Intercâmbio de inglês é opção para alavancar carreira

Intercâmbio de inglês é opção para alavancar carreira

EDILAINE FELIX

22 de maio de 2016 | 08h46

São Paulo 16/05/2016 - CADERNOS COMERCIAIS - CARREIRAS E EMPREGOS - (((FOTO EM DYPLA EXPOSIÇÃO))) INTERCÂMBIO IDIOMA - Tatiana Makino - farmacêutica que fes intercâmbio no Canadá para aperfeiçoar o inglês e hoje trabalha em uma starup e faz traduções técnicas - Foto: NILTON FUKUDA/ESTADÃO

Tatiana Makino – farmacêutica que fez intercâmbio no Canadá

Os profissionais estão cientes de que falar inglês não é mais um diferencial de carreira e sim atributo fundamental para diferentes áreas, cargos e setores. No entanto, para muitos, estudar o idioma aqui no Brasil já não é mais o suficiente e buscam nos intercâmbios, a inserção na língua, cultura e história de um país.

Farmacêutica da startup Memed, Tatiana Makino de Pádua Moreira, de 25 anos, sentiu necessidade de melhorar o idioma. “Eu sempre gostei de inglês e ouvia que era muito importante, mas tive noção do quanto era relevante ao fazer o meu trabalho de conclusão de curso da faculdade e encontrar apenas literatura em inglês da minha pesquisa. Descobri que era importante dominar não apenas o dia a dia, mas também o técnico.”

Ao terminar a graduação, Tatiana decidiu realizar um intercâmbio. Escolheu o Canadá, Vancouver, e passou um ano estudando inglês, fazendo cursos específicos de inglês técnico, acadêmico, trabalhando e vivendo a cultura local.
Depois de um ano, ela retornou e foi trabalhar na startup, fazendo atualização de conteúdo médico e o inglês fluente é fundamental, pois as pesquisas são, em sua maioria, em língua inglesa. “Hoje, a minha rotina é em inglês. Se ele não fosse avançado não teria capacidade de fazer esse trabalho. Sem essa experiência eu não conseguiria.”

Nas férias. Assim como Tatiana, muitos têm buscado no intercâmbio a proficiência e a possibilidade de alavancar a carreira. Atenta a este mercado, em maio de 2015 a CVC criou uma unidade de negócios para vender intercâmbios.

“A aposta foi no jovem profissional, graduado, cursando pós-graduação. O retorno foi de pessoas acima dos 35 anos”, diz a diretora de cursos no exterior da CVC, Santuza Bicalho, que ressalta que 70% dos clientes de intercâmbio têm mais de 25 anos e que 8% deles tem mais de 50 anos.
Ela esclarece que são dois perfis de intercambistas: o jovem profissional que está empregado e aproveita no período de férias para aprender o inglês e melhorar a qualidade profissional e aqueles que perderam o emprego e investem num período mais longo de estudos.

“Metade da demanda é por cursos de curta duração – até quatro semanas. Outro destaque é que os clientes migraram dos Estados Unidos para o Canadá, cerca de 30% e outros países como Ilha de Malta e África do Sul aparecem na procura. Os destinos mais buscados são: Toronto e Vancouver, no Canadá, e Londres, e percebemos uma queda de Nova York”, complementa.

Para Santuza, esse é um ganho que vai além do idioma, pois é possível cursar inglês para negócios, adquirir a cultura do local e conhecer pessoas de diferentes nacionalidades.

A procura por cursos, segundo Santuza, ocorre, como regra global, no verão do país de destino. Brasileiros vão de dezembro até fevereiro e em julho. “O tíquete médio dos programas, com aéreo, curso e acomodação (em casa de família) é de R$ 9.300, para três semanas”, diz.

Primordial. Para a sócia da empresa de recrutamento Jobplex Brasil, Ana Paula Montanha não falar inglês é muito grave e pode levar o profissional a perder oportunidades de carreiras.
“E abrir mão das férias para estudar é fundamental. O investimento é caro então é preciso aproveitar. É um sinal de planejamento estratégico, além da importância pela vivência”, diz.

