Sobre os ‘bailes da vida’ do engenheiro agrônomo brasileiro
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Sobre os ‘bailes da vida’ do engenheiro agrônomo brasileiro

Jose Vicente Caixeta Filho

07 de maio de 2014 | 09h17

Interessante destacar alguns dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea ), atualizados até o dia 6 de maio de 2014, relacionados ao número de engenheiros agrônomos ativos cadastrados: 87.873 profissionais.

Destaque para a distribuição regional desses profissionais: 13.646 no Centro-Oeste (15,5%), 14.745 no Nordeste (16,8%), 5.160 no Norte (5,9%), 30.229 no Sudeste (34,4%), 24.093 no Sul (27,4%).

Há uma grande dificuldade de se obter dados oficiais e públicos sobre a oferta de vagas em cursos de graduação em engenharia agronômica (ou agronomia).

A Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior (ABEAS) tem uma série de universidades/faculdades filiadas (total de 55) que oferecem tais cursos, sendo a seguinte distribuição regional observada: 7 no Centro-Oeste (12,7% do total), 11 no Nordeste (20,0%), 3 no Norte (5,5%), 17 no Sudeste (30,9%) e 17 no Sul (30,9%).

Dados oficiais sobre a profissão colocam em xeque a localização dos centros de formação (Foto:Divulgação)

Assim sendo, imagina-se que o número de vagas para esse tipo de curso de graduação siga – em termos relativos – algo que se aproxime aos dois últimos conjuntos de estatísticas apresentadas (por exemplo, tirando as ‘médias’ aproximadas: 14% no Centro-Oeste, 18% no Nordeste, 6% no Norte, 32% no Sudeste e 30% no Sul).

Naturalmente, mobilidades podem ser observadas (engenheiros agrônomos formados no Sul ou Sudeste podem se deslocar para o Centro-Oeste, por exemplo) e ressalvas a esses tipos de dados podem ser levantadas.

De qualquer forma, tomando como referência o post da semana passada, de acordo com o IBGE, em 2013, o volume da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas se concentrou no Centro-Oeste (41,7%), seguido de: Sul (38,8%); Sudeste (10,5%); Nordeste (6,4%) e Norte (2,6%).

Como já cantava Milton Nascimento, “todo artista tem de ir aonde o povo está”… Portanto, nessa logística não necessariamente otimizada, ou o engenheiro agrônomo tem que de fato ir para bem longe executar suas atividades profissionais ou não necessariamente as escolas formadoras desses recursos humanos – fundamentais para os diversos agronegócios brasileiros – estão bem localizadas.

José Vicente Caixeta Filho é Professor Titular e Diretor da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ) da Universidade de São Paulo (USP). As opiniões documentadas neste post não necessariamente refletem o posicionamento institucional da ESALQ/USP. E-mail para contato: jvcaixet@gmail.com

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