Empatia e solidariedade: lições aprendidas em tempos de pandemia

Empatia e solidariedade: lições aprendidas em tempos de pandemia

Se tanto dizem que o mundo 'não será mais o mesmo', espero que as lições aprendidas, como mais ações que visam o coletivo, sejam duradouras, diz especialista em RH

Ylana Miller

06 de julho de 2020 | 13h07

E, de repente, tudo mudou. A reunião presencial virou a chave para o virtual. As aulas, palestras, congressos e eventos, em geral passaram a acontecer 100% online. Até aquele cafezinho que promovia uma troca de ideias informal e contribuía para a descompressão do dia a dia também sofreu mudanças. Agora, sendo virtual corre até o risco de se tornar um pouco amargo. A depender de uma palavra ou frase mal colocada pode vir a prejudicar a interação e a leveza da conversa.

A comunicação escrita está ainda mais assertiva e focada na busca de solução de problemas. Na ansiedade de ir direto ao ponto corre-se o risco de ser impessoal. Por vezes, é necessário relembrar que, ao iniciar uma conversa, deve-se perguntar como o interlocutor está se sentindo, além de ser essencial demonstrar ainda mais atenção em tempos tão incertos.

Nesses últimos meses grande parte dos artigos, reportagens, entrevistas e programas vem priorizando abordar temas relacionados às habilidades de relacionamento, empatia, inteligência emocional e emoções.

Diariamente, somos aprendizes, devemos ter uma mente aberta e ter flexibilidade para adotar novos comportamentos. O diferencial pode estar na nossa resiliência frente a insegurança que uma pandemia pode gerar.

A pandemia transformou as relações e trouxe à tona a importância da empatia. Foto: Unsplash

A minha inquietude é a que ponto chegamos. Precisamos viver uma pandemia de coronavírus para reaprender a ter relações mais empáticas? Para reconhecer que olhar somente para o próprio umbigo podemos gerar relações egocêntricas? Que ao priorizar o ganha-perde nas negociações podemos promover mais crises? Que ao terceirizar responsabilidades estamos deixando de assumir o protagonismo na nossa vida?

O que mais se ouve é que o mundo não será mais o mesmo. De fato, espero que as lições aprendidas sejam bastante duradouras. Que a solidariedade ocupe mais espaço na sociedade, assim como as ações que visam o coletivo sobreponham às individualistas. Que líderes inspirem mais confiança e promovam transformações pautadas em valores diferenciados. E que o “vai passar” seja um marco de transição para uma jornada mais humanizada.

* Ylana Miller é especialista em recursos humanos, professora de pós-graduação e
sócia-diretora da Yluminarh – Desenvolvimento Profissional (ylana@yluminarh.com.br)

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