Entidades oferecem formação gratuita em TI
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Entidades oferecem formação gratuita em TI

Parcerias firmadas entre instituições sem fins lucrativos e empresas têm como objetivo reduzir o déficit de mão de obra no segmento

CRIS OLIVETTE

16 Setembro 2018 | 07h44

Primeira turma de programadoras formadas pela Laboratória. Foto: Daniella Fonseca/Divulgação

A necessidade de reduzir o gap entre a oferta de vagas e a disponibilidade de mão obra especializada para a área de tecnologia da informação (TI) tem estimulado parcerias entre empresas e instituições voltadas à capacitação de jovens e adultos para atuarem no segmento.

Diretor de relações institucionais da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), Sergio Sgobbi vê com bons olhos o trabalho dessas entidades.

“O segmento mantém vigor nas contratações independentemente da situação do País. Entre janeiro e julho deste ano ocorreram 15,5 mil contrações. Portanto, a perspectiva de essas pessoas conquistarem uma vaga é real, porque a demanda é crescente. Porém, o mercado é dinâmico e demanda aprendizado constante”, ressalta.

Sergio Sgobbi. Foto: Luely Barbosa/Divulgação

Outra observação de Sgobbi diz respeito à necessidade de que o aluno tenha aptidão para a área de exatas. “O grande trabalho dessas instituições é despertar o talento em quem tem esse tipo de perfil.”

Instituição sem fins lucrativos, o Instituto da Oportunidade Social (IOS), que atua com capacitação há 20 anos, passou a formar profissionais especificamente para o mercado de TI em 2015. “Na triagem, priorizamos quem têm perfil para a área de exatas. Os cursos gratuitos duram dez meses, com carga horária média de 630 horas. Temos turmas nos períodos da manhã, tarde e noite”, diz a superintendente, Kelly Lopes.

O IOS tem foco na formação de programador, analista de suporte técnico e analista de implantação de software. “Nosso trabalho é voltado à empregabilidade. Os egressos podem trabalhar em regime CLT, mas também estimulamos o empreendedorismo e a atuação como prestador de serviço.”

Kelly diz que nesses três anos formou cerca de 280 profissionais. Entre eles, Leonardo Boni Amaral dos Santos, de 19 anos, que hoje faz estágio em um banco de investimentos.

Leonardo Boni. Foto: Paula Cayoni/Divulgação

“O IOS proporciona uma base de ensino forte. Escolhi a área de infraestrutura em redes e, além da parte técnica, tive módulos de relacionamento com cliente, português, matemática e aspectos comportamentais.”

Agora, Santos faz faculdade de ciência da computação e afirma que o peso do curso do IOS no currículo foi imenso. “Foi um divisor de águas, caso contrário não teria conseguido a vaga, porque utilizo muito do que aprendi lá e que ainda não foi ensinado na faculdade.”

Kelly diz que as vagas são para jovens de 17 a 29 anos, que estejam concluindo ou que já tenham o ensino médio cursado, preferencialmente, na rede pública. “Damos oportunidade aos que teriam dificuldade de acesso a esse tipo de formação.”

Kelly Lopes. Foto: Paula Cayoni/Divulgação

A superintendente afirma que para a formação em TI o instituto tem parceria e patrocínio da fundação JP Morgan, Arcos Dourados (McDonald’s), Dell e Totvs, que também absorvem parte dessa mão de obra.

Além da carência de mão de obra, também falta ao segmento diversidade de gênero. Para mudar essa realidade foi criada a Laboratória, startup que busca a inclusão de mulheres de baixa renda nesse mercado de trabalho, por meio da formação em programação.

Criada em 2015 no Peru, a ONG também atua no Chile e México e já formou 850 mulheres. No Brasil, entrou em atividade em fevereiro deste ano. “No dia 30 de outubro vamos formar 52 mulheres”, diz a sócia, Regina Acher. Segundo ela, o negócio não tem fins lucrativos.

Contratação

Regina diz que a formatura é, na verdade, um grande evento de contratação. “Dividimos as alunas em grupos e as empresas interessadas em participar do ‘Talent Fest’ propõem um desafio a um grupo. No final, há a ‘Demo Night’, quando são apresentados todos os projetos. E, no dia seguinte, ocorrem as entrevistas e as ofertas de trabalho.”

Regina Acher. Foto: Daniella Fonseca/Divulgação

A Laboratória tem apoiadores globais importantes como Google, All Media e Microsoft. “No Brasil, temos apoiadores locais, são empresas que pagam US$ 2 mil para participar do evento.” Para conquistar uma vaga no curso, as candidatas não precisam, necessariamente, ter perfil técnico específico. “Avaliamos habilidades como capacidade de aprender sozinha, trabalho em grupo, capacidade de aprender com os erros, garra e determinação.”

A primeira seleção teve 5,7 mil inscrições para 60 vagas. “Algumas alunas tiveram de parar por falta de verba para arcar com os custos de deslocamento e alimentação durante os seis meses de curso.”
As aulas ocorrem de segunda a sexta e duram cinco horas. “Existe aluna que demora três horas para chegar. Para as próximas turmas, vamos tentar viabilizar um fundo de ajuda com vales-transporte e alimentação para as mais necessitadas.”

A seleção para a próxima turma está com inscrições abertas até 30 de novembro no site selecao.laboratoria.la .

O líder de TI na multinacional brasileira provedora de softwares Stefanini, Leandro Lopes, entrou no segmento por meio de capacitação recebida no Instituo Stefanini, braço social da empresa. “Eu não sabia qual carreira seguir, fiz o curso de suporte de hardware e me apaixonei por TI. Depois disso, fui contrato pela Stefanini, passei por várias áreas e hoje lidero time com 26 pessoas”, conta.

Leandro Lopes. Foto: Bárbara Morrone/Divulgação

Diretora do Instituto Stefanini, Maria José Paredes Machado diz que desde 2012 o foco é formar profissionais para a área de TI. “Oferecemos 500 vagas por ano. Parte dos jovens é aproveitada pela Stefanini, os demais buscam o próprio caminho, pois não conseguimos dar encaminhamento para todos. Damos a primeira oportunidade. O crescimento depende deles.”

Maria José Paredes Machado. Foto: Bárbara Morrone/Divulgação

Segundo ela, o público-alvo são jovens de comunidades carentes. “A escolaridade, apesar de atender nosso pré-requisito, é de má qualidade e eles têm dificuldades. Para compensar, também oferecemos aulas de português, inglês e matemática, que são ministradas por voluntários.” O instituo tem um ex-aluno vivendo nos EUA e outros trabalhando na IBM, Roche e Itaú, por exemplo. Segundo a diretora, a taxa de empregabilidade estimada é de 40%.