Eficiência alemã, calor tupiniquim

Eficiência alemã, calor tupiniquim

Gestor está há quatro anos na capital paulista

Claudio Marques

27 de julho de 2014 | 10h00

GUSTAVO COLTRI

Se muitos brasileiros buscam oportunidades fora dos limites territoriais nacionais, o alemão Malte Huffmann encontrou no nosso País a chance de se tornar empresário.

Ele se mudou no fim de 2010 para a cidade de São Paulo, onde ajudou a fundar o e-commerce de moda Dafiti. Desde então, surpreendeu-se como o caráter amistoso dos brasileiros pode fazer a diferença na produtividade.

“A cultura brasileira é muito aberta. As pessoas se tornam amigas em muito pouco tempo, as reuniões são bastante informais e, se você encontra uma fornecedora, é normal cumprimentar a pessoa com um beijo. Me surpreende como esse contato cria uma criatividade maior no trabalho”, diz.

             Huffmann. Brasileiro não lida bem com feedback sincero (Foto: Divulgação)

Huffmann não sabia falar por português quando chegou ao País. E, nos primeiros meses em que viveu aqui, precisava fazer reuniões em inglês e, por isso, sentia uma barreira para se integrar perfeitamente à cultura local. Hoje, ele é fluente no idioma e, sempre que pode, procura se manter atualizado dos nossos temas. “É importante assistir à TV, participar de clubes, saber dos times de futebol para ter assunto nas conversas.”

Na rotina de trabalho na Dafiti, ele acredita que a cultura alemã ajude a complementar o bom ambiente corporativo tupiniquim, especialmente por meio da organização e do foco nos processos – a companhia tem como fundadores, além de Malte, outro alemão, um francês e um brasileiro que, por anos, viveu na Alemanha.

“Temos dois valores muito importantes para os nossos funcionários: o primeiro deles é promover uma comunicação interna muito sincera; o segundo é ter um senso de urgência, de as pessoas se sentirem donas do que fazem”, conta.

No momento de dar feedbacks muitos sinceros é que surgem os principais desafios no relacionamento com os brasileiros, segundo o gestor alemão. “As pessoas não lidam muito bem e são um pouco mais exageradas. No Brasil, procuro usar palavras mais bonitas do que faria se estivesse na Alemanha.”

Essa não é a primeira vez que Huffmann está fora de sua zona de conforto. Antes de chegar ao País, el e já havia passado temporadas nos Estados Unidos e na França. “Para mim, cada lugar pelo qual passei foi uma experiência muito rica. É um aprendizado para aceitar as diferenças e se adaptar.”

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