Foco na Carreira: O projeto Aristóteles, do Google
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Foco na Carreira: O projeto Aristóteles, do Google

Empresa intensifica a contratação de gente mais ligada às “humanidades” e até artistas, para um certo desespero de Sergey Brin e Larry Page, brilhantes cientistas da computação

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26 Agosto 2018 | 07h35

Foto: Pixabay

Elisabete Adami Pereira dos Santos*

Conforme prometido nos artigos anteriores, falo agora em experiências novas, praticadas principalmente nas organizações de ponta, relativamente às soft skills.

E, dentre essas experiências, uma, em especial, se destaca.

O Google, sem dúvida uma das mais brilhantes empresas voltadas à tecnologia, vinha já, há algum tempo, desconfiada de que aquelas habilidades que as empresas do setor reputavam como mais importantes para suas indústrias, não seriam relacionadas apenas à tecnologia.

Antes achavam que o que importava para o jovem que iria se candidatar a uma faculdade, e posteriormente, a um emprego nessa indústria, e em outras, seria o de se destacar nas “habilidades duras” voltadas ao que os americanos chamam de STEM, que representa as iniciais de “Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática”.

O Google resolveu, em 2013, mapear as competências mais presentes em seus funcionários, desde sua criação em 1998, a partir dos dados acumulados e disponíveis de todos eles. E, de forma surpreendente, descobriu que as habilidades “STEM” vinham em último lugar.

Google chamou esse projeto de “Oxygen”, e nessa pesquisa, descobre que as sete principais características do sucesso no Google são todas habilidades sociais: ser um bom treinador; comunicar e ouvir bem; possuir insights sobre os outros (incluindo o respeito à diversidade de ideias); ter empatia e apoiar os colegas; ser um bom pensador crítico e solucionador de problemas; e ser capaz de fazer conexões por meio de ideias complexas.

De 2013 ao início de 2017, o Google continuou alimentando essa pesquisa interna e seu mapeamento, e desenvolve o “Projeto Aristóteles”, que analisa dados, com auxilio de antropólogos e etnólogos, sobre equipes inventivas e produtivas.

O Google sempre se orgulhou de suas equipes A, formadas pelos principais cientistas, cada um mais especializado do que o outro, e capaz de lançar muitas ideias de ponta, simultaneamente. Sua análise de dados revelou, no entanto, que as novas ideias mais importantes e produtivas da empresa vêm de equipes B, compostas de funcionários que se notabilizam, não pelo conjunto “STEM”, mas principalmente pelas “soft skills”.

A empresa passa, então, a intensificar a contratação de gente mais ligada às “humanidades” e até artistas, para um certo desespero de Sergey Brin e Larry Page, brilhantes cientistas da computação.

O mundo está ficando cada vez mais interessante!!!!

* Professora da PUC-SP