Batendo o Ponto: Educação – ciência e filosofia
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Batendo o Ponto: Educação – ciência e filosofia

Para que um jovem seja bem-sucedido na carreira, universidades e empresas devem priorizar, além da formação técnica, o desenvolvimento pessoal de cada aluno ou funcionário 

blogs

02 Novembro 2018 | 13h52

Foto: Pixabay

Marisa Eboli*

 Tem sido uma preocupação recorrente discutir um tema importante: como preparar gente para o mercado que vem por aí frente à transformação digital. Dando continuidade à iniciativa do “1º Encontro de Universidades: acadêmica e corporativa”, foi realizado recentemente em São Paulo o “2º Encontro de Universidades – A sinergia entre a Educação Acadêmica e Corporativa na 4a Revolução Industrial”, uma parceria do Instituto Febraban de Educação – INFI, Fundação Instituto de Administração – FIA e Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP – FEA.

Os principais objetivos definidos quando da idealização deste 2º encontro foram discutir e vivenciar:

Os impactos da 4ª Revolução Industrial no mercado de trabalho e nas diferentes demandas corporativas;
A importância do propósito na definição da estratégia e no desenvolvimento de pessoas;
As diferentes entregas educacionais esperadas pela sociedade em relação a conteúdo, formatos, metodologias, tecnologias e modelos de avaliação;
O uso de metodologias ativas para o debate de ideias e produção de soluções.

Por isso, o crescente impacto da tecnologia no mercado de trabalho e a importância dos projetos de carreira individuais para a gerência de recursos humanos estiveram entre os principais assuntos. O painel de abertura do evento versou sobre “O propósito e o mundo do trabalho” e contou com a presença da Monja Coen Roshi e de Glaucimar Peticov, diretora executiva do Bradesco.  A palestra de encerramento foi  realizada por Fábio Barbosa, sócio-conselheiro do Gávea Investimentos, ex-CEO do Real, Santander, Grupo Abril e ex-presidente da Febraban, e tratou do tema  “O futuro da educação”.

Procurando sempre contemplar os desafios para educação relativos aos aspectos tecnológicos e comportamentais, esse 2º Encontro Universidades abordou:
As novas formas de organização do trabalho (B3, Accenture e Santander)
Competências socioemocionais na educação para o trabalho (Instituto Somos, Banco do Brasil e Brasscom)
Desmistificando a educação a distância (Metodista, Telefônica Educação Digital e Residuall)
Inovação na educação e o mundo do trabalho (FEA e Bradesco)
Liderança em rede (FEA, McDonald’s e FIA)
Novos currículos: metodologias e abordagens (FEA, FGV, Mackenzie e Hospital Israelita Albert Einstein)

Também foram realizadas várias “nano palestras” sobre temas relevantes e atuais como: Programação para não programadores, Gamificação, Tecnologias imersivas na educação, Cultura maker, Neurociência na educação e Teoria U.

Ficou evidente que o novo contexto do mundo do trabalho exigirá uma boa educação, formação técnica e em humanidades e capacidade de aprendizagem constante das pessoas.

Para que um jovem recém-chegado ao mercado de trabalho seja bem-sucedido na carreira, universidades e empresas devem priorizar, além da formação técnica, o desenvolvimento pessoal de cada aluno ou funcionário.

De um lado, conhecimentos e competências técnicas como: analytcs, programação, aplicação de robótica, inteligência artificial, IoT nos negócios, segurança da informação, cultura digital etc. De outro, atitudes e posturas: adaptabilidade, atitude empreendedora, aprendizado contínuo, criatividade, ética, flexibilidade cognitiva, inteligência emocional, propósito, resiliência, valores etc.

Tradicionalmente, esses dois polos sempre existiram: 1) Os cursos curtos e específicos sobre técnicas ou uma formação técnico-científica sólida; 2) Os cursos nas áreas de humanidades e cultura geral. Na minha época de adolescente estudante era a divisão entre optar por ir para o “clássico” ou “científico”.

Impossível não trazer à tona as colocações feitas por C. P. Snow, professor de Cambridge, em seu livro As duas culturas, que discorre acerca da distância cultural entre os dois mundos que frequentava: o da ciência e o da literatura, pois ele era professor de física e também autor de ficção, e constatava que cientistas e escritores pensavam de formas tão radicalmente diferentes que não conseguiam conversar.

Parece, no entanto, que o futuro do trabalho apresenta novas perspectivas para a formação profissional: não se trata mais de vias alternativas e que é preciso escolher entre uma delas. Este configura-se como o maior impasse para o Futuro da Educação: reconciliar esses dois mundos. Preparar pessoas que saibam lidar bem tanto com questões e problemas técnicos como com ambiguidades, julgamentos, valores característicos das humanidades. Não será mais o mundo do “OU” e sim do “E”.

Como o mundo acadêmico e seus professores irão se organizar e preparar para essa nova realidade? E o mundo corporativo e seus executivos? Certamente há muito trabalho pela frente! Que venha o 3º Encontro!

*Especialista em educação corporativa, é professora de graduação e mestrado profissional da Faculdade FIA de Administração de Negócios