É possível (re)começar mesmo após os 50 anos
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É possível (re)começar mesmo após os 50 anos

Por meio de sites de vagas ou programas institucionais, a carreira dos maduros recebe estímulos

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13 Janeiro 2019 | 06h00

Érika Motoda
ESPECIAL PARA O ESTADO

“Estou fazendo uma reestruturação na empresa. Preciso te demitir para colocar outra pessoa em seu lugar.” Foi assim que Raquel Maria de Camargo Oni, então com 49 anos, foi desligada, no ano passado, da empresa na qual trabalhava desde 2014.

Pós-graduada em controladoria e com MBA em gestão tributária, após a demissão, Raquel cadastrou seu currículo em sites de divulgação de vagas de emprego. Mas não obteve o retorno esperado. Ela considera que preenchia os requisitos necessários para as vagas às quais se candidatava, mas não era chamada para entrevistas ou recebia retornos negativos dos contratantes.

“Não existia um motivo justificável. Comecei a perceber que, apesar de não ser dito abertamente, a minha idade começou a pesar contra”, acredita Raquel.

Raquel Oni conseguiu recolocação por meio de site específico para profissionais ‘maturis’. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) referente ao terceiro trimestre de 2018, mais de 12 milhões de pessoas estão desocupadas no País. Dessas, 22% têm entre 40 e 50 anos; e quase 3% têm acima de 60 anos.

Mas, se há empresas que fecham as portas para profissionais maduros por acreditarem em uma suposta defasagem em relação aos recém-formados, há quem os procure justamente por achar que eles transmitem mais tranquilidade e confiança no dia a dia.

Foi na MaturiJobs, plataforma que reúne apenas vagas para profissionais acima dos 50 anos, que Raquel encontrou a posição para analista financeiro administrativo na ONG Instituto de Cidadania Empresarial (ICE), função que exerce há três meses.

“A diversidade etária é tão importante quanto as outras. Se todas as pessoas da equipe são jovens, elas podem pensar da mesma maneira”, acredita o CEO da MaturiJobs, Mórris Litvak.

Segundo a professora do curso de pós-graduação em gestão de pessoas da FAAP, Claudia Carraro, as empresas buscam profissionais que aliem conhecimento técnico com inteligência socioemocional, que recebem bem os feedbacks, têm autocontrole diante de situações desfavoráveis e sabem dizer ‘não’, além de cultivar bom relacionamento com os colegas. E os profissionais ‘maturis’ podem trazer essas habilidades na bagagem, após anos de carreira.

Foi em busca de um time com estas competências que a Go Ahead, empresa especializada em desenvolvimento de líderes de venda, investiu na contratação de consultores com idade entre 40 e 59 anos.

É preciso ter olhar humano. A experiência é capaz de antecipar situações difíceis. E isso não se encontra nem na tecnologia, nem no método”, pontua a CEO da Go Ahead, Tatiana Vidal.
Como carregam anos de experiência, antes de saírem a campo, os consultores passam por um treinamento para se alinharem com a metodologia da empresa, assim evitam vícios de trabalhos antigos.

Institucional. Existem empresas que possuem projetos específicos para contratação de profissionais acima dos 50 anos.

A multinacional do ramo de alimentos e bebidas PepsiCo criou o programa Golden Years, implementado desde 2016 de forma gradual em todas as unidades da multinacional localizadas na América Latina. Para participar do projeto, não é preciso ter formação em cursos técnico ou de ensino superior.

No Brasil, foram contratados 80 funcionários na área de operações oriundos do projeto, com distribuição de 73% homens e 27% mulheres.