Arte e entretenimento ajudam a engajar profissionais e miram produtividade
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Arte e entretenimento ajudam a engajar profissionais e miram produtividade

Por meio de teatro, humor e jogos, empresas como Geek, Humor Lab e Corporativo Encena propõem o desenvolvimento de competências comportamentais em profissionais

Anna Barbosa

07 de março de 2020 | 14h00

Motivar os funcionários é uma busca constante nas empresas. Para aumentar produtividade, as corporações aprimoram o ambiente de trabalho com espaços para massagens, acupuntura, happy hour e até mesmo redes de descanso. Contudo, essa motivação não necessariamente está ligada ao desenvolvimento do profissional. É nesta lacuna entre o entretenimento e a capacitação que surgem empresas como Grupo Geek, Humor Lab e Corporativo Encena, que usam diferentes sistemas lúdicos para aprimorar competências comportamentais de seus colaboradores, beneficiando empresa e profissionais.

“O cérebro humano aprende de duas formas: pela emoção e pela repetição”, diz Sérgio David, psicólogo e fundador do Corporativo Encena, que transporta técnicas de teatro para o mundo corporativo. Sérgio explica que a memória de longo prazo retém mais facilmente aquilo que traz algum impacto. “O que emociona tem maior probabilidade de virar um aprendizado.”

Após 20 anos atuando no ambiente corporativo, Sérgio percebeu que as empresas tinham cada vez mais dificuldade em realizar treinamentos e capacitações, pois os funcionários acreditavam que perderiam tempo para atingir suas metas e que estariam vendo mais do mesmo.

Assim, com intervenções artísticas que trazem conteúdos organizacionais, o Corporativo Encena leva a empresas, como Sebrae-SP e Grupo Makiyama (consultoria de recursos humanos), palestras artísticas que tratam de reflexões do ambiente de trabalho e apresentam novos caminhos para a mudança de comportamento.

O trabalho começa com um briefing dos problemas apresentados pela empresa contratante e, a partir daí, Sérgio desenvolve a palestra orientado por quatro pilares: gerar significado para que as pessoas entendam o objetivo; orientar para que saibam o que fazer; realizar as correções necessárias, de forma não punitiva; e reconhecer e valorizar os resultados, independentemente de quais forem eles.

“Se a intenção é desenvolver, uma única ação não é o suficiente”, explica Sérgio, que além das palestras também atua com workshops e outras ações de longo prazo.

Mary Rodrigues, fundadora da Humor Lab, em uma palestra sobre empoderamento feminino na Mitsui Sumitomo Seguros. Foto: Alex Silva/Estadão

No caso da Humor Lab, a fundadora Mary Rodrigues também encontrou um modo de alterar o ambiente profissional de maneira prazerosa, desvinculando o conceito de bom humor da piada. Em menos de um ano, conta ter impactado mais de 26 mil pessoas, prestando serviços para empresas como iFood, Tim e OLX.

A ideia surgiu depois que Mary teve depressão – doença que afeta 5,8% da população brasileira, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Percebeu que não era a única entre seus colegas que passava por isso. “Mas ninguém falava da doença e, de repente, eles estavam tomando rivotril como se fosse dipirona”, conta. Foi aí que ela decidiu estudar inteligência emocional e fazer o curso A Arte da Felicidade, de Dalai Lama.

Ao entender que esse conhecimento precisava ser passado aos seus amigos que trabalhavam em grandes empresas, resolveu apostar, em 2017, num curso sobre inteligência emocional voltado para o ambiente corporativo, facilitado pela Google no Vale do Silício, o Search Inside Yourself.

Com a Humor Lab, por meio de palestras e treinamentos, o objetivo é ajudar as pessoas a serem quem são de verdade também no ambiente corporativo, trazendo às empresas mais bem-estar e leveza com o humor. “O impacto é humanizar, mas sem deixar de pensar no resultado. O boleto vai continuar chegando e eu só quero que você pague sorrindo”, brinca Mary.

Corporativo Encena em evento aberto para empresas. Foto: Robson de Almeida

Segundo Julia Frazatto, superintendente de RH na Mitsui Sumitomo Seguros, empresa que contratou pela terceira vez o serviço da Humor Lab, a ideia foi bem aceita por lá. “Quanto mais o tempo passa, menos nós queremos uma pessoa (palestrante) que discurse. Cada vez mais queremos pessoas que abram o diálogo”, diz. “É possível ver como eles (funcionários) prestam atenção e se conectam com a mensagem.”

Mary lembra que o bom humor pode reduzir conflitos e ansiedade, intensificar os esforços para a resolução de problemas, além de melhorar a produtividade e o trabalho em equipe. “O humor cria laços mais facilmente. Nós conseguimos nos conectar melhor e isso nos traz segurança para poder errar.”

Permissão para o erro

Não só por expressão da arte e do humor, as habilidades profissionais também podem ser desenvolvidas por meio de jogos. É no que acreditam os fundadores do Grupo Geek, empresa que desenvolve soluções em conteúdo de marca, treinamento e mídia.

A empresa foi fundada por Maury Pereira, professor de ciências sociais, e Tato Tarcan, professor de computação gráfica, que uniram experiências em sala de aula e ambientes corporativos ao fascínio pelo mundo geek para criar o negócio, há dois anos.

Ação promovida pelo Grupo Geek para apresentação de games a novos clientes. Foto: Antonella Vichi

O método de aprimoramento profissional é feito sob medida para a empresa, baseado no briefing do cliente e pensado em conjunto com uma psicóloga. São quatro ferramentas para o game corporativo: aplicativos, que permitem capacitações em qualquer lugar; boardgames, ou jogos de tabuleiros que servem a treinamentos atemporais; scape room, com jogo de enigmas mais usado em processos seletivos; e RPG, com cartas, para treinamentos de grupos.

Com um dia de demonstração gratuita como parte das estratégias de venda, os games corporativos do Geek já alcançaram, segundo os sócios, empresas como Bradesco, Ford, Microsoft e Samsung.

Para eles, o espaço lúdico permite o aprimoramento sem cobrança, já que o erro faz parte do jogo. “Dentro do ambiente lúdico você se permite errar, e isso é o mais importante para o processo de aprendizagem”, diz Maury.

* Estagiária sob a supervisão do editor de Economia, Alexandre Calais

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