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Combo bem-estar eleva produtividade

Com equipes enxutas e pressão por resultados, profissionais aumentam a busca por atividades físicas e mentais contra estresse e frustração

CRIS OLIVETTE

27 Maio 2018 | 07h12

Juliana Ferreira. Foto: Pedro Moleiro

Ter uma formação sólida e fazer especializações pode não ser suficiente para que os profissionais alcancem bom desempenho e alta produtividade. Com equipes menores e metas maiores, muitas pessoas decidiram fortalecer o corpo e a mente buscando elevar a performance. Vale tudo, como praticar vários esportes, meditar e ainda estudar programação neurolinguística.

Engenheira de produção e gerente sênior de projetos estratégicos da plataforma de investimentos Easynvest, Juliana Ferreira, de 28 anos, faz um combo completo para cuidar do corpo e da mente: corre, pedala, nada, pratica ioga, exercícios de respiração e meditação, além de ter se tornado vegetariana.

Segundo ela, o ponto da virada ocorreu em 2013. “Trabalhava em uma consultoria estratégica e percebi que meus colegas e eu estávamos passando por um pico de estresse, então, resolvemos fazer aula experimental de meditação e achamos muito bom.”

Desde então, a jovem fez vários cursos para se manter produtiva e saudável. “Aprendi técnicas que me ajudam a lidar com a correria do dia a dia. Foi gritante a mudança em relação à qualidade de vida, produtividade e qualidade do sono. Agora, consigo me organizar, fazer tudo o que preciso e ter energia para lidar com as demandas do trabalho e da vida pessoal, com equilíbrio, sem estresse.”

Na Easynvest, onde trabalha há um ano, ela está introduzindo a meditação entre os colegas, com os quais realiza exercícios semanais. “Quero que todos sintam esses benefícios. Também recomendo o uso de um aplicativo (Sattva) para que possam praticar em casa.”

Segundo o diretor da divisão de RH da recrutadora Talenses, Alexandre Benedetti, é perceptível o aumento da busca por terapias alternativas entre os profissionais. “É extremamente válido, afinal, estão procurando obter equilíbrio e autoconhecimento. Profissionais que conhecem suas fraquezas e fortalezas entendem seus limites e habilidades, lidando melhor com a frustração cotidiana, maximizando resultados e produtividade”, afirma.

Para Benedetti, a busca por autoconhecimento e equilíbrio emocional contribuem para o bom rendimento no trabalho. “Em 2017, uma pesquisa realizada com 955 profissionais mostrou que 71% disseram que o estresse interfere na capacidade de produção.” Conforme o cargo, diz Benedetti, a inteligência emocional é ainda mais importante que o quociente intelectual. “Apenas com o emocional fortalecido é possível lidar com crises e conquistar resultados positivos.”

Nayana Rizzo. Foto: Guto Fonseca

Há oito anos, justamente quando sua carreira na área de relações governamentais e institucionais estava em plena ascensão, Nayana Rizzo percebeu que precisava de ajuda para reduzir a pressão e obter equilíbrio.

“Tinha uma vida profissional acelerada e, ao mesmo tempo, a minha vida pessoal passava por estresse, porque meu pai havia adoecido e eu precisava acompanhá-lo no tratamento. Foi quando adotei um conjunto de práticas que inclui corrida, musculação, ginástica, ioga e meditação. As atividades me proporcionaram equilíbrio entre corpo, mente e espírito.”

Ela diz que depois disso conseguiu estar completamente presente quando estava com o pai e ser produtiva na atuação profissional. “Eu compreendi que a prática meditativa e de autoconhecimento me deixam centrada, com foco e equilíbrio necessários para cada situação do dia a dia.”
Nayana afirma que o resultado positivo foi tão perceptível que amigos e colegas de trabalho também passaram a meditar e levaram o hábito para os seus familiares.

Psicólogo de formação, Tiago Freitas Beltran trabalhava em uma imobiliária quando decidiu fazer Programação Neurolinguística (PNL). “Eu queria me profissionalizar na área de vendas. Durante o curso, passei por muitas mudanças pessoais e de visão de mundo. Por isso, quando fundei uma empresa de treinamento na área de vendas, há um ano, uso a PNL para capacitar os alunos”, conta.

Um dos fundadores da Ápice Desenvolvimento Humano, Plínio de Souza, diz que a PNL ajuda os profissionais porque melhora significativamente a empatia, a comunicação e os relacionamentos. “Por meio da autoaplicação destas técnicas, é possível obter equilíbrio e desempenho, mesmo em situações de caos.”