Ambiente de startup atrai profissionais experientes
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Ambiente de startup atrai profissionais experientes

Trabalhadores deixam posições de destaque em busca de atuação mais gratificante

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30 Setembro 2018 | 08h44

Karine Gaia, coordenadora de marketing na Convenia. Foto: Juliana Jesus/Divulgação

O desejo de vivenciar uma nova experiência profissional tem levado profissionais bem-sucedidos a buscar novas experiências em startups, onde podem ter mais autonomia e contribuir para o crescimento do negócio de forma mais participativa.

Coordenadora de marketing na Convenia, startup que oferece software de gestão de recursos humanos (RH), Karine Gaia trabalhou em duas agências digitais multinacionais. “Comecei na Isobar como estagiária e fui efetivada como analista de projetos. Depois fui contratada pela F.biz como analista de projetos digitais e promovida a executiva sênior, cargo que ocupei por três anos, cuidando da conta da Totvs.” A vontade de trabalhar em startup surgiu quando ela começou a estudar a respeito de inbound – estratégia de marketing para atrair e converter clientes usando conteúdos relevantes.

“Fiz muitos cursos e descobri que a máquina de vendas das startups é voltada a inbound marketing. Comecei a procurar startups para trabalhar e conheci a Convenia, que é reconhecida por usar essa estratégia.”

Atração

Entre as coisas que fizeram brilhar os olhos da jovem de 25 anos estão a oportunidade de criar e moldar o departamento de marketing com total liberdade. “Acima de mim só há o CEO. Aqui tenho oportunidade de crescer com a empresa.”

Karine diz que o clima no trabalho atual é completamente diferente. “A equipe tem 50 pessoas, na F.biz eram dez andares com mais de 400 pessoas, eu tinha de me movimentar o tempo todo e a comunicação era muito quebrada. Aqui, a comunicação é eficiente e o ambiente é muito colaborativo.”

Natural de Belo Horizonte, a diretora de operações da plataforma de vídeo da Samba Tech, Isabela Martins, entrou na Ambev por meio do programa de trainee, em 2014. “Ao concluir o programa, fui contratada como especialista em recrutamento e seleção. Em 2016, passei a ser gerente de gente e gestão de uma operação no Rio de Janeiro, onde atuei por dois anos.”

Isabela Martins, diretora de operações da Samba Tech. Foto: Lorena Loiola/Divulgação

Mesmo tendo perspectiva de crescer na carreira e de continuar sendo desafiada, Isabela queria experimentar outro modelo de negócio. “No meu período de férias fui à Belo Horizonte e visitei dez startups para entender como funcionava o produto ‘gente e gestão’. Fiquei encantada com o ambiente e desejei começar algo novo.”

Recomeço

No ano passado, após concluir entregas pendentes na Ambev, Isabela foi trabalhar na Samba Tech, como gerente de performance. “Implantei o sistema de metas e de gerenciamento de processos. Em maio deste ano assumi a diretoria de operações, que engloba a parte de gente e a área comercial”, conta.

Segundo ela, em uma grande empresa o profissional vê várias decisões serem tomadas e tem de acatá-las. “Nas startups, as pessoas ajudam a construir as decisões, as estratégias, os caminhos. É muito mais que executar uma rotina, é definir, viver e pensar por qual caminho seguir em termos de pessoas, de estratégia e de produto. É uma atuação mais ampla.”

Graduado em engenharia industrial, com mestrado em design e especializações em Harvard e Stanford, André Braz deixou a diretoria de experiência de usuário de uma grande empresa de entretenimento, onde trabalhou 17 anos liderando time com 50 pessoas, porque queria atuar dentro do ambiente empreendedor de uma startup.

“Já tinha aprendido muitas coisas do universo de empresas grandes e por considerar que empreendedorismo é sinônimo de startup, queria entrar nesse universo.”

André Braz, diretor de experiência do usuário da Biz Capital. Foto: Carolina Lamim/Divulgação

Segundo ele, designer é um profissional que projeta para atender desejos e necessidades que ainda não foram atendidas. “Isso é inovar na perspectiva do designer, e as startups nascem com essa premissa”, avalia.

Braz diz que o processo de mudança foi longo. “Estava confortável no trabalho. Ao completar 40 anos comecei a pensar o que iria aprender daqui em diante. Além disso, tenho família. Enfim, não foi um movimento tão simples.”

Para escolher o local e as pessoas com quem iria trabalhar, ele agiu da mesma forma que um investidor quando escolhe onde vai investir. “É preciso acreditar no negócio.”

Há oito meses, Braz é diretor de experiência do usuário na BizCapital, fintech de crédito para PME’s. “O que me atraiu foi o fato de os fundadores terem a cabeça extremamente sofisticada e inovadora”, conta.

Prazer

Satisfeito, ele diz que nada se compara a viver o clima do dia a dia de uma startup. “Entender isso é mais difícil sem estar dentro. Estou sendo exposto a novas informações e isso é maravilhoso. Empresas novas têm uma atmosfera rica, pulsante, com todos pensando o que fazer para melhorar o negócio.”

Professora da Fundação Dom Cabral, Bela Fernandes diz que dentro das organizações tradicionais falta nova forma de trabalhar com inovação e propósito, em termos pessoais e também sociais.

Bela Fernandes, professora da Fundação Dom Cabral. Foto: Mariana Aylmer/Divulgação

“Nas startups, o profissional encontra um modo de vida que não privilegia status e benefícios, mas a junção de todas as tribos. É um ambiente no qual a troca de conhecimento é incentivada e é possível aprender algo novo todos os dias, o que eleva a energia pessoal.”

Diretora de transição de carreira e gestão da mudança na consultoria LHH, Irene Azevedoh acrescenta que essa experiência é muito rica e desenvolve uma série de habilidades que, no futuro, poderão ser atraentes às empresas tradicionais. “Mas as perguntas que não querem calar são: essas pessoas vão querer voltar? As empresas tradicionais estarão prontas para receber esses profissionais?”, diz.

Irene Azevedoh, diretora de transição de carreira e gestão da mudança na consultoria LHH. Foto: Helton Carneiro/Divulgação

Com trajetória profissional voltada ao crescimento, eficiência financeira e operacional, o executivo Cláudio Yamaguti iniciou carreira na Credicard, passou pela American Express do Brasil e do México, pelo grupo Prosa S.A. do México, foi presidente do Itaú Unibanco no Paraguai e encerrou carreira presidindo a Redecard, aos 62 anos.

Depois disso, passou a investir em startups, entre elas, a Propz, onde preside o conselho de administração. “Nas startups, encontrei profissionais com muita capacidade de aplicar tecnologia. Eles têm uma forma de raciocinar e de solucionar problemas com agilidade que me deixa surpreso.”

Claudio Yamaguti, sócio investidor da Propz, que usa big data aplicado ao varejo. Foto: Raissa Carvalho/Divulgação

Yamaguti diz que não tem mais interesse em ser executivo. “Não quero ter de cumprir metas e enfrentar burocracias. As startups deixam a burocracia de lado. Na Propz, eu me envolvo em questões de estratégia, crescimento e conquistas. Como conselheiro trago o pessoal mais para a Terra.” Feliz nessa nova fase da vida, Yamaguti diz que o ambiente nas startups é para cima e muito saudável. “Isso me mantém vivo e aceso.”