Há ‘correias de transmissão’ na vida profissional?

Claudio Marques

25 de novembro de 2013 | 12h58

Leonardo Trevisan*

Evolução profissional deixou de ser escolha. Não é mais decisão que pode ser deixada para depois. Momentos de maior oferta de emprego precisam ser observados com cautela. Empregos que mais interessam, não só têm mais exigências, como estão em setores de atividades mais promissores.

Não é somente a empresa que precisa ser avaliada pelo profissional que quer evoluir: o futuro do que ela faz é ainda mais importante.

Portanto, se evolução profissional é destino obrigatório, que critério usar para pensar carreira em termos de contínua evolução? A simples percepção sobre qual setor de atividade tem mais futuro é excelente primeiro passo. Não é só olhar a empresa, as características internas dela que contam. Carreiras não são construídas mais em um único lugar. Observar a solidez do ramo de atividade em que cada um amarra sua carreira é tarefa obrigatória.

É neste aspecto que carreiras têm “correias”, no sentido de correias de transmissão de força, como em qualquer carro entre o motor e as rodas. Há, de verdade, uma “correia” entre o sentido macro, daquele setor econômico, e as escolhas micro que cada um de nós faz para seu futuro profissional.

Por exemplo, o setor de serviços representa 63% do PIB; porém, há forte instabilidade nesta área da economia. O setor industrial, com empregos de maior estabilidade e mais benefícios, correspondia a 25% do PIB em 1985, mas em 2011 recuou para 15,1% e em 2012 caiu ainda mais para 13,8%. E quem olhar para carreira no agronegócio deve pensar que é neste setor que as exportações brasileiras crescem muito forte.

Há uma infinidade de novos caminhos nas profissões. A questão não está mais em pensar evolução profissional pela escolha de ser isto ou aquilo, engenheiro ou músico, técnico da mundo digital ou ativista de ONG, mas saber se o setor em que se pretende acumular informações e habilidades, tem boas expectativas amanhã. Um bom critério para saber a esse respeito é fazer comparações internacionais, observar se aquele setor se encaixa em uma cadeia mais global de negócios.

Em tempos de internet tão fácil, ninguém pode dizer que não tinha como saber se o setor escolhido para fazer carreira seria rapidamente ultrapassado, às vezes apenas pela mudança tecnológica. E esquecido pelo mercado.

*PROFESSOR DA PUC

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