A ponta do iceberg na questão da igualdade de gêneros
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A ponta do iceberg na questão da igualdade de gêneros

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28 Agosto 2018 | 15h26

Foto: Pixabay

Artigo de Patrícia Corrêa*

É muito comum hoje, em questões que envolvam as mulheres, a palavra corporativa ser uma e, a prática, outra. Ainda há quem julgue as ações para aumentar a participação feminina como “mimimi” e que enxergam os esforços por igualdade nas empresas quase como uma “forçação de barra” das mulheres. Resultado: são promessas e ideologias muito bem fundamentadas, mas que não estão alinhadas com os profissionais e, nem mesmo, em muitos casos, com a alta liderança.

Falar de mulheres e de plano de carreira, de empoderamento feminino e engajamento, e manter isso no papel é tratar, infelizmente, apenas da ponta do iceberg. 

O Dia Internacional da Igualdade da Mulher, celebrado em 26 de agosto, reforça o engajamento feminino por direitos iguais aos dos homens. E, dentro das empresas, esta ideologia é reforçada em apresentações, nas identidades visuais da empresa, nas palavras de muitos dos funcionários e no comprometimento da liderança com o cumprimento de políticas que permitam a equidade de gênero, entre outros. Entretanto, no dia a dia ainda não é tão simples assim honrar o discurso com ações verdadeiramente transformadoras.

Não posso negar que ter esse tema entre os principais a serem considerados no universo business é uma grande batalha vencida, mas fazer na prática o que é falado e transformar as palavras em atitudes são ainda outras batalhas que devem ser travadas. 

Na Ingersoll Rand, empresa que faço parte há 13 anos, a minha luta e a de muitas das minhas colegas de trabalho têm rendido frutos bem além do papel. São iniciativas que saem do discurso e caminham com sucesso para as ações. Um dos motivos para que isso aconteça é porque não estamos sozinhas, o nosso CEO também está comprometido e engajado com a árdua tarefa de equalizar o acesso aos cargos mais altos para homens e mulheres.

A distante realidade da igualdade de gênero

Para se ter idéia da onde estamos e do quanto o discurso não reflete as ações, a última medição do Fórum Econômico Mundial (WEF), de novembro, aponta que a desigualdade entre homens e mulheres aumentou em 2017 no Brasil. O País estava em 79º lugar, em 2016, e caiu para a 90ª posição. Ou seja, se todo o esforço que as empresas veem exercendo parece que é algo impactante, no fundo não é.

O ranking é atribuído com base na diminuição da igualdade na economia e na política e em dados de acesso a saúde e sobrevivência, participação e oportunidade econômica, realização educacional e empoderamento político. A Islândia é a campeã da igualdade de gênero no mundo, seguida por Noruega, Finlândia, Ruanda e Suécia, num total de 144 países.

A luta não pode parar. Mas mais do que isso, a luta precisa sair do papel. Precisa ganhar corpo e cara. Sair do textão das redes sociais e ir para as atitudes. Sair do discurso corporativo e ir para projetos, ações.

É preciso perseverança, força, foco e determinação para colocar tudo o que é pensado em prática. Convocar homens e mulheres para lutar por essa e outras tantas causas.

O que podemos fazer?

No meu caso, saber que posso fazer diferença na vida de alguém, por meio do trabalho, me deixa radiante e com vontade de seguir em frente. O trabalho, definitivamente, é muito importante da minha vida. Além de ser uma grande oportunidade de construir relacionamentos e amizades sólidas, que carrego para a vida

É muito importante, e destaco sempre, a empatia. O acolhimento. Sentir e ser parte do ambiente onde passamos a maior parte do nosso tempo.

Não apenas apoio e sou embaixadora, como acredito muito em iniciativas como o WEN – Women´s Employee Network, que atua em todas as empresas da Ingersoll Rand no mundo e que cresce a cada dia, ganhando corpo, presença, apoiadores, sejam eles homens ou mulheres, líderes ou profissionais.Todos os dias a vida nos dá a oportunidade de recomeçar. O que faz a diferença é COMO começamos! Vamos ingressar nessa jornada do bem? Convido você para fazer uma reavaliação de seus hábitos e atitudes..

Que nossa luta siga com muitas vitórias e que principalmente possamos transformar nosso discurso em lindas ações de sucesso!

Engenheira mecânica, atualmente é gerente de Desenvolvimento da Rede de Concessionários da América Latina na Thermo King – empresa do Grupo Ingersoll Rand® Company.