Foco na carreira: Estudo autodirigido para acelerar o desenvolvimento profissional
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Foco na carreira: Estudo autodirigido para acelerar o desenvolvimento profissional

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20 Outubro 2018 | 16h00

Foto: Pixabay

Por Fabrício César Bastos*

Nos trabalhos que tenho desenvolvido, principalmente com líderes e times, cada vez mais tenho ouvido  que “a empresa diz que a responsabilidade do gerenciamento da carreira é função de cada colaborador”.

Este tópico acaba sendo bastante polêmico, pois muitos funcionários acham que esta “obrigação” é da empresa; do outro lado, as organizações “delegam” esta atitude de forma mais frequente e intensa para os colaboradores.

Talvez este impasse possa ser melhor administrado caso cada uma das partes (profissionais e empresas), fizer seu papel. No olhar das organizações, oferecer cursos de desenvolvimento de habilidades/competências in company, criar Plano de Desenvolvimento Individual (PDI), em que líder e liderado trabalhem metas específicas, e estabelecer comitês para considerar quem são as pessoas que podem ser promovidas de acordo com o processo sucessório são ações que podem potencializar a carreira das pessoas. E o que nós, profissionais, podemos fazer?

Uma possibilidade é o estudo autodirigido, que nada mais é do que ser autodidata. Ou seja: ser responsável pelo seu desenvolvimento, estudar e definir estratégias de aprendizagem por conta própria considerando o desenvolvimento profissional. Um desafio para isso ocorrer é o modelo de ensino, ainda vigente em muitos lugares, de como escolas, universidades e até mesmo treinamentos corporativos tratam a aprendizagem: focada mais no professor/treinador e menos nos estudantes/participantes. É como se as pessoas recebessem a seguinte mensagem, mesmo que de maneira inconsciente: “para eu aprender preciso de alguém me dizendo o que devo aprender”; “para eu realizar minhas tarefas no ambiente empresarial é necessário uma pessoa (geralmente o/a gestor/a) falar o que tenho que fazer”. Dessa forma, cria-se uma “dependência” do conhecimento centrado em uma pessoa e geralmente “fora” dos indivíduos.

Para gerar autonomia e proatividade nas pessoas, também considerando o desenvolvimento de carreira, colocar o indivíduo como protagonista e construir de forma ativa seu desenvolvimento e sua aprendizagem é fundamental. Como podemos fazer uso do estudo autodirigido para isso?

Ao ler um livro para o seu desenvolvimento profissional, estude o livro. Faça anotações, aplique o que achou interessante e, principalmente, faça um plano de ação para transferir os novos conhecimentos para seu trabalho. Outra possibilidade é contar com o apoio de colegas de trabalho no seu desenvolvimento. Compartilhe suas metas (definindo o que especificamente quer desenvolver/fortalecer) e faça “coaching entre pares”. Por fim, estabeleça uma meta semanal que irá ter como foco (por exemplo, falar em público, ser mais assertivo, escutar mais as pessoas etc.). E durante toda a semana, pense em como pode exercitar diariamente esta meta escolhida. E aí, já decidiu qual será sua meta para a próxima segunda-feira?

*Professor da PUC-SP