A arte de liderar requer competências como empatia e relacionamento
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A arte de liderar requer competências como empatia e relacionamento

No lugar de ser um 'dom natural', a liderança pode ser desenvolvida e tem, entre seus ingredientes, o autocontrole e a percepção das necessidades do outro

Ylana Miller

07 de abril de 2020 | 08h19

Todos nós já ouvimos histórias sobre gestores inteligentes, bem preparados e que alcançam excelentes resultados, mas que fracassam como líderes. Alguns são promovidos em função de conhecimento técnico e outros, focados em status e poder, mobilizam esforços e conseguem ocupar a almejada posição de liderança.   

Há alguns meses uma aluna contou que, ao ser aprovada em um programa de estágio, ouviu do entrevistador e acionista da empresa que o seu potencial era excelente e que tendo um bom desempenho no estágio poderia vir a ser contratada como uma profissional júnior. Gostou da conversa e se sentiu acolhida. Entretanto, em seguida, foi informada que a partir daquele momento não se cumprimentariam mais.

De imediato, a jovem perguntou o motivo e ouviu a explicação de que os sócios-diretores não conversavam com os funcionários e estagiários da empresa. De fato, constatou rapidamente que o ambiente era hostil e havia um distanciamento entre os gestores e suas equipes. Após estagiar por alguns meses, optou por pedir demissão e continuar o seu aprendizado em outro ambiente corporativo. Foi uma ótima experiência para aprender o que não quer para a sua carreira, pois prioriza a qualidade de vida profissional.  

Casos como esse confirmam a crença de que influenciar, desenvolver e formar pessoas requer muitas competências comportamentais, como inteligência emocional, empatia, relacionamento interpessoal, resiliência, comunicação assertiva dentre outras. Diria que em primeiro lugar é preciso gostar de gente. Gostar de interagir, trocar, aprender, reconhecer, celebrar…

Para desenvolver um bom líder, as competências comportamentais são essenciais. Foto: Unsplash

Há décadas atrás se defendia que liderança era um dom natural e que não poderia ser desenvolvida. Com a evolução dos estudos e pesquisas sobre o comportamento organizacional essa crença foi desconstruída. Sim, líderes podem ser desenvolvidos. As capacidades de influenciar pessoas, vender ideias, convencer a troca de convicções por novas alternativas podem ser aprendidas.

A empatia é mais um “ingrediente” essencial. Perceber a necessidade do outro, ouvir de fato o que quer dizer e estabelecer acordos ganha-ganha são habilidades que podem ser desenvolvidas.

Outra competência importante para um líder é o autocontrole. Jamais pode reagir de forma descontrolada, respondendo sem pensar ou desrespeitando as pessoas. 

Na arte da liderança não basta fazer acontecer. A maestria de um líder está na percepção do impacto de suas ações nas pessoas. Agindo assim, vai formar e reter talentos como essa jovem estudante e deixará um legado diferenciado. 

* Ylana Miller é especialista em Recursos Humanos e sócia-diretora da Yluminarh – Desenvolvimento Profissional (ylana@yluminarh.com.br)

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