“Eu sempre tive uma carreira acelerada”

“Eu sempre tive uma carreira acelerada”

Executivo utilizou bagagem internacional e experiência aprendida com os mais velhos para tornar a OLX líder de seu segmento no País

Claudio Marques

15 de julho de 2014 | 10h00

Victória Mantoan
ESPECIAL PARA O ESTADO

Em 2012, aos 28 anos, o paulista Marcos Leite foi contratado para ser diretor de operações da OLX no Brasil e torná-la líder no segmento de classificados gratuitos. Formado em marketing na Holanda e com experiência em escolas de Taiwan, Turquia e Portugal, Leite conseguiu, em menos de um ano, reestruturar a equipe local, focando no desenvolvimento do site e da plataforma mobile, o que inclui suporte técnico, atendimento ao usuário e ações de marketing local. Foi promovido a CEO da empresa que hoje é líder no segmento, com 20 milhões de visitantes únicos por mês e mais de cinco milhões de anúncios ativos postados mensalmente. A seguir, trechos da entrevista.

No começo da carreira, você já tinha interesse em empresas que exploram plataformas online?
Desde que eu estava na faculdade, na Holanda, não sabia se entraria em banco de investimento, em consultoria, mas alguma coisa sempre me disse que esse não era o caminho para mim. Eu queria entrar direto na operação, começar a influenciar a vida das pessoas com plataforma. A forma mais fácil de fazer isso era a internet. Eu consegui um estágio no eBuddy, onde fui efetivado, e então comecei a aprender bem mais sobre a internet e como você pode tomar uma decisão hoje que vai gerar mudanças amanhã. É uma cultura muito rápida. Eu sempre gostei muito disso. E também as oportunidades que eu tive, como trabalhar com o CEO do Google, ajudaram a me desenvolver bastante na área de negócios. Isso ajudou a alavancar muito bem a minha carreira.

Você imaginava que com 30 anos já seria CEO?
Não, não. Eu sempre fui um cara com muita ambição, mas com 30 anos ser CEO de uma empresa não estava nos planos. Mas estou aqui, super feliz de ter essa oportunidade. Tudo acontece porque, primeiro, eu tive a sorte de ter conhecido e trabalhado com as pessoas corretas para estar nessa posição, mas grande parte disso é o esforço e a iniciativa que eu tomei para poder estar aqui. Eu  sempre tive uma carreira muito acelerada. Depois que trabalhei no eBuddy, fui chamado para a Spil Games, uma das maiores empresas de jogos online do mundo. Primeiro, eu estava trabalhando em vendas e, nos primeiros três meses de empresa, consegui triplicar os resultados de um dos países focos que a gente tinha. Tive uma promoção muito rápida e estive em mais dois  países onde consegui dobrar os resultados em receita de vendas de publicidade. Então fui chamado para abrir um departamento na Spil Games, onde trabalhei com um empreendedor conhecido na Holanda.

Que medidas tomou para aumentar as vendas na empresa?
A- maneira de olhar o negócio. Eu sempre fui uma pessoa que olha muito para dados e eminternet você tem muitos dados,  você consegue ver, nesse momento, o que está acontecendo na sua  plataforma. Então antes de começar a implementa coisas já no primeiro dia, eu fico duas, três semanas só olhando os dados e entendendo de onde vem determinado  clique, de qual network? Qual parceiro? Eu otimizei (o resultado) baseado nisso. Eu vi que tinha esses dados, fiz a apresentação para o CEO da empresa e imediatamente comecei a mudar os produtos que a gente tinha e a maneira como eram apresentados. Tivemos um resultado muito rápido só por otimização mesmo. Com  uma coisa que você muda, uma posição, um parceiro, você consegue adicionar milhões de receita potencializando o negócio. Pegando os dados e entendendo qual é o seu negócio, pode-se depois realizar as intervenções que podem fazer uma grande diferença.

