Atuação profissional e a Síndrome de Burnout

Os trabalhadores mais suscetíveis de sofrerem desta síndrome seriam aqueles em profissões que exigem envolvimento interpessoal direto e intenso

Claudio Marques

06 de agosto de 2014 | 10h00

Por Juliana Camilo – professora da PUC e psicóloga

Em meu último artigo, falei a respeito das profissões que envolviam significativo risco de morte, mutilação ou incapacidade física. Na coluna de hoje, gostaria de discutir sobre as profissões que envolvem o risco de adoecimento psicológico, especificamente a síndrome de Burnout.

Freudenberger, psicanalista norte-americano, foi o primeiro teórico a descrever esse adoecimento, na década de 1970, para apresentar o que chamou de “síndrome do esgotamento profissional”.

A principal característica é o estresse crônico e o estado de tensão emocional contínuo, provocado por condições desgastantes no trabalho, sejam elas físicas ou psicológicas.

Os trabalhadores mais suscetíveis de sofrerem desta síndrome seriam aqueles em profissões que exigem envolvimento interpessoal direto e intenso. Quando manifesta, se apresenta em três principais sintomas: exaustão emocional, despersonalização (o trabalhador passa a ter um contato frio, impessoal, cínico e irônico com as pessoas receptoras de seu trabalho) e diminuição da realização pessoal ou ineficácia.

Profissionais da educação, saúde, policiais e assistentes sociais são apenas alguns dos que estão sujeitos à síndrome de Burnout.

É interessante notar que quem opta por seguir essas carreiras são quase sempre pessoas idealistas, que tendem a se engajar em suas atividades profissionais, para além dos seus limites físicos, psicológicos e sociais.

O desgaste por constatar que sua tarefa e seu envolvimento com o trabalho não têm o impacto e o retorno esperado (o aprendizado do aluno, a “cura” do paciente, o aumento da criminalidade, a transformação social) podem gradativamente minar não somente o desempenho, como também comprometer a saúde do trabalhador.

Nesses casos, é necessário analisar que a satisfação com o trabalho pode estar para muito além da promoção ou mérito salarial, estando mais vinculado com o sentido que ele possui para o trabalhador.

Se, por um lado, o adoecimento, quando surge, pode ser um bom momento de reflexão individual acerca da carreira escolhida, por outro lado, a organização deve repensar suas práticas para não cair na armadilha de culpar a “fraqueza” do trabalhador.

Envie sua questão sobre carreira ou profissão para empregos.estado@estadao.com

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