Geração Y chega ao poder nas empresas
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Geração Y chega ao poder nas empresas

Claudio Marques

17 de maio de 2014 | 22h29

 

MARCELLA FERNANDES E PAMELLA VASCONCELOS – Especial para o Estado

Eles são considerados mimados, impacientes, excessivamente ligados à tecnologia e dispostos a dar mais prioridade à qualidade de vida do que à carreira. Claro que, também rotulados de geração Y, eles têm características como agilidade, proatividade, criatividade. O fato é que os jovens na faixa de até 34 anos de idade estão chegando ao comando das empresas, ou pelos menos ocupando postos dos mais relevantes. E com isso têm de se relacionar, em uma posição de liderança, com outras gerações, inclusive com os mais novos, chamados de Zs, que são para eles o que os Y foram para a geração X.

Aos 31 anos, Tiago Spritzer, é CIO para América Latina da área de tecnologia da informação da IBM. Ele próprio já foi um jovem profissional que hoje seria considerado da geração Z. Aos 24 anos, já pela IBM, onde começou como trainee depois de se graduar em administração, viajou para a Argentina, Colômbia e México, dentre outros países, implementando novas aplicações e sistemas.


Spritzer, de 31 anos. ”Nunca paro de tentar aprender e conhecer coisas” (Imagem: Márcio Fernandes/Estadão)

Seguindo na experiência internacional, ele se tornou responsável pelo treinamento de funcionários mais jovens, alguns com 19 anos. Com base em sua experiência, Spritzer afirma que uma das características dos Zs é a agilidade para aprender e a vontade de querer evoluir muito rápido. Essa situação, ainda segundo ele, cria a necessidade de feedbacks imediatos, o que exige uma adaptação da gestão. O executivo também ressalta que, ao serem apresentados a um novo tema, esses jovens já buscam se informar na hora, via web.

Para Spritzer, os novos meios de comunicação têm papel crucial na formação profissional da geração Z. “Muita gente pensa que o caminho é só universidade, ficar sentado ouvindo o professor falando. Hoje, você também é estimulado por um vídeo no YouTube”, alega.

E-commerce. Apesar da pouca idade, a trajetória do líder impressiona. Após concluir o ensino médio e um curso técnico de informática, aos 18 anos de idade, ele criou junto com dois sócios um site nacional de vendas de acessórios para celular. O e-commerce era pouco explorado na época, e o agitado carioca se surpreendeu com os bons resultados.

“Nunca paro de tentar aprender e conhecer mais coisas. Como a tecnologia está evoluindo, muda muito rápido, você não pode parar nem um momento”, afirma Spritzer.

Foi esse impulso que o levou a estagiar na multinacional, depois de obter a graduação em administração. Já na empresa, ele se dedicou a pós-graduações na Fundação Dom Cabral e na Getúlio Vargas. Também estudou na Kellogg School of Management, em Chicago, e no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), em Cambridge, nos Estados Unidos.

No entanto, seu aprendizado de gestão começou antes, na própria empresa. A combinação de conhecimentos gerenciais e técnicos, especialmente com web, levou a IBM a colocar Spritzer para trabalhar no portal de vendas da IBM e nos treinamentos online internos, logo que ele entrou na empresa. Posteriormente, foi convidado para ampliar esse projeto, tornando-se responsável por treinar os mais novos.

VEJA TAMBÉM: Conflitos de geração podem reduzir produtividade em até 12%

Mais nova do que Spritzer, Gabrielle Teco, de 29 anos, também já atingiu um alto cargo: é diretora de marketing da Acesso Digital, empresa de gerenciamento eletrônico de documentos que ela ajudou a criar.

A companhia, aliás, é um exemplo de perfil da geração Y. A maior parte dos 130 funcionários está na casa dos 30 anos. “Nós priorizamos não ter tanta hierarquia e ter liberdade para se comunicar desde o começo, a fim de atrair quem se identifica com essa questão da qualidade de vida e felicidade no trabalho”, conta a executiva.

No dia a dia da companhia, Gabrielle pode até ser encontrada sentada confortavelmente em um puf colorido no escritório, já que a regra interna para aumentar a produtividade dos colaboradores é fazer com que eles se sintam bem. “Antes de pensar no negócio, pensamos nas pessoas. Queríamos ser uma empresa onde os profissionais pudessem ser felizes. Esse foi o conceito que nos guiou.”

Na outra ponta, o desafio é outro. Os funcionários mais novos da companhia nasceram em 1993. “A percepção inicial é de que se adaptam bem. Uma característica definitiva é a necessidade de feedback o tempo todo. Já havia essa característica, de maneira forte, na minha faixa etária, mas essa geração que está chegando vem com isso mais forte ainda”, comenta.

A executiva acredita que a dificuldade de relação de quem chega agora no mercado com a sua geração é menor do que a enfrentada entre a Y e a X. “Arriscaria dizer que a Z é mais parecida com a Y. Eles tomam uma dose a mais daquilo que a Y já tem”, afirma.

Gerente comercial da TIM Brasil em Porto Alegre, Leonarda Ofranti entrou na empresa por meio de um programa de trainee, em 2010. Para ela, o programa atuou principalmente como ferramenta para acelerar seu aprimoramento – anseio compartilhado por boa parte da geração Y. “Já temos exemplos de gente que cresceu rápido, então, queremos crescer mais rápido que eles”, afirma. O cargo de direção na sua área, por exemplo, é ocupado por uma profissional com 37 anos idade.


Leonarda, de 28 anos. “Queremos crescer mais rápido” (Imagem: Divulgação)

Ela afirma que a diferença de idade entre os profissionais da empresa não é uma barreira, pelo fato de não haver uma hierarquia tão rígida a ponto de atrapalhar a troca de ideias entre gerações. “Em geral as pessoas mais novas querem fazer coisas mais rápidas e velocidade tem a ver com a área de vendas.”

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