Chefe injusto e grosseiro: ‘Ser idiota não é ilegal’
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Chefe injusto e grosseiro: ‘Ser idiota não é ilegal’

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10 Agosto 2018 | 13h23

Foto: Pixabay

The New York Times

“Tenho um novo chefe que é injusto e grosseiro com todo mundo. Será que, em tese, ele pode me demitir porque não gosta de mim? E, se demitir, que medidas legais posso tomar?”
Anônimo

Rob Walker, o ‘workologista’, responde:

Pela lei americana, se você não tiver um contrato que diga o contrário, ele pode, sim, demiti-lo por não gostar de você – por seu corte de cabelo ou sem qualquer razão específica. E, pela lei, provavelmente você não pode fazer nada a respeito.

É claro que existem leis para punir ou impedir discriminação – por raça, gênero, deficiência física. Mas, como diz Laura Beth Nielsen, professora de sociologia na Northwestern University e pesquisadora da ONG American Bar Foundation, “ser idiota não é ilegal”.

Vale a pena ampliar um pouco esse ponto, porque a Coluna sabe de muitos leitores que parecem acreditar que a lei pode resolver qualquer problema trabalhista. Laura, coautora do livro Rights on Trial, sobre discriminação no local de trabalho, diz que suas pesquisas constataram isso.

Ilustração: Gracia Lam / The New York Times

“Advogados dizem que a coisa mais importante que as pessoas comuns ignoram sobre as leis”, ensina ela, “é que todos têm o direito de não ser discriminado no trabalho, mas um local de trabalho não tem de ser, por lei, necessariamente justo.”

Reação pode focar nas políticas da empresa

Dependendo de detalhes de seu emprego, você tem algumas opções. Se seu chefe violar especificamente políticas da empresa, ou cláusulas do contrato de trabalho, você pode focar sua reação nisso. Um manual de normas de empresa que detalhe o comportamento esperado de um funcionário também deve detalhar procedimentos a serem seguidos pela administração. Assim, talvez possa ir atrás de seus direitos dentro da própria empresa, sem ter de recorrer aos tribunais.

Mas pense nisso em termos da empresa, não no que você considera “justo”. Argumentar com base nos interesses da empresa geralmente é a estratégia mais eficaz, segundo Laura. Você pode alegar, por exemplo, que como não está sendo tratado com justiça, certas aptidões suas que poderiam trazer lucros para a empresa estão sendo ignoradas.

Procure conhecer as expectativas do chefe

Lidar com um novo chefe pode ser particularmente difícil, diz Laura. Funcionários costumam resistir a mudanças, enquanto o novo chefe quer consolidar posição mostrando serviço. Procure conhecer logo quais são as expectativas dele.
Mesmo que você acredite estar sendo vítima de discriminação, processar a empresa não é um caminho fácil. Discriminação é algo difícil de se provar. Além disso, as empresas têm muito mais recursos para enfrentar um processo que os empregados.

E mesmo empregados que ganham causas podem não ficar satisfeitos. Talvez esperassem receber mais dinheiro – ou talvez só o que desejassem fosse ter seu emprego de volta, o que uma ação legal torna quase impossível.
Então, o funcionário não deve nunca recorrer à Justiça? É claro que deve. Correr atrás dos direitos é justo e necessário. Mas se você pretende levar seu caso aos tribunais, precisa estar consciente do que vai enfrentar.