Ademais, Ana Paulo lembra que é um investimento caro e por isso é preciso aproveitar todos os momentos, como por exemplo, verificar se é possível durante o intercâmbio realizar um estágio, mesmo que não seja remunerado para trazer essa nova experiência na bagagem. “Traga além do idioma e cultura. O intercâmbio não resolve a vida de curto prazo, mas vale para a vida toda e complementa a trajetória profissional”, diz.

De acordo com o consultor de carreiras da Thomas Case, Eduardo Bahi, o inglês cursado em um intercâmbio potencializa o currículo, melhora a capacidade e desenvoltura com o idioma e confere aprendizado de uma nova cultura.
No entanto, antes de investir Bahi recomenda levar em conta a empresa que atua e o desenvolvimento de carreira. “Ter o idioma fluente é essencial, mas é preciso aproveitar o intercambio. Procure fazer um curso de inglês que tenha a ver com área de atuação, combinar com um estágio, isso pode impulsionar a carreira.”

Para o consultor da Thomas Case, é importante procurar um inglês adequado – geral, de negócios, acadêmico, para que o resultado possibilite também desenvolvimento profissional.

Curso e cidade devem ser adequados ao perfil 

Entrevista com Francisco Zarro, sócio-fundador da 3RA agência de intercâmbios especializada no Canadá

O que leva uma pessoa a realizar um curso de inglês no Canadá?
Entre os motivos estão melhorar a fluência no idioma, imigrar para o país ou melhorar a sua empregabilidade no Brasil. O Canadá oferece qualidade de ensino e preços muito bons para quem quer estudar no país.

Qual o perfil (idade, formação) das pessoas que buscam cursos de intercâmbio?
A maioria são profissionais com formação em diversas áreas (tecnologia, engenharia, administração, médicos e etc), idade média entre 22 anos e 40 anos, que estão querendo imigrar para o Canadá ou melhorar o seu currículo com cursos de idiomas e profissionalizantes para voltar para o Brasil mais bem preparado para o mercado de trabalho.

Aprender o inglês para melhorar desempenho no mercado de trabalho é uma das características de quem procura o curso?
Com certeza essa é a maior motivação para quem busca estudar inglês no Canadá.

Como escolher a cidade e a escola para estudar?
Oferecemos diferentes opções de curso e cidades para se estudar no país. Desde cursos básicos de inglês até MBAs. Observamos a idade do cliente, o nível de inglês que ele tem e o objetivo em aprender o idioma para determinar a escola. Quanto a cidade, nós levantamos os pontos principais como população, clima, mercado de trabalho e características gerais para que o aluno escolha a cidade que mais se encaixa com o seu perfil.

Qual o tempo médio que o cliente fica estudando no Canadá.
De um a seis meses para quem quer estudar apenas a língua e de 12 meses a 24 meses para aqueles que querem fazer cursos profissionalizantes, como uma pós-graduação, por exemplo.

Qual o custo médio para realizar um intercâmbio no Canadá?
Depende do período que a pessoa for estudar. Mas um cálculo básico é de 2 mil dólares canadenses por mês, em média, incluindo os custos com a moradia e o curso.

É comum profissionais aproveitarem as férias para viajar e estudar inglês?
É bastante comum. Quando a pessoa vem fazer um intercâmbio ela vive na cidade não só como um turista, mas como um morador do país. Isso enriquece muito a experiência.

Qual a época mais atrativa para realizar o curso?
A época do ano vai depender muito do que a pessoa quer viver no país. O Canadá possui quatro estações bem definidas e tanto o verão quanto o inverno oferecem características bastante atrativas e diferentes.

Aprender o inglês em outro país é importante para o desenvolvimento da carreira?
Aprender inglês e viver em outro país é fundamental não só para quem quer ter um desenvolvimento profissional mas também pessoal. O contato com a população local aumenta a possibilidade de networking, além da interação com a cultura pode ser muito rica para a construção da carreira.

O que é preciso para fazer um intercâmbio no Canadá?
Visto, seguro… Como a agência é uma empresa canadense, que tem sua base no país, isso torna muito mais fácil entendermos as leis locais, direitos e obrigações, para ajudarmos os nossos alunos.

 

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