Está quente. E frio

Leon Victor de Queiroz

16 de fevereiro de 2011 | 10h16

Qem não pode se dar ao luxo de passar o verão de férias na praia, fatalmente é obrigado a encarar os choques de temperatura pelo entra e sai de espaços refrigerados no trabalho. Segundo o clínico geral do Hospital das Clínicas (HC) e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Arnaldo Lichtenstein, o ar condicionado afeta a saúde das pessoas por três motivos. “Pelo ressecamento do ar, pela sujeira e pelo choque de temperatura.”

O choque, embora seja mais evidente, é o que afeta menos pessoas. “Apenas aqueles mais sensíveis, que podem desenvolver rinite vasomotora”, diz o presidente da Associação Paulista de Homeopatia, Rubens Dolce Filho. A mudança brusca de temperatura atrapalha o corpo na hora de eliminar o muco produzido na árvore respiratória.
Os dois médicos apontam a sujeira como o principal problema. “Em geral, a manutenção dos sistemas não é satisfatória e, aí, ele joga de tudo no ar, de restos de pele humana a ácaros”, conta Dolce Filho. O ressecamento do ambiente, para Lichtenstein, é terrível para os sistemas respiratórios. “Quem já tem bronquite e alergias respiratórias sofre muito.” A orientação básica é manter hábitos saudáveis, como alimentação leve, fazer exercícios físicos regulares e beber bastante líquido.

“Utilizar um vaporizador junto com o ar condicionado umidifica o ambiente. Manter a temperatura em torno de 23°C, que é agradável, porém não muito baixa, também ajuda”, ensina Lichtenstein. Outra recomendação é criar uma área de transição, com aumento gradativo da temperatura entre um ambiente e outro até sair do prédio. “Lavar o nariz com soluções fisiológicas alivia a situação de quem tem muito catarro”, diz o professor.

Dolce Filho lembra que os olhos também sofrem com o ressecamento, favorecendo a ocorrência de conjuntivites, situação que se agrava para quem fica na frente de um monitor. “A pessoa pisca menos. Existe um programa que lança alertas na tela, pedindo para piscar. Ajuda bastante”, diz.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: