Confiança, uma arma contra a burocracia e a favor da eficiência
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Confiança, uma arma contra a burocracia e a favor da eficiência

Quando há mais confiança, há menos gasto em serviços que não agregam valor, como cartórios, juros, segurança privada e burocracia em geral, diz especialista em artigo

Daniel Costa

28 de maio de 2019 | 11h26

Você já se perguntou por que as pessoas colaboram? Colaborar é uma tendência natural, com base na empatia, mas se amplifica na escassez. Quando temos interesses em comum, com recursos insuficientes, nos tornamos predispostos a trabalhar juntos. Pelo menos em tese. Tem um elemento fundamental nessa equação que nem sempre existe entre as pessoas: confiança.

A verdadeira colaboração só acontece quando, por mais solidárias que sejam às dores alheias, o nível de confiança entre as pessoas é alto o suficiente para compartilharem os poucos recursos e cooperarem para aumentá-los. Quando desconfiam umas das outras, as pessoas querem os recursos apenas para si e trabalham pela própria prosperidade. Aí surge a competição.

Nas nações, confiança é fator determinante da prosperidade e do desenvolvimento humano e sua falta é uma sentença ao subdesenvolvimento e à desigualdade social. Pesquisas comprovam que existe uma correlação direta entre o índice de confiança dos cidadãos com suas instituições, com o IDH e com o nível de felicidade dos habitantes de um país. Os suecos, noruegueses, canadenses, neozelandeses e suíços estão no topo dos três rankings. Já o Brasil há anos está pela 70ª posição.

Atividades burocráticas são o primeiro item eliminado por líderes que criam colaboração a partir da confiança. Foto: Mariann Szoke/Pixabay

Agora leve este raciocínio para as empresas. Nelas a confiança é argamassa das relações e mantém as equipes unidas. O ponto é: aquilo que vale para uma nação, vale para a microeconomia de uma organização, cujos alicerces de gestão ainda se fundamentam no controle e na burocracia. Por anos foi assim e agora sofremos para mudar este mindset. Tudo o que uma empresa precisa para prosperar ao estilo e ao ritmo escandinavos é mais confiança e por isso precisamos combater o “jeitinho brasileiro”.

A explicação é simples. Quando há mais confiança, há menos gasto em serviços que não agregam valor, como cartórios, juros, controles, segurança privada e burocracia em geral. Nosso País gasta cerca de 3% do PIB para alimentar a burocracia. Se isso fosse revertido em percentual de crescimento, teria feito o Brasil crescer com taxas chinesas nas últimas décadas.

Aprendemos a criar dificuldades para vender facilidades. Prática que percebemos não apenas nos muitos protocolos e assinaturas, como também nas atitudes protetivas, como o “me manda um e-mail formalizando?”, que só alimenta a sensação de que as pessoas não confiam umas nas outras.

Nossa esperança é que pessoas inteligentes não toleram burocracia e são essas pessoas que estão liderando a transformação digital e criando organizações exponenciais. Líderes que criam colaboração verdadeira a partir da confiança, eliminando toda atividade burocrática que possa consumir tempo e energia dos seus colaboradores. Essas empresas ganham mais porque perdem menos.

A grande transformação está em resgatar a confiança, através do valor da palavra e da honestidade

Se confiança é o objetivo, também é a arma contra o jeitinho brasileiro. Isso aprendi com Seu Beto de Porto Belo (SC), dono de um restaurante onde ninguém fica na fila da balança para pesar os pratos. É o próprio cliente quem pesa, anota o valor, pega sua bebida e usa uma calculadora e maquininha de cartões para pagar. Se for em dinheiro, põe no caixa e faz seu troco. A propósito: o faturamento do restaurante aumentou.

Isso me fez lembrar também quando certa vez perguntei ao meu pai como ele conseguia trabalhar antes do e-mail e do celular. A resposta foi que antigamente a palavra valia alguma coisa. É verdade. A grande transformação está em resgatar a confiança, através do valor da palavra e da honestidade. Essa é a melhor forma de derrotarmos o jeitinho e aumentar a eficiência de nossas empresas.

* Daniel Costa é head de CSI (Customer Success Intelligence) & Marketing do grupo BWG, com 20 anos de experiência em comunicação corporativa e endomarketing. Fundou a agência de endomarketing Santo de Casa e atuou como executivo em grandes empresas, como Xerox e Claro. 

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