Presidentes de empresas dão dicas para quem  deseja ser trainee
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Presidentes de empresas dão dicas para quem deseja ser trainee

Entre os requisitos avaliados estão boa formação, experiência extra curricular e habilidades comportamentais, como liderança e interação; veja no final da página empresas com inscrições abertas

CRIS OLIVETTE

02 Setembro 2018 | 07h19

Murilo Parada. Foto: Rafael Tomazi/Divulgação

Neste momento, em todo o Brasil, milhões de jovens universitários sonham em começar 2019 ocupando vaga de trainee ou de estagiário em uma empresa. Uma forma de sair na frente nos processos seletivos é seguir dicas de quem iniciou a carreira em um desses postos e hoje ocupa a presidência da companhia.

Critério

“Na primeira etapa da seleção, olhamos se o candidato tem boa formação e consideramos fundamental ter domínio de um ou mais idiomas. Também valorizamos experiências extra acadêmicas como estágios e vivência no exterior”, diz o CEO da empresa global Louis Dreyfus Company (LDC), que atua no segmento de comércio, agricultura, logística e finanças, Murilo Parada.

Segundo ele, os candidatos que avançam no processo de seleção têm as habilidades comportamentais avaliadas. “Observamos a desenvoltura, capacidade de comunicação e de trabalhar em equipe, liderança e interação com os outros. Essas características são observadas nas dinâmicas de grupo”, conta.

Presidente do segmento de eletrodomésticos da Whirlpool Brasil, Paulo Miri diz que a primeira orientação é estar alinhado aos valores da companhia em que deseja trabalhar. No caso da Whirlpool, que assim como a LDC está com inscrições abertas para o programa de trainee, esses valores são, segundo ele: respeito, integridade, diversidade e inclusão, trabalho em equipe e espírito de vitória.

Paulo Miri. Foto: acervo da Whirlpool Brasil

Além disso, outra dica de Miri é que o jovem tenha perfil diferenciado e queira se desenvolver pessoalmente e profissionalmente. “Estar aqui é uma oportunidade de vivenciar experiências que transformam o máximo potencial em resultados, proporcionando novas perspectivas para a carreira. É um ambiente que permite inúmeros desafios. Se este é o tamanho do sonho do candidato, então, fazer parte do nosso time está para ele.”

Parada e Miri iniciaram o trajeto profissional como trainee nessas empresas. Engenheiro agrônomo, com mestrado em economia de negócios, Parada entrou na LDC em 2001.

Experiência

“O programa previa rotação por diferentes áreas. Passei pelas áreas de açúcar, caroço de algodão, soja, milho, departamento financeiro e operações de citros. No final do programa, fui designado para acompanhar a implantação da operação de algodão que ainda não existia no Brasil. Após três anos, passei a ser gerente”, relembra.

A construção de sua carreira o levou a morar no interior de São Paulo e na China. Um ano e meio após ter voltado, se tornou presidente da empresa no Brasil, no começo de 2017. “Em outubro último, também assumi o negócio global de citros e sucos e há dois meses passei a integrar um grupo de três executivos que olham todos os negócios da Dreyfus no mundo.”

Protagonismo

Miri, por sua vez, é formado em engenharia elétrica, com especialização em qualidade para desenvolvimento de softwares e MBA em finanças e marketing. “Entrei na Whirlpool em 2003, como gerente trainee em suprimentos. O programa de trainee abre as portas para que profissionais em início de carreira possam ser protagonistas. Pude me desenvolver em um ambiente inovador e tive a chance de ser dono dos resultados ao longo dessa jornada enriquecedora.”

Sonia Eiko. Foto: A. E./Divulgação

Vice-presidente da Engemon Engenharia, Sonia Keiko entrou na companhia como estagiária, em 2000, quando cursava o último ano de edificações na escola técnica. “Passei dois anos trabalhando em obras. Por ser muito boa com gestão e números, me formei em matemática e comecei a criar análises, principalmente em relação a custos e retorno para a empresa, assim, me destaquei internamente.”

Depois de fazer MBA em gestão, ela assumiu a coordenação de compras e a parte administrativa das obras. “Criei métricas para a área orçamentária que contribuíram para a redução de custos. Posteriormente, me tornei gerente da área.”

Em conjunto

Sonia cresceu junto com a empresa. “Quando entrei, éramos oito funcionários, hoje, somos 500. Assim como investi na empresa, a Engemon também apostou em meu desenvolvimento e me deu autonomia para aplicar meus aprendizados, como a criação do departamento de controladoria de projetos. Depois desse trabalho, fui promovida a vice-presidente de novos negócios. Agora, desenvolvo a área de estratégia e planejamento.”

A executiva afirma que a contratação de trainee e estagiários é constante e ocorre sob demanda, para a execução de novos projetos. “Os anúncios das vagas são feitos no site da empresa. Durante o processo de seleção, avaliamos o apetite de aprender dos candidatos e conhecimentos técnicos”, conta.

Formação

Coordenadora do departamento de Gestão de Carreiras da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), Simone Tavit Panossian Vilela aponta quais são os requisitos básicos que candidatos a trainee devem ter: bom relacionamento interpessoal, bons conhecimentos gerais e de lógica, conhecimentos do pacote Office, inglês no mínimo avançado e muita perseverança para atravessar longos processos seletivos.

Simone Tavit. Foto: Patricia Zeppellini/Divulgação

“Para os candidatos a uma vaga de estágio, o bom relacionamento interpessoal também é importante, assim como conhecer o pacote Office ou softwares da área específica de atuação. Além disso, é preciso ter, no mínimo, inglês intermediário e disposição para aprender já produzindo resultados.”

Ela diz que os jovens são ansiosos e desejam construir rapidamente uma carreira de sucesso. “Eles alcançam posições elevadas cada vez mais cedo, porém, a ansiedade pode ir contra este alvo, ainda mais se não souberem lidar com frustrações e pressões.”