Depois da crise, quem oferecerá o melhor emprego?

Depois do furacão, a reconstrução da economia quase sempre gera áreas novas com boa oferta de empregos

Claudio Marques

16 de julho de 2014 | 10h00

Leonardo Trevisan – professor da PUC

Crises não são eternas. Só que depois delas, a vida fica diferente. Principalmente, quanto a oferta de emprego. Alguns setores perdem mais do que outros com a crise. Depois do furacão, a reconstrução da economia quase sempre gera áreas novas com boa oferta de empregos.

A economia dos EUA, em crise desde 2008, há dois anos começou a melhorar. Portanto, já é possível ver quais setores perderam muitos empregos e quais setores, bem novos, oferecem boas oportunidades.

Países têm desenvolvimentos diferentes, mas o que acontece na 1a. economia do planeta é sempre referência. Com a globalização essa referência vira modelo. Algumas constatações interessam nesse “modelo”. A construção civil, motor da economia americana, hoje emprega 2 milhões de trabalhadores a menos do que em 2008. O setor industrial encolheu  (salários médios caíram para US$ 51 mil/ano) e as fábricas americanas empregam 1,7 milhão de pessoas (8,7% do total) a menos do que em 2008.

Mas, se construção civil e indústria perderam força, como a economia americana se recuperou, com o desemprego caindo para 6,1% em junho, a menor taxa em 6 anos? Matéria do The New York Times (The Nation’s Economy, this side of the recession), de Alicia Parlapiano e Shaila Dewan, mostrou que o emprego cresceu muito no setor de serviços. Em especial, fast food, loja de conveniência  e cuidados em saúde. Os salários são baixos, mas a oferta de trabalho aumentou.

Neste caso, onde estão os melhores empregos que empurraram a economia americana para cima? Estão nos setores novos, energia e novas tecnologias. A nova matriz energética (gás de xisto) gerou 25% a mais de empregos novos na área entre 2008 e 2013.

Agora o “filé” do emprego nos EUA está em outro lugar: empresas que usam internet ou, apenas, geram prestação de serviço em torno de “motores de busca”, estilo Google. Este setor expandiu em média 60% ao ano a oferta de trabalho desde 2010. Aqui estão os bons salários, na faixa média de US$ 90 mil/ano.

Este “modelo” pode não estar distante da realidade brasileira. Estudo de Jorge Arbache (da UnB), no seminário “Indústria e desenvolvimento produtivo no Brasil” organizado pela FGV em maio, mostrou que criação de riqueza, de novos empregos, está na área de serviços, no “ante e no pós-produção industrial”. Afinal, um iPad é 93% serviços… Sem dúvida, o futuro do emprego mudou. Como a recuperação americana começa a mostrar.

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