EUA: estudo diz que mulher ganharia mais se adiasse a aposentadoria
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

EUA: estudo diz que mulher ganharia mais se adiasse a aposentadoria

blogs

19 Julho 2018 | 06h47

A professora Nicole Maestas, autora de estudo sobre aposentadoria de mulheres. Foto: Tony Luong / The New York Times

Por Jeff Sommer / The New York Times

Com base nas atuais tabelas de expectativa de vida, uma menina americana nascida em 2018 deve viver 87 anos – quase quatro anos mais que um menino no mesmo ano.
Mas, se as tendências de hoje continuarem, ela provavelmente vai ganhar menos que ele, em parte porque sua carreira poderá ser interrompida ou sofrer atrasos pelo nascimento de filhos e pelos cuidados com a família.

Essa maior expectiva de vida e a renda mais baixa da mulher ajudam a explicar por que as mulheres se aposentam ganhando menos que os homens – e por que muitas delas se beneficiariam mais se continuassem trabalhando por um pouco mais de tempo.

No estudo A Volta ao Trabalho e Decisões das Mulheres sobre Emprego (disponível no National Bureau of Economic Research), a professora de política de saúde da Harvard Medical School Nicole Maestas focaliza principalmente casais heterossexuais, embora muitas de suas constatações se apliquem a outros segmentos da população, incluindo mulheres divorciadas ou que nunca se casaram.
Ela descobriu que maridos e mulheres “tendem a se aposentar mais ou menos ao mesmo tempo”, mas “como mulheres tendem a se casar com homens mais velhos que elas, quando o casal decide se aposentar junto, as mulheres são em geral mais jovens que os maridos”.

Segundo o estudo, em casais, as mulheres tendem a ser dois ou  três anos anos mais jovens que os maridos, e se aposentam dois ou três anos antes que eles. Essa aposentadoria com menos idade “não faz muito sentido”, diz Maestas, “uma vez que as mulheres têm maior expectativa de vida e carreiras mais curtas, em razão de interrupções na participação na força de trabalho por causa da criação dos filhos”.

O ideal, diz a professora, seria que as mulheres se aposentassem com mais idade que os homens.
A principal razão para aposentar-se com mais idade  é que, nos Estados Unido, mensalmente os benefícios da seguridade social aumentam significativamente se você esperar mais para os requerer. Em um caso citado no site da seguridade social, por exemplo, houve um ganho de 76% com o adiamento da idade de aposentadoria de 62 para 70 anos.

Embora isso seja verdadeiro para a população como um  todo, existe um problema fundamental: o quadro não é o mesmo para homens e mulheres.

Mulheres geralmente ganham menos que homens – em 2016, 19% menos, segundo o censo. Nesse ano, as mulheres receberam em média US$ 1.216,62 por mês da seguridade para US$ 1.592,43 dos homens – uma diferença mensal de US$ 375,81.

Com rendimentos mais baixos, menos economias e benefícios mais baixos da seguridade social, mulheres aposentadas enfrentam 80% mais de risco de viver na pobreza que homens, segundo estudo recente do Instituto Nacional de Seguredade na Aposentadoria, instituição sem fins lucrativos. Viúvas e viúvos recebem benefícios baseados nos rendimentos dos cônjuges ­- se forem maiores que o que receberiam normalmente. Mas isso não equilibra totalmente a disparidade enfrentada pelas mulheres.
Para pessoas saudáveis o bastante para trabalhar por mais tempo, adiar a aposentadoria pode reduzir o sufoco financeiro. “Trabalhar mais representa mais recursos financeiros”, diz Maestas. “E, nas atuais circunstâncias, as mulheres são maiores beneficiárias disso que os homens.” / Tradução de Roberto Muniz