Programa treina jovem para ‘subir’ rápido
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Programa treina jovem para ‘subir’ rápido

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24 Junho 2018 | 08h04

Clara Bravo. Foto: Souza Cruz/Divulgação

Guilherme Guerra
e Isadora Duarte
ESPECIAL PARA O ESTADO
Cargos de gerência e altos salários para recém-formados são uma realidade em algumas empresas. Os programas para ‘supertrainees’, que minguaram durante a crise e começam a ser retomados, abrem espaço para estudantes ambiciosos que sabem o que querem. Os salários para quem vence a acirrada disputa por uma vaga oscilam entre R$ 7 mil e R$ 10,2 mil mais benefícios – mas a remuneração é o que menos conta. O que atrai esses profissionais é rápida aceleração na carreira e a experiência internacional oferecida.

Gerente da consultoria de recrutamento Page Talent, Carla Biasi diz que, por serem caros e trabalhosos, as companhias interromperam os programas trainees durante a crise econômica. Agora, os retomam com um processo seletivo mais refinado. Segundo ela, os trainees têm adaptação mais rápida à empresa e maior engajamento do que funcionários contratados.

Internacional

Aos 26 anos, a administradora de empresas Clara Bravo vai concluir seu programa na Souza Cruz agora em julho. Ela recebe R$ 7,5 mil mais benefícios e ao término do processo assumirá a posição de gerente de talentos na sede da British American Tobacco (BAT), controladora da Souza Cruz, em Londres. “O que me chamou atenção para o programa foi a oportunidade de atuação internacional.”

Clara entrou na companhia como estagiária e antes atuava como analista de RH. “Se continuasse no cargo, teria um desenvolvimento mais lento”, afirma.

No último processo aberto pela Souza Cruz, havia 30 mil inscritos para 15 vagas direcionadas às áreas de finanças, jurídico, industrial e marketing. Ou seja, 2 mil candidatos por vaga. A título de comparação, um dos cursos mais concorridos do País, o de medicina na Unesp, teve 266,2 candidatos para cada vaga em 2017.

Para a gerente sênior de talentos da Souza Cruz, Marina Castro, a remuneração oferecida é compatível com o nível de cobrança e responsabilidade exigidos. “Não é só a remuneração que faz o programa ser diferenciado. Eles assumem desafios, desde o primeiro dia.” Também para comparar, uma pesquisa da plataforma interativa Love Mondays, que avalia empresa, indica que o salário médio para trainees oscila entre R$ 4,6 mil para o setor de bens de consumo e R$ 2,4 mil em serviços. Os demais setores ficam em faixas intermediárias.

O pacote não deve, no entanto, guiar os jovens profissionais na escolha de um programa. “A remuneração é o atributo que os jovens menos deveriam observar”, ressalta a sócia e diretora de recrutamento da consultoria MatchBox, Flávia Queiroz. “Eles recebem um tratamento diferenciado porque as empresas esperam resultado diferenciado. Por isso, os jovens precisam avaliar qual empresa e área se identificam, entender o segmento de mercado e conhecer os pontos fracos e fortes da cultura organizacional.”

Na avaliação da CEO da Love Mondays, Luciana Caletti, a identificação com a cultura corporativa é fundamental para o profissional apresentar bom desempenho e galgar oportunidades. “Esses programas são só o começo do desafio na carreira desses jovens. Eles precisam saber onde querem chegar e qual é a propensão de crescimento.”

Turbo

Formar líderes aptos a cargos de gestão, como Clara, é um dos principais objetivos dos programas de trainee. Segundo a consultoria de recrutamento Page Talent, 70% dos programas são formulados para formar gerentes e 30% profissionais de cunho técnico.

A ascensão para cargos gerenciais ocorre em até cinco anos após o programa. Em comparação, um profissional leva em média o dobro desse período para atingir o mesmo status. Isso se deve à exposição a distintas áreas de negócio e à prioridade nas promoções.

