Como buscar (e conseguir) a sua próxima vaga de emprego

Como buscar (e conseguir) a sua próxima vaga de emprego

Já parou para pensar que fazemos escolhas o tempo todo? Na sua carreira não pode ser diferente; boas escolhas podem facilitar que você alcance seus objetivos

Tiago Mavichian*

21 de junho de 2022 | 11h00

Se você está procurando trabalho, imagino que já tenha “dado um Google” para descobrir quais empresas estão com oportunidades abertas. Também acredito que siga perfis de vagas em redes sociais e acompanhe algumas hashtags. E aí, diante das opções que aparecem, você fica sem saber o que fazer. Acertei?

Se está no começo de carreira, a coisa fica mais confusa ainda. Será que é melhor atirar para todos os lados, inscrevendo-se em todas as vagas? Ou vale mais a pena apostar apenas em empresas conhecidas? É uma boa ideia tentar algo pontual e menos concorrido? Qual organização oferece chances maiores de efetivação?

É natural ter essas dúvidas durante a busca por um emprego — e, no processo seletivo, muitas outras vão surgir! O lado positivo é que com estratégia, autoconhecimento e escolhas conscientes, dá para descomplicar essa fase da carreira, construindo uma trajetória profissional de realizações e aprendizados.

Neste artigo, listo algumas dicas que considero fundamentais para chegar lá.

Escolha a empresa para trabalhar

É isso mesmo que você leu. Não é a empresa que escolhe você, é você que decide trabalhar nela. Como assim? Calma, eu explico.

Não adianta uma empresa ter uma oportunidade se ela não funciona para você. Por isso, é essencial fazer boas escolhas desde a etapa de inscrição. Para começar, veja se você atende aos requisitos básicos da vaga. No caso de estágio, por exemplo, curso de graduação, idiomas e localidade (em vagas presenciais ou híbridas). Pode parecer óbvio, mas, na ânsia de conseguir um trabalho, muitos candidatos se esquecem de observar o básico.

Se você estiver nos primeiros anos da faculdade, o número de vagas é menor. Sugiro, então, que aproveite essa fase para desenvolver conhecimentos e competências valorizadas. Uma boa dica é olhar anúncios de vagas na sua área e ver o que é mais pedido. Faça cursos, estude idiomas, participe de atividades acadêmicas, dê aulas para crianças numa ONG, pratique esportes etc. Ou seja, busque formas de ganhar experiência e tornar seu perfil mais interessante.

Além disso, descubra qual é o modelo de trabalho dessa oportunidade. Se for presencial ou híbrido, calcule o seu tempo de deslocamento do escritório até a faculdade e sua residência. Em um ambiente de crescente preocupação com equilíbrio entre vida pessoal e profissional, garantir aspectos de qualidade de vida com deslocamentos viáveis passou a ser um ponto observado pelas empresas.

No estágio, a busca pela efetivação se dá no dia a dia de atuação na empresa. Foto: Unsplash/@brookecagle

Leve isso em consideração também. Acesse o site institucional da empresa, analise posts nas redes sociais, leia comentários e veja se você se identifica com o jeito da empresa e com seus valores. Dê uma de curioso mesmo. Gostou do que viu e já se imaginou trabalhando lá? Ótimo, então se candidate!

Importante: nessa hora, lembre-se de elaborar o currículo e preencher o formulário online com base em palavras-chaves que vão chamar a atenção dos recrutadores. Se procura por uma posição para área de negócios, insira o nome de ferramentas como ”Power BI” (isso se tiver algum conhecimento na ferramenta, claro).

Caso não se identifique com a função, não esteja satisfeito com o salário, considere os benefícios aquém do esperado ou simplesmente não se encante pelo segmento, siga procurando. Se for viável, é melhor insistir em algo que faça mais sentido do que ser aprovado e frustrar-se depois.

Mesmo que o processo seletivo tenha games, você não é um avatar

Antes da pandemia, a maioria dos processos seletivos tinha etapas presenciais para avaliar as habilidades comportamentais dos candidatos. Entrevistas e dinâmicas de grupo tiravam o sono dos candidatos. Essas etapas não deixaram de existir, mas ganharam formatos mais atuais.

As empresas estão investindo na tecnologia para tornar a experiência dos candidatos mais interessante. O Zoom, o Teams ou o Meet, por exemplo, são ferramentas de vídeo que permitem que o recrutador distribua os candidatos em salas virtuais para realizar atividades em grupos.

Nos processos seletivos que acompanho, tenho visto cada vez mais as empresas apostando em games. São jogos repletos de aspectos lúdicos que desafiam os candidatos a cumprir uma missão ou participar de uma competição. Nesses processos, os participantes — em grupo ou sozinhos — precisam desvendar enigmas e passar de fases.

Há organizações que já deram os primeiros passos em processos seletivos no metaverso também. Com óculos de realidade virtual, os candidatos fazem uma imersão colaborativa na qual interagem com outros candidatos. A sensação é que as pessoas estão realmente do seu lado. Você ouve até as vozes se afastando quando elas saem de perto. É bem divertido!

Como pode se preparar para todas essas vivências online? Da mesma forma que faz em etapas presenciais! Estude a empresa, avalie quais são as habilidades que possivelmente serão analisadas no processo seletivo. Se é uma empresa que valoriza questões de sustentabilidade, busque ser coerente com isso. Se é uma empresa conectada com causas sociais, considere esse fator. E assim por diante.

Só não se esqueça que é um jogo que vale um emprego, então, mantenha a mesma postura que teria num dia de trabalho.

Na mesma linha, não é porque sua participação acontece por meio de avatares, que você pode virar outra pessoa. O recrutador irá avaliar, tanto em etapas presenciais quanto virtuais, as mesmas coisas: sua reação sob pressão, sua capacidade de escutar, sua agilidade para organizar ideias, seu ímpeto em colaborar e sua capacidade de comunicação. E, como é treinado para isso, ele percebe com facilidade quando um candidato está sendo autêntico (ou não). Por isso, não incorpore um personagem nem tente manipular o jogo.

Batalhe pela efetivação

Agora, quero dar outra dica importante: a postura que você tem durante um processo seletivo faz você ser contratado, porém, não garante sua efetivação ao término do programa de estágio.

Se você quer se tornar um funcionário fixo da empresa, invista no seu desenvolvimento pessoal. Preocupe-se com a qualidade das entregas, tenha disponibilidade para ajudar colegas de equipe e expanda sua atuação dentro da companhia.

A maioria dos programas de estágio têm um plano de desenvolvimento que contempla feedbacks periódicos. Ouça-os com atenção. Eles sempre trazem dicas sobre o que precisamos aprimorar e qual caminho podemos seguir.

E deixe que a empresa saiba que você está se esforçando, deseja crescer e se desenvolver ainda mais ali. Eu poderia dar muitos exemplos de como fazer isso, mas vou contar um bem simples. Eu gosto quando alguém da minha equipe vem comentar que leu algo legal num livro, contar que está fazendo um curso que vai facilitar seu dia a dia ou expressar interesse em trabalhar numa área específica do negócio. Alguns chamam isso de marketing pessoal. Deixe seu líder saber de você e veja a diferença que isso fará.

*Tiago Mavichian é CEO e Fundador da Companhia de Estágios, uma das principais empresas de recrutamento e seleção de estagiários, trainees e jovem aprendiz

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