Antes do compromisso, as referências…
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Antes do compromisso, as referências…

Buscar informações das empresas, dos cargos e das atividades antes da contratação pode livrar profissionais do arrependimento

Claudio Marques

19 de julho de 2014 | 20h59

Aprendizado. Deixar de fazer perguntas durante entrevista já criou problemas para executiva de RH Adriana Pavlakis (Foto: Robson Fernandjes/Estadão)

GUSTAVO COLTRI

Após se desligar do último empregador, há duas semanas, Adriana Pavlakis, de 40 anos, passou a procurar uma nova oportunidade como executiva de recursos humanos focada em desenvolvimento organizacional. Ela agora utiliza o conhecimento que obteve em 21 anos de carreira na área de gestão de pessoas para não cometer erros no processo de recolocação.

“Como tenho contato com muitos headhunters, ligo para as pessoas, peço indicações e referências das empresas” diz. Adriana, que está interessada por empresas familiares em processos de profissionalização, também faz uso da internet para buscar informações a respeito das missões das companhias e não desperdiça as chances que têm nas entrevistas.

“Acho perfeitamente possível perguntar o que a companhia quer melhorar internamente, quais são os valores e a cultura organizacionais, se há perspectivas de crescimento e se há planos para o desenvolvimento de pessoas”, diz. Particularmente, ela valoriza organizações focadas em resultados e com um claro planejamento estratégico.

“Aprendi a nunca deixar de perguntar porque já cometi esse erro. Há quatro anos, aceitei um emprego e não questionei se a empresa estava disposta a investir em pessoas. Mudei de cidade e, ao chegar lá, descobri que tudo era diferente do que eu imaginava. Fiquei um ano na companhia, e foi um período de sacrifício”, conta e executiva, que alerta: “Na ânsia de se colocar rapidamente no mercado, não perguntamos. É preciso saber onde a empresa está hoje, onde quer chegar e em quanto tempo”.

Site permite que funcionários avaliem empregadores

ENTREVISTA: Eduardo Ferraz, autor do livro “Seja a pessoa certa no lugar certo”

Só na prática, todos os detalhes da cultura organizacional, o clima de trabalho e os desafios das funções ficam plenamente claros para os trabalhadores, segundo especialistas em carreiras. Alguns cuidados, no entanto, podem livrar os candidatos de ciladas.

“Primeiro, é importante fazer uma avaliação da empresa, usando a internet. O sites institucionais mostram, além do que as companhias colocam como missão, se elas têm capital aberto ou realizam investimentos. Em jornais online, também há informações atualizadas”, diz o diretor da recrutadora Hays, Rodrigo Soares.

Ele ainda dá destaque para as redes sociais profissionais como instrumentos a favor dos candidatos. “No LinkedIn, por exemplo, você consegue ver o histórico da companhia e o perfil dos profissionais que trabalham nela e saber quanto tempo os trabalhadores atuam lá.”

Abordar executivos nas redes sociais para pedir referências da empresa pode ser um atrevimento excessivo, na opinião da coordenadora do núcleo de pessoas da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Adriana Gomes. Mesmo assim, ela recomenda que os profissionais consultem pessoas conhecidas que estejam envolvidas diretamente com a organização interesse.

“A percepção das pessoas que trabalham ou já trabalharam nas empresas é um fator muito importante. Há até um site, chamado Love Mondays, que permite que os usuários vejam como os funcionários das empresas as avaliam”, diz. Claro que o bom senso, diz a especialista, deve ser um aliado dos trabalhadores em contato com as variadas opiniões. Para saber mais sobre essa ferramenta, clique aqui

Processo seletivo. A entrevista, por sua vez, é o momento em que o candidato pode sanar as demais dúvidas. A diretora da Asap Recruiters, Luana Maluf, diz que os postulantes não podem ter receio de perguntar, afinal, os profissionais não são apenas escolhidos pelos empregadores. Eles também fazem uma opção.

“O ideal é extrair o máximo de informações durante o processo seletivo. É importante pedir para o entrevistador qual é o escopo de atividades previstas para o cargo, quais são os riscos inerentes a esse desafio e o que a empresa espera do novo profissional em contratação.”

Saber também se a função é nova ou se a contratação decorre de uma substituição de pessoal pode dar algumas pistas a respeito dos desejos dos empregadores, segundo ela. “Perguntar mostra que o candidato quer acertar. As empresas valorizam quando a pessoa se mostra atenta aos desafios.”

Pedir informações sobre benefícios, possibilidades de promoção e remuneração também devem fazer parte da entrevista. “As perguntas só não podem ficar restritas a essas questões.”

 

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