“Há ‘vida útil’ após os 60 anos?”

Claudio Marques

22 de abril de 2014 | 08h21

 

Por Elisabete Adami Pereira dos Santos *

Há duas semanas, li uma matéria da excelente articulista de “carreira” do “Financial Times”, Lucy Kellaway, sobre a possibilidade de se aposentar apresentada a ela pelo consultor de seu fundo de pensão.

O artigo discorre sobre vários assuntos vinculados ao tema: de como algumas pessoas desistem de seus sonhos e se acomodam; de como outras se fixam mesmo em algumas atividades que não gostam esperando o “tempo passar” para alcançarem a idade da “aposentadoria”, e, principalmente, de como as empresas não dão oportunidades aos “veteranos” em carreiras iniciais.

Em seu artigo, Lucy diz que, fazendo a mesma coisa por 30 anos, gostaria muito de ser uma trainee em outra atividade, quando se retirasse do mercado em que está. E, este ser trainee não quer dizer necessariamente que a pessoa deva fazer trabalho voluntário, ou assistencial, mas, sim, iniciar uma nova atividade, talvez em outro setor ou indústria, com remuneração, e começando, portanto, uma nova carreira.

Esse artigo me fez lembrar muitas pessoas que se aposentaram e que encontraram, no mesmo setor, ou em setores correlatos, e até em outros totalmente diferentes, a possibilidade de iniciar uma nova trajetória profissional.

Quando se fala em aposentadoria por tempo de contribuição (30 anos para as mulheres e 35 anos para os homens), para quem começou a contribuir no início de sua atividade profissional, digamos 18 anos de idade, vai atingir esse tempo quando tiver entre 48 e 53 anos. Ou seja, para as mulheres, se levarmos em conta a última informação sobre a expectativa de vida divulgada pelo IBGE, teriam mais 30 anos de vida produtiva.Os homens, mesmo com expectativa de vida de 7,3 anos a menos que as mulheres, teriam 18 anos para “usufruir” novas atividades.

De fato, para quem pode, tenha saúde, e deseja continuar no mercado de trabalho, as condições são excelentes, com exceção do próprio mercado que não tem visto com bons olhos a entrada de trainees com mais de 50 anos de idade. E isso não é prerrogativa nossa, é, também, uma das condicionantes negativas que Lucy Kellaway apresenta quando analisa o mercado americano.

Os veteranos apresentam um componente importantíssima para as organizações que é a experiência, não se falando aqui em técnicas e ferramentas específicas, já que o assunto é de mudança de carreira e de atividade, mas em experiência de vida, que não pode ser desperdiçada. Algumas empresas já entenderam e estão colocando em prática… E não estão arrependidas.

* Professora da PUC

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