A dura batalha por uma carreira estável

Claudio Marques

18 de setembro de 2013 | 19h17

O serviço público brasileiro emprega quase sete milhões de pessoas nos Três Poderes e nas esferas federal, estadual e municipal, segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2011. Salários muitas vezes altos e garantidos, além de estabilidade, são os grandes atrativos para quem escolhe carreiras públicas.

De acordo com a Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac), no ano passado, 11 milhões de pessoas disputaram um emprego no serviço público em todo o País. Estavam em jogo cargos com remunerações de até R$ 25 mil.

É praxe serem mais procurados os posto do Judiciário, que normalmente pagam mais. Em 2012, no entanto, o certame mais concorrido foi o realizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que teve mais de 122 mil inscritos.

“É preciso ter pés no chão e buscar equilíbrio”

“O volume de concurseiros é enorme. Sai um novo edital e eles correm em busca de ajuda”, revela a coach especialista em concurso Laura Ribeiro. Para ela, o problema dos candidatos é o alto grau de ansiedade.

“Em Brasília, as pessoas respiram concurso público. O atrativo é a estabilidade e a certeza de dinheiro no final do mês”, diz Laura. Ela ressalta que é preciso reconhecer que não há certeza de passar e estar preparado.

A coach aconselha que antes de encarar um concurso é preciso entender qual o órgão, a linguagem, o que conhece daquela área, pois muitas pessoas estão alinhadas com a carreira pública e outros não. “Não dá para se guiar apenas pelo salário, é preciso saber qual a função e as possibilidades de desenvolvimento para não se frustrar depois.”

O psicólogo clínico, orientador de estudantes e concurseiros Fernando Elias José concorda. “Sem dúvida nenhuma, muitos acreditam que o concurso público é a tábua de salvação: estabilidade e dinheiro. Eles não ponderam a possibilidade de não passar ou de chegar lá e não se identificar. Muitas respostas serão dadas somente ao assumir o cargo”, diz.

Segundo ele, seu trabalho é ajudar nos objetivos, identificar o que esperam da carreira e como lidar com o “branco” na hora da prova e com a frustração de não ser aprovado.

José também alerta para o fato de deixar a vida de lado e passar anos dedicado a um concurso público. “É preciso ter pé no chão e buscar equilíbrio, ter um ritmo de estudo aceitável, avaliar a alimentação, o sono, os exercícios.”

Dicas para chegar lá:

Clareza – Saiba o que quer e onde quer chegar. Tenha informações sobre a carreira pública, o órgão e a área na qual vai atuar e quais são as atribuições do cargo que quer

Organização – Na hora de estudar, tenha regras, mas em um ritmo aceitável. Equilibre os horários com hábitos saudáveis de alimentação, sono e exercícios

Inscrições  – Ao buscar informações sobre os concursos abertos, leia atentamente os editais para saber sobre prazos, locais e exigências para o cargo pretendido

Informação  – Se conhecer pessoas que atuam na área pública, converse com elas, saiba sobre o desenvolvimento de carreira, as regras para o setor público

Preparação – Encontre as melhores técnicas de estudo: sozinho, em grupos ou em uma escola. Valorize o que tem de melhor e se prepare

Possibilidade  – Reconheça que poderá ter problemas no caminho. Para o psicólogo Fernando Elias José, esse momento é uma soma de esforço, determinação, garra, persistência e foco

 

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