A graduação e o mestrado no exterior contribuíram para sua trajetória profissional?
Contribuíram muito. Especialmente agora, nesse nível mais sênior da minha carreira, eu vejo muito mais o impacto dessa trajetória internacional, porque hoje eu estou gerenciando pessoas, motivando as para que a gente consiga ter foco e atingir os objetivos. A OLX é uma empresa internacional, temos estrangeiros trabalhando aqui dentro. E muitas vezes, a falta de comunicação é a maior parte dos problemas de uma empresa. Uma pessoa da Holanda, por exemplo, pode falar uma coisa que um brasileiro entende de uma maneira diferente, errada. Como eu consigo fazer essa mediação, isso nos ajuda muito a ser mais eficientes e não perder tempo com coisas irrelevantes para os nossos objetivos.

Quais os maiores desafios enquanto estava no eBuddy?
O eBuddy era uma startup e tinha o desafio de criar receita no curto prazo. Quando o MSN era bloqueado nas empresas, as pessoas podiam entrar no eBuddy e acessar contas do MSN, do Skype, entre outras redes, pelo navegador. Era bem uma empresa de internet 1.0 mesmo, e a dificuldade era gerar receita com publicidade. Ele era muito conhecido em vários países e era bem maior em países mais emergentes, como o Brasil, do que na França e nos Estados Unidos, onde o preço da publicidade, o que os anunciantes pagam, era mais alto. Esse sempre foi o desafio principal. Como brasileiro, minha tese de mestrado lá foi sobre como se pode gerar receita de publicidade nos mercados emergentes. Sempre foi um desafio, foi difícil. Conseguimos montar uma proposta para mercado baseado em engajamento e audiência. E, como eu disse, olhando os dados.

Parte das ações do eBuddy foram compradas pelo CEO do Google. Como a convivência com ele trouxe novos aprendizados e como você os aplica à OLX?
Tem um lado mais pessoal e outro de negócios. O meu trabalho no eBuddy era muito focado em publicidade. Hoje, o objetivo na OLX não é gerar receita de publicidade, então o foco mudou. Esse CEO foi o primeiro do Google na Holanda, e ele trouxe a empresa de zero para 300 pessoas e para ser um dos países que mais faturam para o Google no mundo. Então ele sabia a nossa trajetória de pegar uma coisa do nada e estruturar uma equipe em volta disso, montar uma proposta para o mercado e gerar receita como resultado. Isso  é muito bom para mim, porque quando eu cheguei na OLX um ano e meio atrás, para assumir a diretoria de operações, aos 28 anos, havia 20 pessoas aqui, então era mais uma startup. Hoje somos uma empresa muito bem focada, com uma equipe de mais de 100 pessoas e a oportunidade de criar esse mercado no Brasil, promovendo um consumo mais sustentável. A missão é grande e essa experiência me ajudou a me organizar, a saber qual tipo de pessoa eu devo contratar.

Quais as dificuldades de ter um cargo tão alto, sendo tão jovem? Como é o relacionamento com subordinados mais velhos?
Acho que dos meus pontos fortes e uma das razões pela qual estou aqui é meu poder de relacionamento com as pessoas. Às vezes eu me sinto um pouco intimidado porque os meus pares em outros países têm de 10 a 20 anos a mais do que eu, então é uma experiência diferente. O bom nesse negócio de internet é que eu sempre trabalhei nisso e isso ajuda muito na área operacional. Eu nunca tento mostrar que eu sei mais, eu sempre tento aprender com os meus colegas que têm mais experiência e eles me ajudam a chegar no nível que eu preciso estar. A pessoa que eu era quando eu cheguei aqui e a que eu sou hoje são bem diferentes. A OLX tem uma ambição bem maior do que qualquer outra empresa em que trabalhei. Então você realmente tem que focar as pessoas, demonstrar os objetivos da empresa de uma forma correta, fazer com que todos entendam a visão que a gente tem e tentar motivá-los por isso, sabendo qual é nossa razão de ser.

Você é CEO de uma empresa líder, quais os próximos passos? Eu gosto de focar no momento, e o objetivo da OLX não é algo que pode ser alcançado em um ano ou dois, mas durante alguns anos. Meu foco agora é continuar sendo CEO aqui no Brasil, fazer o máximo para que possamos atingir nossa missão, sem me distrair com o que vier depois./COLABOROU ANA GABRIELA VEROTTI

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