ENTREVISTA COM CEO – RICHARD VINHOSA, CEO DE VIDA E PREVIDÊNCIA DA ZURICH

Claudio Marques

27 de outubro de 2011 | 13h19

No início eram os números. Depois, veio o ser humano – ou a importância de entendê-lo para crescer como pessoa e na carreira. Assim, se pode ilustrar os passos de Richard Vinhosa, de 41 anos, ao longo de sua vida e trajetória profissional marcada por muito estudo e trabalho. Aos 12 anos, trabalhou em uma oficina mecânica durante as férias, aos 15 deu aulas de matemática. Depois, cursou simultaneamente engenharia de produção na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e administração na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Mesmo estudando em dois cursos, conseguiu, aos 22 anos, ser estagiário em Furnas Centrais Elétricas, “Foi por concurso. Tinha uma vaga, eles erraram e me escolheram”, conta rindo. Mais estudos e uma grande variedade de experiências profissionais pavimentaram seu caminho até se tornar, há pouco mais de um ano, CEO de Vida e Previdência da suíça Zurich Seguros, uma das maiores do mundo.
Como foi esse seu estágio?
Fui trabalhar numa área de planejamento de geração de energia elétrica de Furnas, cujo objetivo era planejar como deveria ser a geração de eletricidade no Brasil nos próximos dez, 15, 20 anos. Foi um bom aprendizado, porque deu a noção de longo prazo. Depois, fiz um estágio que era o mais disputado do Rio de Janeiro, no Banco Nacional. Fiquei um ano e pouco e fui contratado. Aí me formei (em engenharia em 1994 e em administração seis meses depois) e entrei num programa de trainee do Citibank. Permaneci por 13 anos: de março de 1995 a 2007. Trabalhei em muitas áreas em operações, negócios e setor financeiro. Fui de trainee a diretor.
E depois?
Achava que faltava um complemento à minha formação financeira, que era trabalhar em seguradora. Então, fui para uma empresa americana, que hoje é concorrente. Lá, fui diretor de operações e de negócios de previdência, entre outras funções.
E continuou sua trajetória.
Sim, de lá fui para uma empresa brasileira chamada Contax, a maior empresa de call center do Brasil, que tem hoje quase 100 mil funcionários e na época tinha 20 mil funcionários. A única coisa que eu não consegui lá foi falar com os 20 mil pessoalmente. Mas com uns mil eu falei. É uma boa oportunidade para aprender.
Por quê?
Porque quando se fala com todos os níveis da organização se consegue capturar coisas bem interessantes para o dia a dia e, às vezes, até se descobre alguns talentos que estão escondidos. Lá, na Contax, meus clientes eram basicamente os maiores bancos e seguradoras do Brasil. E aí surgiu a oportunidade de vir para este excelente time da Zurich e eu vim, há um ano e um mês.
Com tantas experiências em diversas áreas de empresas, seu caminho foi bem pavimentado para chegar ao cargo atual?
Não tenho muito do que reclamar. Um pouquinho de cada experiência foi adicionando, digamos, camadas de pele, que vão nos trazendo experiência para ter uma visão estratégica do negócio, ter uma visão de planejamento e ter a capacidade de execução e de atitude frente aos momentos certos. Também mostrou a importância que as pessoas têm dentro desse contexto e cada uma foi moldando o profissional que eu sou hoje.
Experiência e estudo, não?
Unir teoria com prática é fundamental. Depois da graduação, estudei mais: fiz pós em administração na Fundação Getúlio Vargas e, posteriormente, um MBA chamado executivo internacional na Fundação Instituto de Administração. Mas o estudo é a porta inicial, é a base. A experiência de ter uma visão estratégica, que vai nos moldando, de conseguir entender como o mercado funciona, e conseguir traduzir os dados de mercado, de cenário econômico, de ambiente, de oportunidades, de ameaças, num plano de trabalho. Os projetos pelos quais se passa em diversas funções vão dando experiência.
Também no campo pessoal?
Deixa eu dar um exemplo. Quando eu me comparo com como eu era 20 anos atrás, uma coisa que eu nunca perdi, mas eu comecei a domar um pouco, é meu nível de exigência. Sou extremamente exigente comigo e com tudo, porque quero que tudo saia o mais perfeito possível. Mas ao mesmo tempo eu fui me gerenciando, digamos assim, para conter as minhas expectativas em relação ao resultado, eu gostaria que ele fosse cem, mais eu sei que ele vai levar dois, três anos para chegar a cem. Então, é extremamente importante ter esse autocontrole entre a exigência e ver que os resultados desejados não vão ser alcançados amanhã.
O que é mais gostoso nessa função?
Muitas coisas (risos). O mais gostoso é conseguir ajudar o profissional a se tornar cada vez melhor.
Essa é a principal função de um CEO?
Acho que depende do tempo. Minha principal função quando eu cheguei aqui foi montar uma estratégia. Depois, virou planejar a execução da estratégia. Em seguida, foi formar equipe. A quarta função foi começar a ganhar mercado, e estamos ganhando. E a preocupação de formar os talentos do futuro já começou, e não só da minha parte, porque é uma coisa central no modelo de administração da Zurich, a gente quer atrair e reter os melhores talentos.
E quais são as dicas para quem está começando?
Uma é que se relacione, tenha genuíno interesse pelas pessoas, só tem a ganhar como aprendizado e, em alguns momentos, ajudar também. E quanto mais cedo o ser humano consegue entender e se adaptar à diversidade ao seu redor, mais importante, fundamental, é para a sua evolução como executivo./C.M.

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