Avanço para incluir LGBTI+ nas empresas é relevante, mas não chega a todos

Avanço para incluir LGBTI+ nas empresas é relevante, mas não chega a todos

As preocupações com diversidade e inclusão ainda estão restritas às grandes empresas, que têm papel de influência e mobilização, mas a maioria da população atua em organizações pequenas, médias, familiares e fora do Sudeste

Ricardo Sales*

28 de junho de 2022 | 12h07

28 de junho é o Dia do Orgulho LGBTI+. A escolha da data faz alusão ao início simbólico da luta por direitos desta população, cujo ápice foi a Revolta de Stonewall, conjunto de manifestações que tomou as ruas de Nova York, em 1969.

De lá para cá, houve avanços, sobretudo, no meio empresarial. Se até pouco tempo atrás a regra era esconder a orientação sexual no trabalho, hoje é grande o número de organizações que incentivam o respeito e contam com políticas de inclusão.

É uma mudança notável e que aconteceu num curto espaço de tempo. Isso se deve, sobretudo, às demandas das novas gerações, à articulação surgida nas redes sociais e também à agenda de negócios.

Pesquisas demonstram que diversidade traz resultado em termos de inovação, criatividade, engajamento e capacidade de atrair e reter talentos. Além disso, o crescimento da agenda ESG traz às empresas o desafio de dialogar com as principais demandas da sociedade e ser transparente em relação aos passos que têm dado.

Pauta ESG e demanda social aumentam inclusão de pessoas LGBT+ em empresas. Foto Unsplash/@theaidenfrazier

De parte das pessoas LGBTI+, estar num ambiente inclusivo é a oportunidade de se levarem por inteiras para a empresa. Sem preocupações desnecessárias com hostilidade e preconceito, ganha a saúde mental e cresce a produtividade. Quem se sente acolhido e respeitado no trabalho tem mais lealdade com a organização, tende a permanecer no trabalho e ainda advoga pela companhia.

Ao mesmo tempo em que é preciso celebrar as conquistas, também é importante destacar o que ainda falta avançar. As mudanças recentes são relevantes, mas não chegaram para todo mundo.

Pessoas trans e LGBTIs negras e negros, por exemplo, ainda sofrem mais preconceito na hora de conseguir emprego. Estima-se que 90% da população trans atue na prostituição por ausência completa de outras alternativas.

Outro ponto a considerar é que as preocupações com diversidade ainda estão restritas às grandes empresas. Elas têm papel de influência e mobilização, mas a maioria da população atua nas organizações pequenas, médias, familiares e fora do Sudeste.

É fundamental que a agenda do respeito avance em todos os espaços. Ganham a comunidade LGBTI+, as empresas e toda a sociedade.

*Ricardo Sales é CEO da consultoria Mais Diversidade, conselheiro de administração e professor da Fundação Dom Cabral.

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