“Erros e acertos: todos são caminhos”

Claudio Marques

13 de abril de 2014 | 07h41

 

Sandra Loureiro *

Erros e acertos são inevitáveis ao longo da trajetória e essenciais ao nosso desenvolvimento profissional. Mas observo uma preocupação excessiva, diria até obsessiva, nos profissionais em não cometer deslizes. Refiro-me àquelas decisões importantes que tomamos, mas que, passado algum tempo, nos parecem incorretas e que, de alguma forma, nos desviam da rota.

Quem já não as cometeu? A cada tropeço desses temos de aprender e retomar a marcha, às vezes voltar e recomeçar. O receio é o de que tais equívocos possam tornar mais lenta a nossa escalada de carreira. Tal receio, embora fuja aos limites do razoável, não é infundado. Vivemos numa sociedade da pressa.

O mercado corporativo, por exemplo, cria um senso de urgência nos profissionais na medida em que encurta a carreira e a vida útil de trabalho das pessoas. Vemos nele um apelo e um incentivo aos jovens para subirem rapidamente, se tornarem gerentes, diretores, presidentes cada vez com menos idade. Consequentemente, a “expulsão” ou “aposentadoria” se dá mais cedo.

Costumo ouvir, também, com frequência, de adolescentes e jovens adultos de 17, 20 anos, que, ao perceberem que tomaram uma decisão equivocada (de curso, de profissão, de área, de empresa etc.), se sentem velhos para uma nova escolha ou uma retomada de rumo. O pior é que este processo vem acompanhado de enorme sensação de culpa, por terem perdido tempo precioso, que lhes permitiria estar em um patamar mais adiantado na escalada profissional.

Se isso em parte é verdadeiro, por outro lado, num mundo tão complexo e desfavorável ao pleno desenvolvimento das potencialidades humanas como o de hoje, é pouco provável que possamos corresponder a tais expectativas de tempo do mercado, sem sequelas sociais e pessoais. Este processo força os profissionais a um amadurecimento (se é que se pode chamá-lo de amadurecimento) muito precoce, deixando partes de si mesmos pelo caminho.

Outro modo de entender é que cada um percorre a estrada certa no momento exato, de acordo com o seu estágio de desenvolvimento. É uma questão pessoal, do tempo que cada um necessita para enxergar com mais clareza. Não apenas na carreira, mas na vida, cabe a nós enxergar este tempo, aceitá-lo e respeitá-lo.

* Professora da PUC e psicóloga

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