Entrevista com CEO – Marcelo Menta, da McAfee

Entrevista com CEO – Marcelo Menta, da McAfee

Claudio Marques

26 de agosto de 2012 | 08h03

Desde fevereiro último no comando da McAfee, Marcelo Menta, de 45 anos, está à frente do processo que pretende dobrar o tamanho da empresa em dois anos. “É um crescimento bem agressivo”, admite.  Ele conta que a companhia tem boa participação no market share do Brasil, mas avisa: “Se o mercado não se expandir, vamos ocupar mercado de concorrentes.  Temos um foco muito grande no segmento empresarial, e o nosso maior objetivo mesmo é tirar essa impressão de que a McAfee é só uma empresa que vende apenas antivírus, para posicioná-la como uma empresa que oferece segurança digital, que garante soluções de segurança”.  A seguir, trechos da entrevista.

Menta buscava particpar de decisões. Foto: Marcio Fernandes/AE
Qual é o fato marcante da sua carreira?
Fiz uma transição de carreira.  A primeira metade do meu trajeto foi no segmento financeiro.  Estive no falecido Bamerindus, depois trabalhei na Credicard, que virou Redecard, e no Unibanco, que virou Itaú.  Então, até o ano 2000 minha carreira sempre foi bem técnica
(TI) na área financeira.  Mas tive vontade de passar para uma área de negócios e consegui fazer essa transição – que é rara no mercado.  Foi realmente um fato marcante para mim. Para fazer essa mudança, procurei primeiro ter uma formação acadêmica que me sustentasse na área comercial, para depois poder fazer a transição de fato.  Da engenharia, que havia cursado, fui fazer um curso de marketing estratégico, depois, MBA, para ter a teoria antes da prática.
Você estava descontente?
Não, na verdade eu sentia necessidade de participar muito mais de processos de tomada de decisão de negócios, do que ter, guardadas as devidas proporções, limitações técnicas.  Era um bom resolvedor de problemas, mas queria participar de decisões estratégicas.
Qual foi seu último cargo no setor financeiro?
O Unibanco foi meu último trabalho (na área financeira), em 2000.  Minha carreira sempre foi muito focada em tecnologia da informação e sempre teve um curso step by step.  No Unibanco, cheguei a ser superintendente de tecnologia e aí eu fiz a transição para uma área de negócios.  Passei para a AT&T, já como diretor de marketing e produtos, e aí fui fazendo a transição até chegar aqui onde estou.  Não foi doloroso ou traumático, porque acredito no passo a passo.  E ter uma experiência, formação e tudo mais, faz com que se consiga chegar ao cargo até mais bem preparado do que seu quadro efetivo.
Você é conservador?
Eu não diria que eu sou conservador, mas bem planejado em relação à carreira, e agressivo na hora de mudar.  Fiquei sete, oito anos no segmento financeiro.  Depois, foram dois anos e meio na AT&T, outros dois anos e meio na Telefônica, um ano na GVT e sete na Cisco.  Então, se realmente a empresa não estivesse atendendo as minhas necessidades, ou se eu achasse que não poderia mais agregar algo, iria embora logo.
É um traço seu também como executivo?
Também.  Acho que é a mesma coisa(ser planejador).  Na AT&T, tinha responsabilidade de marketing e pré-vendas, mas não de vendas, que almejava.  Após, mudei para a Telefônica, onde era responsável por um setor de vendas, negócio puro.  E, a partir do momento em que a Telefônica ficou pequena para mim, fui para a GVT, que apesar de ser uma empresa menor, me dava abrangência nacional, muito maior do que eu tinha na Telefônica, e assim por diante.
Por que você aceitou ir para a McAfee?
Primeiro, minha responsabilidade aumentou novamente.  Enquanto na outra empresa eu era um diretor regional, aqui sou responsável por liderar a empresa.  Então, o que me motivou a vir para cá foi realmente a perspectiva de crescimento e o fato de que eu posso usar aqui toda minha experiência, todas as minhas habilidades para levar a empresa ao próximo patamar.
Qual dica você dá para quem planeja ser um executivo de TI?
Em primeiro lugar, não parar de estudar nunca, investir em uma boa formação, uma boa faculdade, mas se não deu para fazer uma boa faculdade, fazer uma boa pós, um MBA, um pós-MBA.  Enfim, investir em educação, porque isso prepara para o emprego, para a próxima oportunidade.  Então, é imprescindível.  E investir em coisas pessoais que fazem a diferença.
Como assim?
Em primeiro lugar, as pessoas tem de se adaptar ou gostar de trabalhar em equipe, pois ninguém consegue fazer tudo sozinho.  Outro ponto é que, ao se deparar com um problema, é importante analisar profundamente a questão e tomar uma decisão baseada em fatos, em dado histórico.  Mas se isso não for suficiente, utilizar um pouquinho a intuição.  Um terceiro ponto: acho que as pessoas não podem ser simplesmente boas executoras de tarefas, porque todo mundo tem de executar, tem de entregar.  Mas planejar antes é algo importante de ser feito.  Outra coisa, as vezes as pessoas me perguntam qual curso de TI deveriam fazer, em qual pós baseada em TI deveriam se matricular etc. e, dependendo do estágio da carreira, eu até incentivo a fazerem algo diferente de TI, que estudem filosofia, que façam cursos que possam abrir a cabeça, que viajem.  Muitas vezes, ficar 30 dias fora conhecendo outra cultura vale muito mais a pena, do que simplesmente investir em formação.  Resumindo, é ser intelectualmente curiosa.
Então, na hora de contratar, você também dá importância ao lado comportamental?
Sim, porque bem ou mal se consegue preparar tecnicamente uma pessoa.  Mas uma pessoa que entra para trabalhar em equipe, se não tiver um comportamento adequado, se não souber somar, se comportar, isso são coisas que não se ensinam na escola.
E como a pessoa pode mudar?
Cada um tem de encontrar o seu caminho.  Eu, por exemplo, sempre pratiquei muito esporte, normalmente, esporte coletivo.  Aprende-se a ganhar, a perder, a conviver, a depender de outras pessoas, a demandar e ser demandado. É trabalhar em equipe.  E, no meu caso específico, como sou extremamente agitado, quanto mais esporte eu faço, mais feliz a minha equipe fica(risos).  Eu diminuo o estresse de todo mundo.
Como você se define como pessoa e como executivo?
Acho que transmito confiança e, normalmente, sou muito bem aceito e fácil de se lidar.  Agora, profissionalmente, eu me considero bem agressivo, inovador, gosto de entregar, de fazer a coisa acontecer com o devido planejamento.

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