Batendo o ponto: numa entrevista de emprego, antecipe argumentos negativos
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Batendo o ponto: numa entrevista de emprego, antecipe argumentos negativos

Para especialista, não adianta tentar esconder buracos no currículo; melhor é antecipar problemas sendo dono do discurso, para minimizar possíveis danos

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08 de abril de 2019 | 11h13

Por Breno Paquelet *

Entrevistas de emprego são momentos críticos em nossas vidas. A ansiedade de saber que teremos nossas experiências e nosso potencial futuro avaliados em um único encontro causa nervosismo e insegurança. Sem falar que é o momento em que precisaremos demonstrar capacidade de nos encaixar em um lugar que ainda não conhecemos bem.

Com as complexidades do mercado atual, os processos seletivos exigem dos candidatos a perfeição que não é encontrada nem entre os melhores profissionais da própria empresa. Não há segunda chance para causar uma boa primeira impressão e sabemos que qualquer deslize pode ser fatal.

A grande questão é que o fato de ficarmos nervosos faz com que nosso cérebro não atue em seu melhor estado de funcionamento. O nível de atividade criativa e intelectual cai. No momento em que mais precisamos de raciocínio claro e rápido, já que em uma hora afetaremos nossos próximos anos, é onde menos podemos contar com ele.

Antecipar os problemas é dica de especialista para candidato dominar situação. FOTO: Tiago Queiroz/Estadão

O reflexo disso é que muitas vezes saímos da entrevista com aquela sensação de que deveríamos ter contado determinado caso, que poderíamos ter respondido a uma pergunta de outra forma ou que esquecemos de mencionar uma importante realização com a qual contribuímos.

Nossos maiores medos nos travam e refletem no nosso comportamento, passando a imagem que não gostaríamos de transmitir. Não somos o que expressamos nesse momento de pressão, mas é por ele que seremos avaliados.

A tendência das pessoas, quando algum ponto da sua argumentação representa vulnerabilidade, é fingir que ela não existe e rezar para o interlocutor não tocar no assunto. Mas, se for uma questão relevante, ela será levantada e você precisará respondê-la, se justificando.

Minha sugestão é: antecipe argumentos negativos, de forma ativa, sendo dono do discurso. Assim você os coloca no contexto correto e minimiza seus efeitos.

“O buraco no currículo está lá. Não há como essa questão ser ignorada pelo entrevistador”

Na prática: uma profissional ficou dois anos fora do mercado após ter o primeiro filho e decide retomar a carreira. Na entrevista, fica insegura por estar enferrujada e reza para as perguntas focarem em experiências passadas. Mas o buraco no currículo está lá. Não há como essa questão ser ignorada pelo entrevistador. E ao ser questionada, toda sua insegurança vem à tona.

Ela pode optar pela estratégia de falar sobre o assunto ativamente: “Para contextualizar meu momento, após oito anos de dedicação intensa em multinacionais, decidi me dedicar à maternidade. Aproveitei os dois anos para me reciclar, estudando bastante. Esse distanciamento me permitiu analisar pontos da minha trajetória e hoje me sinto uma profissional muito mais completa do que antes”.

Isso certamente fará com que a questão seja analisada de outra forma.

* Especialista  em negociações estratégicas pela Harvard Business School, com educação executiva em Estratégia Empresarial no Massachusetts Institute of Technology (MIT). É professor do MBA em Gestão Empreendedora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e professor convidado da Casa do Saber/RJ. (breno@bpaquelet.com)