Evolução digital faz faculdades incluírem novos cursos na grade
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Evolução digital faz faculdades incluírem novos cursos na grade

Animação, Tech e Mídias Sociais Digitais são exemplos de cursos superiores oferecidos na capital há menos de quatro anos; até área de engenharia ganha novidade na Unesp

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27 de janeiro de 2019 | 07h09

Mateus Apud *

Com a transformação do mercado de trabalho e a exigência de novas capacitações, ligadas à tecnologia, novos cursos superiores têm sido criados para atender a uma crescente nova demanda. Até cursos tradicionais, como engenharia, têm expandido para novas áreas de atuação.

É o caso, em São Paulo, da Faap, que criou o curso Animação, além do Centro Universitário Belas Artes com o seu Mídias Sociais Digitais, da Unesp com o novo Engenharia de Telecomunicações e ainda da ESPM-SP com o curso Tech.

Com base na percepção de 1.161 profissionais de diversos setores do País, entrevistados para a sexta edição do Índice de Confiança da consultoria de recrutamento Robert Half, 66% deles disseram que novos cargos foram criados em suas empresas por conta da evolução digital.

Na ESPM, o curso Tech é oriundo de Sistemas de Informação, mas foi ampliado e rebatizado em 2014 para formar o estudante além da TI. “De uma startup a uma empresa tradicional precisa de um profissional de tecnologia. O processo de transformação digital está muito intenso”, diz o coordenador de Tech da ESPM, Flávio Azevedo.

Laboratório de fotografia do novo curso Mídias Sociais Digitais do Centro Universitário Belas Artes. FOTO: Núcleo Universitário Belas Artes

Constituído em quatro pilares – desenvolvimento de games, desenvolvimento web e mobile, big data e inovação tecnológica –, o curso já apresenta credibilidade no mercado, diz Azevedo. “Temos alunos trabalhando desde startups até bancos.”

Recém-formado no curso, Gustavo Brigagão lembra que optou pela graduação por conta da grade curricular. “Gosto muito dessa parte de comunicação e gestão. O curso traz tudo isso, além da parte técnica”, conta.

Após um ano trabalhando em uma empresa do ramo alimentício, Brigagão aproveitou a proposta de TCC empreendedor da ESPM e investiu em sua fintech Gwen, uma carteira virtual de câmbio de multimoedas. “O curso te possibilita achar a área de que gosta. Dá uma abrangência grande na hora de procurar emprego ou empreender.”

Na Unesp, a inovação foi num curso tido como dos mais tradicionais, a engenharia. “Quem trabalha com telecomunicações fazia engenharia elétrica e depois se especializava em telecomunicação. Então, decidimos criar o curso de Engenharia de Telecomunicações para atender a demanda”, diz André Alves Ferreira, coordenador do curso, criado em 2013.

Um reflexo do mercado, diz Ferreira, é grandes empresas – como Vivo, Sky e Claro – buscarem na instituição futuros estagiários. “No último ano, tínhamos vagas que eram quase o dobro do número de alunos habilitados para fazer estágio.”

O aluno recém-formado no curso Tech da ESPM-SP Gustavo Brigagão. FOTO: Pedro Knoth

Multidisciplinar

Já a Faap viu uma oportunidade na área de animação, em que muitos profissionais do mercado geralmente primeiro fazem graduação de cinema ou design para depois investir em cursos livres de computação gráfica. A universidade criou, assim, um bacharelado de Animação, em 2016. “Há algum tempo tínhamos pessoas fazendo animação por paixão, mas hoje o cenário é outro”, diz o coordenador do curso, Eliseu Lopes Filho.

Segundo ele, o curso combina disciplinas de formação humanística com disciplinas específicas de animação, que atendem às necessidades do mercado. Entre elas estão argumento, roteiro, criação de personagens, desenho conceitual, direção de arte, criação e gravação de vozes especiais, cenografia e ambientação, direção de animação 2D, 3D e stop motion, fotografia, design de games, desenho aplicado, fundamentos da animação, história da arte, análise da imagem e fenomenologia do movimento.

O Centro Universitário Belas Artes também observou uma demanda crescente do mercado para criar a graduação Mídias Sociais Digitais, em 2015, divulgado como o primeiro curso voltado às redes sociais. O objetivo é formar profissionais para criar conteúdo, administrar e gerenciar as redes para aproximar as marcas dos seus públicos.

Com aulas que contemplam estratégias de branding, vendas e comunicação, gerenciamento de negócios no universo digital, análise de dados, monetização de conteúdo e o fluxo de informações entre agência, cliente e redes sociais, os estudantes do curso têm ganhado espaço em agências de comunicação, de publicidade, marketing e empresas públicas e privadas que buscam uma maior interação com o público na internet.

* ESTAGIÁRIO SOB A SUPERVISÃO DO EDITOR DE SUPLEMENTOS, DANIEL FERNANDES

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