Matheus Santana. Foto: Ambev/Divulgação

O rápido desenvolvimento e a aceleração na carreira levaram Matheus Santana, 23 anos, a investir em um segundo programa de trainee. O jovem administrador de empresas ingressou na consultoria PWC e, em seguida, na Ambev. “Em dez meses, conheci toda a companhia, desde o processo produtivo até a reunião de estratégia com o vice-presidente.” Na Ambev, o salário inicial para um trainee é de R$ 6,1 mil. Hoje, gerente de vendas em Brasília, Santana foi promovido a gestor apenas seis meses depois do programa.

O objetivo de formar futuros líderes é atribuído pela diretora de desenvolvimento e gente da cervejaria Ambev, Camilla Tabet, como o motivo para expor os trainees a uma visão geral da organização. “Eles têm contato com as lideranças de cada setor, que compartilham seus conhecimentos e experiências com os candidatos selecionados”, diz.

A Gerdau resolveu mudar o foco do programa de trainee quando percebeu que perdia talentos treinados para outras empresas. O novo programa, batizado de Gmaker, recruta profissionais com até cinco anos de experiência e perfil protagonista, inovador e colaborativista.

Os salários atingem R$ 10 mil e a concorrência supera 1 mil candidatos por vaga. Segundo a gerente de RH da siderúrgica, Caroline Carpenedo, 92% dos jovens continuam na empresa.

Há vagas para atuar em diversas áreas e regiões do País 

Universitários interessados em conquistar vaga em programas de estágio ou de trainee encontram várias opções de inscrição abertas. Empresas como Thomson Reuters, Gerdau e Fundação Mudes encerram as inscrições nos próximos dias. Na Uber, o processo não tem data definida para acabar, enquanto nas Lojas Americanas os candidatos têm prazo até 8 de julho. Na Resultados Digitais, as inscrições podem ser realizadas até 10 de julho. O Itaú Unibanco mantém as inscrições abertas o ano todo.

A líder de recrutamento da Uber Brasil, Sofia Cymerman, diz que a companhia quer desenvolver candidatos com as características valorizadas pela empresa: empreendedorismo, habilidade para lidar com diferentes níveis de senioridade e culturas e flexibilidade. “Essas qualidades, somadas a uma boa performance durante o período de estágio, podem definir uma contratação.” A empresa oferece cinco vagas para os cursos de engenharia, economia, administração e comunicação.

Caroline Carpenedo. Foto: Gerdau/Divulgação

Além das vagas do programa Gmaker, voltado para jovens mais experientes, a gerente de RH da empresa, Caroline Carpenedo, diz que há cem vagas em 14 Estados no programa G.Start. As oportunidades são para alunos de engenharia, ciências contábeis, ciências econômicas, matemática, administração, psicologia, design, logística, sistemas de informação, marketing, comunicação, publicidade e propaganda. As inscrições terminam no próximo dia 29.

A Lojas Americanas busca estudantes de administração, ciências contábeis, economia, engenharias, marketing, publicidade e propaganda. Os selecionados passarão por treinamento nas unidades, para desenvolver habilidades de gestão e interação com as rotinas do varejo. Ao final, os participantes poderão liderar uma unidade de negócio da companhia.

Na provedora de informação Thomson Reuters há vagas para os escritórios da capital paulista, Campinas e Juiz de Fora nas áreas de logística, jurídica, contabilidade, comercial, TI, marketing, engenharias e relacionadas, ciência da computação, análise de sistemas, sistema da informação e direito. As inscrições vão até o dia 29.

Já a desenvolvedora de software Resultados Digitais seleciona universitários e recém-graduados de qualquer área, com formação entre julho/2018 e janeiro/2019, com interesse em participar de programa com foco em vendas e disponibilidade para residir em Florianópolis.

Os trainees terão a possibilidade de trabalhar em um dos escritórios internacionais da empresa, após um ano de experiência no programa com duração de 18 meses. Além disso, participarão do Programa de Líderes, que capacita para posições de liderança na empresa.

A Fundação Mudes oferece 174 vagas de estágio e trainee no Rio de Janeiro. As vagas são para graduandos nos cursos de administração, comunicação social, publicidade e propaganda, marketing, engenharia, ciências contábeis, ciência da computação, jornalismo e turismo. As inscrições devem ser feitas até o final deste mês.