Hálito ruim é capaz até de destruir a carreira

Denize Guedes

25 de janeiro de 2011 | 16h14

Por Lilian Primi

Mau hálito pode destruir a carreira de uma pessoa, não apenas pela rejeição que por ventura provoque. As consequências listadas no site da Associação Brasileira de Halitose associa o problema a insegurança do portador ao se aproximar ou falar com as pessoas, depressão, dificuldade em estabelecer relações amorosas e afetivas, resistência ao sorriso, ansiedade e baixo desempenho profissional
ou estudantil. E, como se não bastasse, queda da autoestima.

Ao contrário do que muitos pensam, problemas no estômago têm pouco a ver com mau hálito. “O estômago é causa de apenas 1% dos casos. O mais comum é encontrar casos de caburra lingual, gengivite, perodontite e boca seca”, conta a dentista especializada em halitose Rosileine Uliana. Ela representa a associação em São Paulo.

A crença de que alho e cebola causam mau hálito é real, segundo Rosilene. Ela explica que esses temperos deixam resíduos resistentes na boca. Já a caburra lingual é uma capa branca que se instala sobre a língua, formada por restos de alimentos, células e outras substâncias que entram em decomposição e emitem compostos sulfurosos voláteis. “Esse composto ofende o olfato humano.”

Rosileine garante que a solução é simples na maioria dos casos. “Além da visita periódica ao dentista, é preciso melhorar a quantidade e a qualidade da saliva, que funciona como o detergente da boca.”

A recomendação básica é tomar pelo menos dois litros de água por dia, evitar comidas gordurosas e reduzir o consumo de lácteos, que aumentam o muco, além de escovar os dentes e comer a cada três horas, pois estômago vazio torna a boca seca, deflagrando
processos de decomposição. “Se usar enxaguante bucal, escolha aqueles que não contenham álcool, que resseca a boca.”

Não há como eliminar o bafo matinal. “Todo mundo tem, até a boca mais limpa do mundo. A recomendação é alimentar-se pela manhã e seguir as regras de higiene bucal”, diz Rosilene. Quem tem mau hálito crônico não percebe. “Ocorre um cansaso olfativo: o organismo se cansa de avisar e passa a ignorar o fato”,
explica a especialista.

Para um colega de trabalho avisar o outro do problema pode ser constrangedor. “Muitas vezes isso é difícil até mesmo entre casais. O interpelado vai mentir”, diz. A saída, segundo a médica, é perguntar a uma criança. “Filhos, irmãos ou vizinhos. A criança dificilmente mente, porque não vê problemas nisso”, diz.

Matéria originalmente publicada no caderno Empregos & Carreiras do dia 23/1.

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