Games ajudam empresa a engajar seus funcionários
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Games ajudam empresa a engajar seus funcionários

Aspecto lúdico aumenta adesão a treinamentos e desafios de saúde e melhoram feedback

Marina Dayrell

07 de julho de 2019 | 06h00

Criar um avatar, passar de fase e ganhar medalhas. Parece um videogame, mas é parte da rotina de trabalho de funcionários de grandes empresas do País. Para aumentar o engajamento entre seus colaboradores em procedimentos que vão desde treinamentos a cuidados com a saúde, corporações têm investido em projetos cuja lógica principal é a competição lúdica dos games.

“A gamificação é uma tendência na área de desenvolvimento. É uma aplicação saudável da tecnologia em uma ferramenta atraente que, se trabalhada corretamente, os funcionários têm desempenhos melhores”, aponta o presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Paulo Sardinha.

Gerente de planejamento comercial do laboratório de medicina diagnóstica Dasa, André Ferraz participou de um desafio do tipo para diminuir o sedentarismo. Durante três meses, os funcionários foram divididos em equipes e incentivados a compartilhar suas atividades físicas em uma plataforma lúdica. Cada registro e interação, como uma caminhada de quatro quilômetros, virava uma medalha virtual.

André Ferraz, funcionário da Dasa, perdeu 12 quilos após engajamento com game oferecido pela empresa. Foto: Felipe Rau/Estadão

“A plataforma dá visibilidade aos ganhos e isso gera incentivo. Quando você faz o exercício, a pontuação aparece em um ranking e motiva outras pessoas”, conta Ferraz sobre a experiência. Com o desafio, ele passou a praticar squash, corrida e musculação e cumpriu a sua meta: emagrecer 12 quilos.

Para o gerente de operações e serviços de recursos humanos da Dasa, Ernesto Hideki, aplicar recursos de jogos ao desafio foi essencial para obter adesão. “A gamificação é a forma mais estimulante que encontramos para mobilizar o pessoal, já que a maioria é jovem e conectada.”

Em busca de participação, o fundador da VIK – startup criadora do desafio vendido para a Dasa –, Pedro Reis, destaca que é preciso reconhecer o funcionário. “Cada empresa dá o que quiser, seja produto, dinheiro ou medalhas. O importante é ter algum reconhecimento para os mais engajados.”Os mais bem colocados no ranking da Dasa ganharam relógios esportivos e vouchers de compras, por exemplo.

A lógica dos games também pode facilitar o aprendizado, caso da consultoria Accenture, que contratou a startup Kludo para desenvolver treinamentos do tipo. “Era difícil treinar presencialmente e avaliar se o conhecimento foi absorvido. Usamos então a gamificação como alavanca de engajamento, já que o lúdico faz com que a pessoa fique mais tempo exposta ao conteúdo e o absorva mais”, aponta Arthur Andrade, líder de inovação da empresa.

O jogo desenvolvido pela Kludo é baseado na criação de um avatar. Para melhorar o personagem, o funcionário precisa ter recursos. Se quiser trocar o cabelo, por exemplo, precisa de 200 moedas, que são conquistadas a medida que ele consome o conteúdo do treinamento.

“As empresas têm necessidade de competir pela atenção do colaborador com o melhor que existe de experiência do usuário, como as redes sociais por exemplo. Por que não pode ser divertido resolver as coisas do trabalho?”, destaca Daniel Sgambatti, CEO da Kludo.

Ao perceber uma movimentação de colaborações entre funcionários, a agência digital I-Cherry criou uma plataforma para premiar as pessoas que mais contribuem para o trabalho em equipe. Em um ambiente virtual, os colaboradores criam perfis com informações pessoais, fotos e habilidades e ganham créditos para distribuir a quem os ajudou em seu trabalho. Eles podem trocar os pontos por prêmios, como jantares e passeios de balão.

“Ganhar mais moedas não é critério para promoção, mas acaba tendo uma correlação porque os profissionais que mais as recebem são os que se destacam profissionalmente na empresa”, aponta o diretor de estratégias de negócios, Willie Taminato.

Resposta. Tornar o feedback entre empresa e funcionário mais rápido também é alvo da gamificação. Para o sócio-diretor da I9ação, Fernando Seacero, startup que desenvolve soluções de jogos para empresas como Siemens e Gerdau, a rapidez na avaliação facilita a criação de estratégias que melhorem a relação com o colaborador. “O game coleta muitos dados de forma fácil e gera uma experiência imersiva. O funcionário consegue mostrar quem ele é, gerando feedback o tempo todo”.

A rapidez no retorno pode ajudar até quem acabou de chegar na empresa. Uma criação da Qranio, startup que tem clientes como Bradesco e Pepsico, auxilia o colaborador em suas tarefas burocráticas no primeiro dia de trabalho, como emitir um crachá ou solicitar um notebook. Ele avalia o procedimento com estrelas e comentários, o que reduz o tempo de feedback. “A maioria dos processos de ‘onboarding’ é feita em uma única avaliação ao final da adaptação, que pode levar três meses. Imagina você se lembrar do seu primeiro dia depois desse tempo?”, destaca Samir Iásbeck, CEO do Qranio.

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