Empatia e apelo às emoções podem dar graça às apresentações corporativas

Empatia e apelo às emoções podem dar graça às apresentações corporativas

Claudio Marques

12 de março de 2014 | 09h27


Cinema. Curso adapta artimanhas da ficção para as reuniões e eventos corporativos (Imagem: Epitacio Pessoa/Estadão)

GUSTAVO COLTRI

Estruturar logicamente as ideias e não derrapar nos vícios corporais e de linguagem são partes essenciais das boas apresentações, mas não podem ser usadas desacompanhadas de toques de emoção.

“Diante de muitas pessoas, a apresentação precisa ter conteúdo, mas também uma boa dose de espetáculo para que a plateia se sinta atraída e interessada. A movimentação física, o bom humor (quando a circunstância permitir), as histórias curiosas e interessantes são ótimos ingredientes nessa situação”, recomenda o mestre em ciências da comunicação Reinaldo Polito, autor de obras especializadas em oratória.

Para Joyce Baena, da La Gracia, o caráter emotivo dos discursos se coloca na forma de um conflito a ser resolvido. Nas palavras da especialista, os vilões, assim como ocorre nos filmes a que assistimos, dão graça às apresentações corporativas.

A inspiração narrativa da ficção motivou também a formação de um treinamento na Soap – a empresas especializadas oferecem cursos e workshops para organizações e profissionais liberais. “Se o cinema consegue nos deixar atentos em uma sala escura por algumas horas, por que não podemos usar as técnicas do storytelling? O filme gera emoção através de altos e baixos. Não há filmes que começam bem e terminam bem. Eles trazem personagens com desafios, dilemas”, diz Rogerio Chequer, o sócio-diretor da companhia especializada.

Apresentações focadas exclusivamente nos aspectos positivos de uma questão não parecem realistas, segundo ele. “Mostrar que tipo de problema pode surgir se o problema apresentado não for solucionado cria um contraste que retém a atenção da audiência.”

De maneira geral, o curso divide os discursos decisivos em atos, assim como ocorre nos espetáculos teatrais. No primeiro deles, o objetivo do apresentador é basicamente o de capturar a atenção do público, nem sempre pronto para receber de imediato as mensagens.

A formação de empatia pode ser facilitada com comportamentos simples, de acordo com os especialistas. Pessoas carismáticas tenderiam a sorrir mais, modular a voz ao falar, dar mais tempo às pausas durante as explicações e mais oportunidade de conexão com os públicos através do olhar.

O segundo ato, de acordo com o especialista, é o momento de utilizar as ferramentas lógicas que mostrariam as razões pelas quais os argumentos do palestrante são bons. “Muitos executivos, quando chegam aí, acham que todo mundo está convencido e relaxam, mas há um terceiro ato, que é o de resgatar a emoção e de avaliar os próximos passos. As decisões são menos lógicas do que imaginamos”, garante.

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