da área: 27,7 milhões de hectares em 139 municípios; o Maranhão ocupa 33% de todo o território do Matopiba (23,9 milhões de hectares em 135 municípios); a Bahia com 18% da área, envolvendo 13,2 milhões de hectares e 30 municípios; o Piauí representando 11%, com 8,2 milhões de hectares e 33 municípios.

Na manhã da sexta-feira (15/05), a ministra Kátia Abreu lançou o Plano de Desenvolvimento Agropecuário do Matopiba, em Luís Eduardo Magalhães (BA). 

Segundo Kátia Abreu, o governo federal vai apoiar o crescimento sustentável dos produtores do Matopiba com investimento em tecnologia e assistência técnica. “O governo está tendo a chance de acompanhar esse crescimento e promover verdadeiramente o desenvolvimento regional. No passado, produtores experientes ocuparam nossas áreas agrícolas, mas a população local ficou ao largo assistindo. Com o Matopiba, queremos reverter esse histórico”.

Ainda de acordo com a ministra, uma das medidas que deverá impulsionar os agricultores da região é a criação de uma agência de desenvolvimento voltada para tecnologia com forte investimento em capacitação, inovação, pesquisa, agricultura de precisão e assistência técnica. O formato da futura agência tem sido discutido entre o ministério e representantes dos estados, da iniciativa privada e de instituições de pesquisa e de ensino.

Destacou-se também a questão do transporte da produção agrícola. De acordo com a ministra, a Bahia tem uma demanda muito forte pela revitalização da BR-020, que tem 460 quilômetros sem asfalto. “Essa é a grande artéria que vai irrigar o abastecimento dos estados do Nordeste. Temos uma grande produção na região e o que precisamos é viabilizar e melhorar o escoamento até os mercados consumidores. Com o Matopiba e o apoio dos governadores e dos produtores, pretendemos realizar um levantamento dos projetos de todas as obras para fazer concessões ou utilizar o PAC 3 (instrumento do Governo Federal para atender a essas demandas)”.

Acredito que não haja dúvidas e/ou questionamentos técnicos sobre a pertinência de tais medidas. Ainda, como sempre se diz, recursos financeiros não devem faltar para bons projetos. De qualquer forma, o MAPA, que representa um segmento de nossa economia que já tem nos dado uma série de bons exemplos, poderia aproveitar das oportunidades de lançamentos de seus diversos planos/projetos para se comprometer a informar à nossa sociedade sobre o que de fato esteja sendo implementado/realizado.

Há um acervo enorme de projetos de excelente qualidade técnica seja no ambiente público ou privado. Por outro lado, pairam ainda muitas dúvidas sobre a efetivação de boa parte desses projetos. Pior: às vezes sabe-se que determinado projeto foi concebido, mas não é encontrado. E contrata-se novamente os serviços de (bons) projetistas. Heranças de operações “limpa-gaveta” para novas administrações/gestões, que certamente não são interessantes para a sustentabilidade de nosso país.