Batendo o ponto: os aprendizados do Oscar para a educação corporativa
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Batendo o ponto: os aprendizados do Oscar para a educação corporativa

Se educar é contar estórias, os filmes têm poder completo de narrativa e alavancam a análise crítica, diz especialista em educação corporativa em artigo

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01 de abril de 2019 | 16h50

Por Marisa Eboli *

Sempre me questionam: filmes podem de fato ser utilizados na educação corporativa? E insistentemente respondemos: não só podem como devem! E não apenas na educação corporativa; na educação de modo geral.

Educar é contar estórias! Filmes têm o poder completo da narrativa pois, além do contexto do enredo, têm a roteirização, a dramaturgia, a trilha sonora, a fotografia, os recursos técnicos de modo geral e são estrelados por ótimos atores (na maioria das vezes) que os tornam tão envolventes e emocionantes. Por isso as pessoas aprendem muito com filmes, pois aprendem muito mais pela emoção do que pela razão!

A sétima arte não é apenas um belo entretenimento. Vai muito além: alavanca capacidade crítica, reflexiva, filosófica e até mesmo estética. Quando integrados com bons livros, então, é a combinação perfeita! Permitem uma profunda e eficaz reflexão sobre a temática em questão.

Nessa 91ª edição da Academy Awards, mais conhecida como o Oscar 2019, diversos vencedores mostram-nos como discutir temas profundos. A partir dos oito indicados na categoria de melhor filme podemos identificar as vertentes predominantes neste ano: política & politicagem, preconceito, segregação, gestão de conflitos, empoderamento feminino, diversidade, tolerância, carreira & talento, inovação etc.

Viggo Mortensen e Mahershala Ali em ‘Green Book’, longa que ganhou Oscar de melhor filme em 2019. Foto: Patti Perret/Universal Pictures/AP

Green Book: O Guia levou três estatuetas: melhor filme, melhor ator coadjuvante (Mahershala Ali) e melhor roteiro original. Baseado em história real, o filme aborda a viagem do pianista Don Shirley (Mahershala Ali) e de seu motorista Tony Vallelonga (Viggo Mortensen) pelo sul dos EUA durante os anos de segregação racial. Shirley é um músico sofisticado, Vallelonga é um italiano “bronco” e preconceituoso. A partir das experiências vividas, além da improvável amizade, o processo de evolução pessoal dos dois é inquestionável.

O grande vencedor foi Bohemian Rhapsody, em quatro categorias: melhor montagem, melhor edição de som, melhor mixagem de som e melhor ator, para Rami Malek. Embora o foco seja a vida e a trajetória (pessoal e profissional) do vocalista da banda Queen, Freddie Mercury, o filme mostra com maestria as relações entre os membros da banda, seu processo criativo e inovador, sempre com foco do cliente.

O prêmio de melhor direção foi para o mexicano Alfonso Cuáron, pelo filme Roma. O relato sobre o México dos anos 1970 realizado por Cuarón foi inspirado na infância do diretor e trata da história de Cleo, uma empregada doméstica que trabalha para uma família de classe média, e destaca de forma muito emocionante as desigualdades sociais e raciais.

Infiltrado na Klan, que ganhou o prêmio de melhor roteiro adaptado, mostra a história verdadeira de Ron Stallworth (John David Washington), que se passa nos anos 1970, o primeiro policial negro a conseguir se infiltrar na Ku Klux Klan. Séria crítica social e ao mesmo tempo leve e bem-humorado, nem por isso deixa de “incomodar” os pensamentos do espectador.

Sem a pretensão de esgotar todos os filmes premiados e o potencial de aprendizagem que eles oferecem, de modo geral esses filmes são muito indicados para se trabalhar, em complementaridade a outros tipos de soluções educacionais, as chamadas trilhas focadas em competências.

Ao assistir a um filme também com o objetivo de trilhar desenvolvimento de competências, vale a pena você refletir sobre os seguintes pontos ao final da sessão:

• Procure entender o contexto social, político e econômico em que se passa a trama
• Quais as principais incertezas, desafios e complexidade enfrentados na situação?
• O que foi mais importante para o sucesso (ou não) dos impasses vividos pelo personagem principal?
• Quais os principais conceitos aplicáveis para analisar o enredo?
• Quais são as principais lições que você extrai desta história?

Os filmes inspiram, emocionam, comovem e fazem-nos refletir. Ao mesmo tempo em que são entretenimento e diversão, também são aprendizado e amadurecimento intelectual, por isso a sétima arte é tão genial. Vale a pena conferir!

* Marisa Eboli, especialista em educação corporativa, é professora da graduação e do mestrado profissional da Faculdade FIA de Administração de Negócios (meboli@usp.br)