Como pedir aumento a um chefe que se finge de morto
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Como pedir aumento a um chefe que se finge de morto

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05 Setembro 2018 | 06h57

Foto: Pixabay

The New York Times

Saí da faculdade há dois anos e desde então trabalho na mesma empresa. Quando comecei, avisaram-me que o salário era inegociável: todos os iniciantes ganhavam na mesma faixa. Como o trabalho era muito, passei a fazer regularmente horas extras, o que aumentava meu ordenado em cerca de 15%.

Logo fui promovido (normalmente, isso leva dois anos) e ganhei um aumento, mas perdi as horas extras. Fui discutir o caso com minha chefe, com a gerência e com os recursos humanos. Todos me disseram que nada poderia ser feito no momento, mas poderia haver uma renegociação a partir do ano seguinte caso eu me saísse bem na próxima avaliação de desempenho.

Passei pela avaliação e obtive pontuação máxima, mas então minha chefe disse que não tinha informações sobre pagamentos, que ela não era a pessoa certa para tratar do assunto. Fiquei com a impressão de que a empresa não quer negociar ou mesmo discutir salários. É assim mesmo ou será que não entendi alguma coisa? H.M.

Rob Walker, o ‘workologista’ responde:

É realmente frustrante, e é estranho sua chefe dizer que não é com ela. Você não está tratando de nada esotérico, mas pura e simplesmente de salário, o que é, sim, da alçada dela.

Falei a respeito com Daniel Shapiro, fundador e diretor do Programa Internacional de Negociação de Harvard.
Seu primeiro passo é obter mais informações. Shapiro sugeriu que você marque uma entrevista com alguém de recursos humanos. Deixe claro que você quer apenas se informar, quer que alguém lhe explique o sistema de compensações da empresa, como os empregados são avaliados e quais são as oportunidades de subir na carreira e ganhar mais, agora e no futuro.

“Dá para se descobrir muitas coisas numa reunião dessas”, disse Shapiro. Talvez sua chefe não esteja mostrando o quadro completo, ou talvez a explicação seja mais inocente, como a de os salários iniciais não são negociáveis, porque a empresa paga aos novos empregados mais que as concorrentes.

“Converse com colegas de confiança para saber se eles passaram pelo mesmo problema”, aconselhou Shapiro. “Em seguida, faça algumas pesquisas. Procure saber quanto as empresas concorrentes pagam a funcionários de nível equivalente ao seu.”

“Quando tiver essas informações em mãos”, continuou Shapiro, “marque uma conversação separada com a pessoa que realmente decide sobre salários – e seja criativo. É possível ganhar um bônus? Ter mais folgas? Ter mais benefícios? Conseguir um aumento salarial atrelado a determinadas metas, num período definido?”

“As pessoas tendem a ver negociação como um jogo em que alguém sai necessariamente perdendo”, disse o especialista. “Procure mudar a natureza da negociação, transformando-a em colaboração. Tente mostrar que você está empenhado em encontrar uma solução justa. Saliente que você está ganhando x, mas, pelas razões que acabou de apresentar, poderia bem ganhar y. Pergunte o que o representante da empresa sugere que você faça.”

A ideia, segundo Shapiro,  “é tornar o empregador um aliado“. Ao mesmo tempo, talvez seja hora de começar a pensar no que fazer se a empresa se mantiver decididamente intransigente. A menos que você esteja disposto a aceitar ganhar menos do que acha que merece, é bom ir pensando em outras opções.

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