Formação em programação ganha força com novos cursos gratuitos
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Formação em programação ganha força com novos cursos gratuitos

Duas novas opções de capacitação impulsionam carreira de interessados em atuar no setor, que ainda carece de profissionais

Marina Dayrell

21 de julho de 2019 | 06h10

Quem planeja conquistar uma nova carreira, na área da tecnologia, terá duas novas oportunidades de capacitação para se tornar um programador. Para suprir parte da carência do mercado tecnológico por bons profissionais, duas iniciativas gratuitas chegam a São Paulo para formar novos programadores, a École 42 – escola francesa de programação – e o Recode Pro, parceria entre a Faculdade de Tecnologia (Fatec) Osasco e a Recode, organização social carioca de formação de jovens a partir do uso da tecnologia.

“Hoje, no Brasil, temos 250 mil vagas em aberto nas áreas de tecnologia”, afirma Mariana Marcílio, uma das responsáveis pela chegada da École 42 a São Paulo, a partir de agosto. Dados da Associação Brasileira das Empresas da Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) comprovam a enorme diferença entre os números. De acordo com a organização, serão demandados 420 mil profissionais com perfil tecnológico até 2024, contra 46 mil formandos por ano no país.

O curso oferecido pela escola francesa tem duração média de três anos. Para ser gratuito, é financiado por parcerias com empresas que serão as maiores interessadas nos profissionais. “As organizações não conseguem pessoas para trabalhar com programação principalmente por causa da capacitação. Não adianta saber só programar, é preciso aprender um conjunto de ferramentas que aquela empresa utiliza”, aponta o mestre em Engenharia da Computação, Fernando Masanori, que dá aulas para formar programadores na Fatec São José dos Campos.

Leandro Yoshida deixou a carreira em Fisioterapia para se tornar programador. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Do lado das empresas, a carência é ressaltada pela COO de soluções cognitivas da IBM América Latina, Jeni Shih. “Vivemos diariamente o desafio de não encontrar profissionais qualificados. A tecnologia está muito acelerada, não é fácil acompanhá-la. Isto, agregado às deficiências que se têm na formação de base no Brasil, é o que gera esse vácuo cada vez maior.”

A boa notícia é que as iniciativas de capacitação apostam em novos talentos, mesmo os que não têm nenhuma experiência na área. “Diferentemente de um vestibular, que você tem que provar que sabe algo, no processo seletivo da École 42 não é preciso saber programar. É necessário ter perfil questionador porque na tecnologia você vai se deparar com problemas sem soluções e terá que ter postura para resolver”, diz Mariana.

Trabalhando como programador há oito anos, Leandro Yoshida, de 33, chegou ao mundo da tecnologia sem conhecimento prévio e após uma graduação em fisioterapia. “Percebi que era uma área de muito crescimento, com plano de carreira e onde não faltava vaga”, destaca. Ao buscar uma recolocação no mercado de trabalho, ele cursou Ciência da Computação e há oito anos trabalha na IBM.

Fazer da programação uma nova opção de carreira também é parte da trajetória profissional do programador Victor Oliveira, de 34 anos, graduado em Filosofia. “Eu fui para a computação pela oportunidade de me manter financeiramente melhor e, de tudo que tem essa possibilidade, nela há espaço para quem não é ‘nativo’ da área”. Sem graduação no setor de Tecnologia da Informação, mas com planos de cursar uma especialização no futuro, ele buscou capacitação em livros e cursos presenciais e, hoje, é líder técnico na Stone – desenvolvedora de sistemas de pagamentos, como maquininhas de cartão.

Emprego

No âmbito público, a Fatec Osasco e a Recode abriram a primeira turma do Recode Pro, curso intensivo de programação, na capital paulista. De acordo com o diretor da Fatec, Francisco Felinto, o objetivo é capacitar e empregar jovens entre 18 e 29 anos. “Pode ser um estudante do ensino médio ou de faculdade que quer potencializar a sua empregabilidade aprendendo programação ou alguém que já se formou, está desempregado e vai aprender programação para alguma vaga específica.”

A CEO da Recode, Luisa Ribeiro, explica que, para conectar o aluno com o mercado de trabalho, foram feitas parcerias com empresas que podem absorver talentos ao fim do curso. Segundo ela, a média de salário de entrada da área é de R$ 3 mil. A renda de cargo sênior no Brasil pode chegar a R$ 20 mil.

Inscrições

ÉCOLE 42: Inscrições pelo site até 31 de julho

Duração: presencial, com processo seletivo presencial de um mês em São Paulo

RECODE PRO:

Inscrições pelo site até 25 de julho

Duração: 5 meses, presencial em São Paulo

Bolsa auxílio de R$ 300 por mês durante os dois meses finais do curso. Pessoas com deficiência, mulheres e negros terão prioridade na seleção. 

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